quarta-feira, dezembro 11, 2013

Polícia ucraniana aumenta força para combater manifestantes

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Com informações Agências EFE e France-Presse

Forças policiais expulsaram, com violência, manifestantes que bloqueavam prédios públicos em Kiev. Presidente se reúne hoje com representante da UE

Sergey Dolzhenko/EFE 
Agentes das forças do Ministério do Interior ucraniano montam guarda perto de uma barricada
 erguida por manifestantes pró União Europeia em torno do palácio presidencial em Kiev 

As forças de segurança ucranianas aumentaram nesta terça-feira a força usada para pressionar os manifestantes favoráveis à União Europeia (UE). Os protestantes foram desalojados da entrada dos principais prédios públicos violentamente durante a madrugada em Kiev, poucas horas antes da chegada da chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton. Durante a visita, Ashton se reunirá com o presidente Viktor Yanukovych e tentará mediar uma aproximação entre o governo ucraniano e a oposição. Ela não fará uma ‘mediação formal’, tarefa que cabe às forças políticas ucranianas, mas uma ‘promoção ao diálogo’, destacou a UE em comunicado distribuído à imprensa.

Ashton disse temer que a pressão das forças oficiais sobre os manifestantes complique uma saída da crise política na Ucrânia. A polícia ucraniana retirou na madrugada desta terça-feira as barricadas dos manifestantes pró-UE que bloqueavam os prédios públicos na capital do país, em uma operação que deixou feridos e relegou a mobilização à praça da Independência, principal centro dos protestos.

Os confrontos se intensificaram na noite de segunda, quando os policiais desalojaram os manifestantes que mantinham uma barricada nas proximidades da sede da presidência. De acordo com relatos de agências de notícias internacionais, várias pessoas foram agredidas no enfrentamento entre polícia e protestantes. Segundo o partido de oposição Svodoba, cujos representantes estavam no local, ao menos dez manifestantes ficaram feridos e um deles fraturou as costelas. Um jornalista da agência France-Presse observou ao menos três policiais feridos.

As forças de segurança começaram na segunda-feira à tarde o processo de retirada das barricadas montadas pelos manifestantes pró-UE em vários pontos do bairro da capital ucraniana que abriga a presidência, a sede do governo e o Parlamento. O bairro amanheceu sem barricadas e com policiais controlando o acesso às proximidades da sede do governo. Apesar da temperatura de sete graus negativos, quase 300 manifestantes permanecem reunidos na praça da Independência.

Na segunda-feira, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, comunicou a Yanukovych sua "profunda preocupação" a respeito de uma possível escalada da violência na Ucrânia. A oposição acredita que Yanukovych prepara em segredo a entrada da Ucrânia, que está em uma difícil situação econômica, em uma união alfandegária da Rússia com ex-repúblicas soviéticas.

O presidente ucraniano parecia ter ouvido os pedidos de calma dos países ocidentais ao anunciar que se reuniria com três ex-presidentes do país — Leonid Kravchuk, Leonid Kuchma e Viktor Yushenko —, para debater a situação. A reunião deveria servir para estabelecer as bases das negociações entre o governo e a oposição, com o objetivo de encontrar um compromisso, segundo um comunicado da presidência.

No fim da tarde de segunda-feira, as forças oficiais obrigaram dezenas de manifestantes que bloqueavam a sede do governo a recuar, em uma operação que não resultou em confrontos. O partido Batkivshchina, da líder opositora detida por corrupção Yulia Timoshenko – ex-primeira-ministra e uma das figuras da Revolução Laranja – afirmou que a polícia entrou em sua sede em Kiev.