quarta-feira, janeiro 15, 2014

A covardia da senhora Rousseff e os demônios da política

Adelson Elias Vasconcellos


Sempre que preciso “comentar” declarações da senhora Rousseff, atualmente empossada na presidência da República, daí sua importância, assim como em outras vezes, o faço com absoluto constrangimento. É doloroso a gente ter de criticar falas que, dada o posto que esta senhora ocupa, deveriam guardar um mínimo de decoro. Mas qual,  decoro é para os derrotados pelo petismo. Os petistas sequer  se submetem às instituições e ao estado de direito democrático, quanto mais guardar algum decoro em relação ao povo que governam.

Tais considerações são necessárias para comentar a posição assumida pelo governo da senhora Rousseff em relação aos acontecimentos do sistema penitenciário do Maranhão que,de resto,  poderiam referir-se ao sistema nacional de um modo geral.

O silêncio covarde da presidente se assemelha a igual atitude de seu mentor, o ex-presidente em exercício, Luiz Inácio, diante da tragédia que foi a queda do avião da TAM em julho de 2007, em São Paulo, com um triste saldo de 199 mortos. Jamais Lula foi à São Paulo sequer para solidarizar-se com os parentes daquelas vítimas, como também jamais lhe dirigiu sequer uma mensagem de conforto, na qualidade em que estava na presidência da república. E, como se sabe, aquele foi consequência do apagão aéreo do governo petista que, apesar do tempos e providências, continua a atazanar a vida dos brasileiros.    

Além do silêncio covarde, Dilma, ao pronunciar-se, o fez via rede social e em termos vergonhosos. Para a menina queimada pela bandidagem, sequer uma palavra. Tratou apenas de atenuar o ocorrido, aconselhando ainda sua ministra dos Direitos Humanos a “aliviar” as palavras críticas em relação aos acontecimentos.  Afinal, a sempre tão corajosa para destratar seus auxiliares, murchou sua valentia para a filha de Sarney. E o fez apenas pelo interesse eleitoreiro para não colocar em risco a aliança com o PMDB. Que os mortos sejam ignorados, que a menina  seja esquecida neste mar de tragédias que os governos petistas vêm provocando diariamente.  O que conta para este bando de cretinos e lacaios é manter o poder nas mãos, de forma hegemônica e absoluta. Os pobres serão lembrados apenas na hora de votarem. Nada além disso.  Afinal, as muitas bolsas servem exatamente para isso, comprar consciências  e pagar pelo  silêncio cúmplice. 

É claro que o governo se pudesse evitar a exibição dos vídeos, tanto das decapitações quanto da menina ardendo em chamas, por certo, o faria. Imprensa boa para o PT, jamais será a imprensa que critica, que aponta erros e desmandos, que denuncia desvios e corrupção, que aponta os abusos de poder da elite política. A imprensa amiga é aquela sempre a favor, que bate palmas, que se rasga no elogio fácil aos governantes, principalmente se estes forem petistas e aliados a eles.   E, mais ainda será amiga tanto quanto abrir espaço para as denúncias, mesmo que inverídicas, sobre os adversários do petismo.  Enquanto Sarney e seu bando e enquanto Maluf e sua gangue foram inimigos, os petistas desceram o sarrafo. Bastaram se ajoelhar diante do poder petista e, pronto, passaram a ser  anjos encarnados. 

Foi graças aos vídeos que o Brasil e o mundo puderam conhecer um pouco do descalabro que é a segurança pública brasileira. Nem a informação  estatística dos mais de 50 mil homicídios por ano provocou tamanha comoção.  Foi preciso que as imagens fossem exibidas, de forma nua e crua, para que o mundo retirasse  mais um pedaço da máscara atrás da qual se esconde o verdadeiro PT governista. 

E, apesar da crueza das imagens, a senhora Rousseff foi incapaz de se solidarizar com as famílias das vítimas. Presidente covarde, omissa,  grosseira, mistificadora, asquerosa. Não é de governante deste baixo nível de compromisso que o povo brasileiro precisa. Pelo contrário.

A covardia da senhora Rousseff vem de longa data, bem sabem as vítimas dos atentados terroristas de que as esquerdas participaram durante a ditadura militar, quando mais de uma centena de inocentes ou foram executadas ou vitimaram em consequência das ações armadas. Dilma fez parte de vários grupos, e hoje, com o maior cinismo, e numa total afronta à história e à memória daqueles que sucumbiram alvos das esquerdas, posa de democrata e vítima da ditadura militar. Na verdade, tivesse um pingo de respeito aos fatos, diria que ela pertencia a ala que queria uma ditadura comunista naqueles idos dos anos 60 do século passado. Fracassaram, e frustrados, querem hoje dar um golpe branco às instituições democráticas. 

Infelizmente, poucos são os brasileiros que trazem bem viva a lembrança daquele período nebuloso da nossa História. Tendo a esquerda chegado ao poder, e fruto da ignorância congênita de grande parte da nossa população, tenta reescrever a história distorcendo, falseando, mentindo e  omitindo. 

O que acontece com o Maranhão há quase meio século sob o domínio do Sarney, explica bem o nenhum respeito que se tem no país por aquilo que se chama de real interesse público.  Por ele, para atendê-lo em seu mais alto grau de coerência, não se admitem mistificadores, não se aceitam cretinos. A ordem dada pelo Planalto, de não se criticar a nenhuma política de segurança  do Maranhão, nada tem a ver com a Roseana, e sim com Sarney, o homem “incomum” segundo Lula. O PT depende miseravelmente desta torre do Babel  em que se transformou o PMDB, e este partido obedece às cegas os desejos de seu maior demônio, José Sarney. 

Fosse um Estado governado por um partido de oposição, a exemplo do que o governo se portou com fatos ocorridos em São Paulo, em 2012, e certamente os agora prostrados cordeirinhos do Planalto agiram de maneira completamente diferente. 

Este mesmo José Eduardo Cardozo, colocado no Ministério da Justiça, simplesmente manteve um silêncio sepulcral diante da crise nos presídios do Maranhão, mas  teve palavras e atitudes absolutamente estranhas e em sentido contrário quanto fatos de violência ocorreram nos presídios de São Paulo. Agora, diante de um aliado, não apenas se cala de forma vergonhosa,   mas assume posturas absolutamente indecentes. 

Não é de hoje que o sistema penitenciário brasileiro transformou-se num caso de polícia. Porém, em quase doze anos de poder, que ações tomou o governo petista para melhorá-lo?  Anos após ano,  verbas foram contingenciadas,  programas foram lançados sem que ações práticas saíssem do papel ou da carta de intenções, ou do discurso canalha. Pobre daqueles que ali são jogados porque ficarão ao Deus dará, sem direitos, sem privilégios, em condições sub-humanas. São miseráveis largados à própria sorte, se é que se pode falar em sorte para os milhares de detentos atirados ao abandono nas pocilgas chamadas de presídios.  Repugna-me ver membros do Judiciário, devidamente aboletados em palacetes faraônicos, estufando os bolsos e as contas bancárias com milhares de reais frutos de privilégios indecorosos, esquecendo-se do que se passa no sistema prisional brasileiro, onde milhares aguardam anos a fio a boa vontade dos juízes para serem julgados, ou para assinar um mísero ato de soltura para os quantos já cumpriram de há muito suas penas. 

Repugna-me a atitude cafajeste de um governo devotado a louvar os demônios da política brasileira,  pondo de lado o dever que lhes cabe de garantir a segurança de todos os que vivem e vegetam neste país.

Em outubro próximo, ou melhor, a partir de agosto, com a campanha eleitoral no ar, o Brasil vai assistir o maior festival de engodos e mentiras que se pode presenciar em sua história.  Os demônios virarão anjos, divindades, criaturas possuídas das mais elevadas virtudes e competências. Talvez o país acabe esquecendo as  milhares de vítimas que estes governantes vem empilhando desde 2003. Vítimas de um sistema carcerário denegrido, de uma saúde em estado terminal, de um sistema de segurança incapaz de conter o avanço da criminalidade, de um sistema educacional que transformou 2/3 da população em analfabetos e ignorantes, e que mais incentiva ao ócio do que ao trabalho digno, sem falar dos bilhões crescentes desviados pela corrupção, não esquecendo de incluir as centenas de mortos em desastres aéreos e rodoviários, e dos que sequer conseguem internar-se na rede pública de saúde ou têm o privilégio para a  realização de simples exames laboratoriais, acabando por desistir  de viver pela longa espera. São muitos milhões de vítimas que muito provavelmente esquecerão seus padecimentos para deliciar-se com o Brasil da fantasia, aquele que não existe, mas que a propaganda do oficialismo cafajeste e criminoso, vai acabar corrompendo a memória e a consciência de todos.  

Quem sabe um dia o povo brasileiro desperte e acabe se dando conta de sua indigência e de sua fragmentação. Hoje, é preciso identificar os muitos povos brasileiros que vivem debaixo de uma mesma bandeira, todos vítimas de uma governo decrépito.  Quem sabe surja alguém capaz de unir este povo novamente e, fazendo-os despertar para a indignação contra o mal que vaga livre por aí, os expulse para o inferno de onde surgiram tantos demônios.  Talvez possamos, então, neste dia venturoso, dizer ao mundo que, finalmente, somos um povo independente.  

Saudade da ditadura?
Ao que parece o ministro Padilha, da Saúde, parece devotar imensas saudades da ditadura militar. Isto fica claro ao conhecermos sua última invenção, segundo informa a coluna de Maquiavel, na Veja. online: 

Diariamente, o Palácio do Planalto realiza o hasteamento da Bandeira Nacional. A homenagem é comandada por homens vestidos com trajes históricos e, às sextas-feiras, a cerimônia é acompanhada por uma banda do Batalhão da Guarda Presidencial. A tradição, ao que parece, inspirou o Ministério da Saúde. Nesta terça-feira, o ministro Alexandre Padilha instituiu a criação da bandeira do Sistema Único de Saúde (SUS) e determinou que ela seja hasteada todos os dias em prédios da estrutura da pasta – em todo o território nacional. De acordo com a norma publicada no Diário Oficial da União, a bandeira do SUS terá formato retangular e receberá marca, logotipo e a sigla SUS em azul sobre fundo branco.

Só falta agora obrigar que, durante o hasteamento da bandeira, seja executado o hino nacional, com todos os servidores posicionados e perfilados.

O que não se faz para aparecer em tempos de campanha eleitoral? 

Frase inteligente: 
Do deputado Bruno Araújo, sobre o site que arrecada fundos para pagar a multa de José Genoíno no processo do mensalão: 

“O site para ajudar Genoino é mais uma hipocrisia do PT. Um partido que arrecada milhões não precisa expor seus filiados a isso.”