domingo, outubro 13, 2013

Black Blocs não têm professores

Fabio Pereira Ribeiro
Instituto Millenium

Nos últimos acontecimentos no Rio e em São Paulo, o Estado, a Polícia e os Black Blocs bateram na cara de todos os cidadãos

Infelizmente, no Brasil, a educação, que deveria ser a salvação do país, passa por um momento trágico. Como diria Claudio de Moura Castro, “os tortuosos caminhos da educação brasileira” estão longe do desenvolvimento social, econômico e político do Brasil.

Os incidentes ocorridos nas manifestações pacíficas pela educação e em prol dos professores no Rio de Janeiro e em São Paulo representam uma resposta ao que o Estado e a própria sociedade fizeram em relação à educação de qualidade durante anos.

O que deveria ser um protesto pacífico e legítimo em defesa da educação e dos professores, na verdade, se transformou em um cenário de conflito, onde o Estado e os “novos anarquistas” apagaram valores como a organização da sociedade pela defesa do social, crescimento intelectual do indivíduo e debate inteligente entre seres humanos que pensam no bem comum.

A corrupção instalada neste país e o fraco debate político constituem hoje as justificativas para que um pequeno grupo de arruaceiros, terroristas urbanos, seres manipulados por grupos políticos busquem uma revolução destrutiva das instituições públicas, ameaçando o debate político e deturpando os valores sociais. Denominado “Black Blocs”, o grupo conseguiu atrapalhar o discurso e a defesa legítima dos professores. O que eles conseguiram efetivamente? Por que a força e a violência instaladas pelos Black Blocs não atingem diretamente os “bandidos” e a criminalidade em todo país? Por que os Black Blocs preferem atrapalhar uma mobilização legítima, promover a violência gratuita e afrontar a Policia Militar?

Vemos as instituições educacionais com indicadores de desempenho pífios para um país como o Brasil, uma polícia despreparada e mal formada para atender com segurança as cobranças legais da sociedade e um Estado em letargia profunda com as questões educacionais. O que o Estado, a Polícia e os “novos anarquistas” estão fazendo com a educação brasileira em pleno mês que homenageia os professores destrói o maior valor social que uma nação dispõe para o seu bem-estar. Os professores estão sendo desacreditados por uma pequena parcela da sociedade. Além dos Black Blocs, que atrapalharam o debate legítimo dos “mestres”, famílias e estudantes vêm desvalorizando os docentes. O noticiário diário está repleto de casos de agressões de alunos desmotivados contra seus professores.

Recentemente, assistindo a um vídeo produzido pelos Black Blocs, percebi, em suas frases de ordem desarticuladas e ideais sem fundamento social, que eles não tiveram ou têm professores. A história do desenvolvimento social de um indivíduo é marcada pela atuação dos professores.. Não tê-los representa um prejuízo. Como disse Fábio Porchat, em recente artigo intitulado “Professores da Vida”, publicado em “O Estado de S. Paulo”, o que estão fazendo com os professores atinge a todos nós.

Nos últimos acontecimentos no Rio de Janeiro e em São Paulo, o Estado, a Polícia e os Black Blocs bateram na cara de todos os cidadãos. Será que a sociedade vai revidar? Será que algum dia a sociedade cobrará com intensidade uma educação com alto padrão de qualidade? Ou vamos aceitar o descaso com que vêm sendo tratados os professores e a educação?

Espero que 15 de outubro seja uma data feliz para os professores, apesar de a educação brasileira não estar em um momento tranquilo e no melhor de seu desempenho.