quarta-feira, janeiro 15, 2014

Argentina: cesta básica cara aumenta número de pobres

O Globo 

Pessoas nesta condição são 30% da população, segundo dados do Observatório Social

BUENOS AIRES - O aumento do preço da cesta básica em 50% na Argentina em 2013 elevou o número de pobres em 1,250 milhão, totalizando 11,950 milhões de pessoas nessa condição, revelou nesta segunda-feira o jornal “Clarín”, citando levantamento realizado pelo Observatório Social, entidade ligada à Confederação Geral de Trabalhadores (CGT), liderada por Hugo Moyano. Este número representa quase 30% da população total. Só no último trimestre do ano passado, mais de meio milhão de pessoas entraram na linha da pobreza devido à forte alta de preços dos alimentos básicos, aponta o estudo.

De acordo com o Observatório Social, em dezembro de 2013 a cesta básica para uma família de quatro pessoas — casal e dois filhos — passou a custar 6.184,45 pesos. Os valores da entidade são um pouco menores que os computados pela especialista Graciela Bevacqua, ex-integrante do Indec (o IBGE argentino), afastada durante a “intervenção” no instituto, em 2007, por Guillermo Moreno — então secretário de Comércio Interno da presidente Cristina Kirchner — para controlar o índice de inflação oficial. Segundo Graciela, a cesta básica argentina está em 6.577,89 pesos.

Do total de pessoas que ingressaram na linha de pobreza no ano passado, 550 mil o fizeram no último trimestre de 2013, aponta o “Clarín”, citando números de Graciela: nos primeiro nove meses do ano passado a cesta básica ficou cerca de mil pesos mais cara, passando de 4.536,47 pesos para 5.635,60 pesos. Nos últimos três meses de 2013, subiu outro tanto, para 6.577,89 pesos.

Ano começa com aumentos
A aceleração dos preços na Argentina afetou a todos os setores com renda mensal, como assalariados, aposentados e beneficiários de planos sociais, cuja renda é reajustada a cada ano ou a cada seis meses, e não acompanham a evolução diária da inflação. Deste modo, a parcela da população que não teve reajuste de renda nos últimos três meses, caso da maioria dos assalariados e aposentados, viu seu poder de compra diminuir fortemente.

Segundo cálculos de Graciela, o aumento do valor da cesta básica total — que inclui bens e serviços e serve de referência para marcar a linha de pobreza — foi de 45%. A cifra está perto do valor calculado pela CGT. Além disso, 2014 começou com aumentos de preços das passagens de ônibus e dos combustíveis, que têm forte impacto nos preços de bens e serviços.

Para o Indec, considerando dados de novembro, a cesta básica foi de 1.750,28 pesos. Segundo o órgão oficial, no primeiro semestre de 2013, a pobreza afetava apenas 4,7% da população, menos de dois milhões de pessoas.