André De Souza e Cristiane Bonfanti
O Globo
Dillma: "Combater essa chaga é talvez uma das grandes tarefas morais, éticas, sociais, econômicas que nos cabe"
Divulgação / Ministério do Trabalho e Emprego - 9/5/08
Menina de 15 anos encontrada pela fiscalização
do Ministério de Trabalho em situação de trabalho escravo
BRASÍLIA - O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, afirmou nesta terça-feira que ainda há, no mundo, 168 milhões de crianças trabalhando. Embora o número represente uma redução de 31% na comparação com a estimativa de 2000 - quando havia 246 milhões de crianças trabalhando -, o diretor-geral disse que "essa é uma péssima notícia". Ele afirmou ainda que, pela taxa atual de progresso, o Brasil não alcançará a meta de eliminar as piores formas de trabalho infantil até 2016.
- Isso é um fracasso de política coletivo. Temos que fazer melhor - afirmou.
Ele destacou ainda que a maior parte das crianças que trabalham no mundo está no setor agrícola. Mas reiterou que o trabalho infantil está em ascensão no setor de serviços:
- E uma das questões principais é que existe uma demanda por essas crianças - destacou.
Em termos regionais, a Ásia e o Pacífico concentram o maior número de crianças trabalhando.
- A África Subsaariana continua com a maior proporção de crianças trabalhando - disse Ryder, que destacou a necessidade de melhoria na qualidade da educação.
Dilma defende Brasil
A presidente Dilma Rousseff defendeu que a erradicação do trabalho infantil passa pelo aumento da renda e do emprego entre os pais e mães de família. Segundo ela, entre 2002 e 2012, o Brasil reduziu em 67% o número de crianças entre 5 e 14 anos que estavam trabalhando, mais do que a média global, de 36%. Dilma participou na manhã desta terça-feira da abertura da III Conferência Global sobre Trabalho Infantil, realizada em Brasília.
- O fim do trabalho infantil depende de oportunidades de emprego e da geração de renda dos adultos das famílias com as nossas crianças - afirmou Dilma. - Os dados da OIT registram a existência de 200 milhões de desempregados em todo mundo, número que poderá continuar crescendo - acrescentou.
Nesse contexto, os principais efeitos da crise tendem a recair muito sobre as crianças, os jovens, justamente a quem nós devemos nossos maiores esforços de proteção. A saída da crise não virá pela redução da da renda dos trabalhadores, pela diminuição do emprego formal, pela restrição às liberdades sindicais ou pela degradação das políticas sociais.
Ela e o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, que também participou do evento, afirmaram que o trabalho infantil prejudica o futuro dessas crianças.
- As crianças devem estudar para que possamos evitar a repetição entre gerações do ciclo da pobreza. Para nós, essa é uma convicção profunda, o caminho da superação da miséria para as crianças é renda e trabalho para os adultos das famílias, e educação para elas - afirmou Dilma.
- Trabalho infantil mina um trabalho decente para adultos- disse o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder.
Dilma defendeu programas do seu governo - como o Brasil Sem Miséria e o Bolsa Família - como exemplos de ações que ajudam a combater o trabalho infantil. Ela também disse que o problema é mais grave nos países pobres, embora ocorra em todo o mundo.
- Combater essa chaga é talvez uma das grandes tarefas morais, éticas, sociais, econômicas que nos cabe. É um imperativo moral sim, pois as crianças são o segmento mais vulnerável e indefeso de nossas sociedade. E são sempre nosso presente e futuro. É também um desafio global. E o trabalho infantil não corresponde a uma diferenciação, uma clivagem entre o Norte e o Sul do mundo - disse a presidente.
- Não há região do mundo totalmente livre dessa problema. No entanto sabemos que a fragilidade do trabalho infantil tem uma situação muito mais perversas nos países mais pobres do mundo. Por isso tenho certeza que a questão do trabalho infantil é também uma questão de cada homem e mulher deste planeta - afirmou Dilma.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Há muito que qualificamos o governo Dilma como um dos mais medíocres da história do país. Em termos de crescimento, é o terceiro pior.
Ele nãoa difere muito daquilo que tem sido a tônica dos governos petistas: muito discurso e poucos resultados.
Ontem, exibimos os números que, de forma categórica, põe no lixo todo o discurso de dona Dilma. E se nada for feito daqui prá frente, é muito provável que, em 2016, as estatísticas demonstrem progresso zero nesta área, isto é, estabilização no números de crianças trabalhando em lugar de estudarem.
O governo conta com um programa que demonstrou-se eficaz a partir de sua criação, em 1996, governo Fernando Henrique. Durante os anos seguintes, houve uma brutal redução no número de crianças em trabalho infantil. Porém, de forma inexplicável, Lula, ao criar o Bolsa Família, a partir de cinco programas sociais criados no governo FHC, deixou de fora o PETI-Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e, muito embora o país ainda tenha em seus dois mandatos, experimentado redução, a velocidade não foi a mesma e os investimentos foram sendo reduzidos gradativamente. Razão pela qual, há uma certa estabilização, fruto do descaso do governo da senhora Rousseff, o que seu discurso de agora, verdadeiro lixo.
Nunca é demais lembrar que é considerado como trabalho infantil crianças menores de 14 anos, e que exerçam algum tipo de atividade laboral. Porém, para ser eleitor, precisariam ter ao menos 16 anos, o que talvez explique o descaso do governo Dilma em relação às crianças, seja em relação ao trabalho, seja em relação à educação, já que o governo prefere investir mais no ensino superior do que no fundamental, ao contrário dos países com níveis de qualidade superiores ao nosso.
