domingo, dezembro 22, 2013

O país das pernas mancas

Tribuna da Imprensa
Sylo Costa, O Tempo

O ministro Mantega diz que a falta de financiamento para consumo fez o Brasil andar com “pernas mancas”. Falou quem não devia, mas quem pode.

Todo mundo sabe que o Brasil está “coché” das pernas. Mas muita gente não sabe o que é “coché”, cujo significado – “aquele que manca ou que tem pernas escabufadas…” – aprendi, ainda menino, lá no Vale, nas Escolas Reunidas. Com o tempo, o idioma muda mesmo. Entregador de correspondência passou a ser mensageiro, ladrão do dinheiro público é mensaleiro e conversador fiado, como o ex-Luiz, permanece fuxiqueiro.

Eu disse que falou quem podia. Sim, mas falou bobagem, o que também não é novidade. O que existe em abundância, neste país, além de governo mentiroso, mas, mentiroso mesmo, é crédito para sustentar o comércio de bugigangas, inventamos até o tal de “consignado”, que pendurou muita gente que vive do serviço público. O Brasil, junto com a Petrobras, quebrou com essa gastança, o que era previsto, pois, motorista não pilota avião…

A vida está pela hora da morte, mas todo mundo tem cartão de crédito ou débito. É comprar qualquer coisa e pegar o cartão que a pergunta é automática: crédito ou débito? Quer que divida? Isso significa que estamos pagando a mais. Se tanto faz pagar à vista ou à prestação, é sinal de que os juros estão embutidos. E onde estão as autoridades monetárias? Estão por aí, falando tanta bobagem como os fanáticos da seita do ex-Luiz. Um banco mineiro de médio porte vendeu sua carteira de crédito consignado à Caixa por mais de R$ 1 bilhão… Depois criticam ou mangam de quem vende lotes na lua. Quem é o avalista? A própria administração pública, responsável pelo pagamento dos servidores. Já tem banco anunciando uma classe emergente na sociedade: os negativados… Depois de fazer uma carteira de negativados, vende para um banco do governo. E nesse meio do caminho alguma coisa sempre cai e fica esquecida, né?

CAMPOS DE FUTEBOL
Esclareço ao ministro Mantega que o dinheiro sumiu na construção de campos de futebol, centros administrativos, compra de automóveis em 90 meses, também causa do entupimento das ruas. Depois da Copa da Miséria do Mundo, o povo vai ter de comer pedaços de estádios suntuosos e, de sobremesa, pedaços de centros administrativos. Afinal, a prefeitura de BH não para de trabalhar para você. Em minha vida, juro por Deus, nunca vi tanta propaganda como estou vendo agora.

Para o próximo ano, a Presidência da República já orçou a pequena quantia de R$ 450 milhões para a publicidade do governo de dona Dilma. Programa de gente velha é, principalmente, ver novela, e não tem um intervalo sem propaganda da prefeitura de BH. Isso não é propaganda, é doutrina ou tática de guerrilha. Cadê o Ministério Público ou o Tribunal de Contas, pô? Estava disposto a votar em branco, já que estou desobrigado desse compromisso. Mas, porque quero participar, não votarei mais em branco… E quem quiser que entenda.

P.S.: Feliz Natal e boas festas.