Veja online
Governo divulgou nesta sexta resultado fiscal; apesar do superávit primário, dívida continua a se deteriorar
(Comstock)
Setor público: superávit do governo chegou a 19,9 bilhões de reais
O governo divulgou nesta sexta-feira dois relatórios relevantes sobre as contas públicas. O primeiro, do Tesouro Nacional, informou a economia feita pelo governo central para o pagamento dos juros da dívida — o chamado superávit primário. O governo central é composto pelas contas do Tesouro, da Previdência e do Banco Central.
No início da tarde, o BC divulgou a nota de política fiscal, em que informa a situação fiscal de todo o setor público — o que engloba, além do governo central, as contas dos estados, municípios e empresas estatais. Esse mesmo documento mostra como está a trajetória do endividamento do país e quanto está sendo gasto com o pagamento de juros. Confira as três informações que importam sobre ambos os relatórios — que se referem a janeiro deste ano.
• Economia do governo diminuiu
As despesas do governo central (formado pelas contas do Tesouro, do BC e da Previdência) aumentaram 19,5% em janeiro. Com isso, o superávit primário dessa tríade recuou pela metade, a 12,954 bilhões de reais no mês. Significa que o governo gastou mais e economizou menos para pagar os juros da dívida. O mês de janeiro é considerado um dos melhores para as contas públicas, já que muitos gastos só ocorrem depois do Carnaval. Não foi o caso neste mês.
• Despesas com juros aumentam
Também nesta sexta, foi divulgado o resultado nominal do setor público. Essa conta é composta pela diferença entre o superávit do setor público, composto pelo governo central (contas do Tesouro, BC e Previdência), governos regionais e empresas estatais, e as despesas com os juros nominais pagos sobre a dívida pública. O resultado disso pode ser um superávit ou um déficit nominal. No caso do mês de janeiro (e de praticamente todos os outros meses), houve déficit. Apesar de o setor público ter economizado 19,9 bilhões de reais, as despesas de 30,4 bilhões de reais com juros fizeram com que o déficit do mês superasse 10 bilhões de reais. No acumulado em doze meses, o déficit nominal alcançou 175,6 bilhões de reais (3,63% do PIB), ante os 157,6 bilhões (3,28% do PIB) no mês anterior.
• Dívida também aumenta
A dívida líquida do setor público ficou em 1,613 trilhão de reais, ou 33,3% do PIB em janeiro, ante 33,8% em dezembro. Apesar da queda, isso não significa que o endividamento públicou caiu. Isso ocorre porque a dívida líquida é um cálculo menos detalhado do endividamento de um país, pois seu cálculo desconta todos os créditos que o governo tem a receber de estados, municípios e estatais, por exemplo. Já a dívida bruta engloba o endividamento total, incluindo até mesmo as emissões de dívida no exterior. Assim, a dívida bruta do governo encerrou o mês passado em 2,829 trilhões de reais, o que representou 58,5% do PIB. Em dezembro do ano passado, essa relação estava em 57,2%. Para se ter uma ideia, no final de 2009 esse mesmo indicador apontava 1,98 trilhão de reais.
