Janaína Figueiredo
O Globo
Segundo o ‘Clarín’, há cinco meses, índice era bem menor, de 46%
Maioria também está pessimista: 55% acreditam que situação econômica do país vai piorar este ano
JUAN MABROMATA / AFP
Cristina Kirchner
BUENOS AIRES - Uma nova pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo jornal argentino “Clarín” mostrou que a tendência de deterioração da popularidade do governo Cristina Kirchner continua se acentuando. De acordo com a empresa de consultoria Management & Fit, dirigida pela analista política Mariel Fornoni, atualmente 67,5% dos argentinos desaprovam a gestão de Cristina, contra apenas 25% de aprovação. Em outubro passado, o índice de aprovação do governo argentino era de 44,4%, contra 46,5% de desaprovação.
Apesar de a presidente ter defendido enfaticamente seu governo em discurso anual no Congresso, sábado passado, não são tempos fáceis para Cristina. Nos últimos meses os argentinos enfrentaram uma onda de apagões que durou várias semanas; o peso sofreu a maior desvalorização dos últimos 12 anos; a inflação continua em alta e este ano deve chegar a 40%, segundo projeções de economistas locais; a insegurança está cada vez pior e hoje é uma das principais preocupações da população e os escândalos de corrupção continuam rondando a Casa Rosada, um deles envolvendo o vice-presidente do país, Amado Boudou.
De acordo com a mesma pesquisa, 55,8% dos argentinos acham que sua situação econômica piorará este ano e apenas 12,6% confiam numa melhora. “Este pessimismo não é novidade, já que vem sendo registrado há mais de um ano. No entanto, hoje ele encontra um fundamento, dado que a economia pós-desvalorização e o aumento dos juros está nos levando a um cenário de recessão, combinado com inflação. Quanto vai durar e quão profundo será dependerá da vontade e capacidade do governo para reverter esta situação”, disse a empresa de consultoria em seu relatório.
A pesquisa também mostrou o atual nível de adesão de políticos que poderiam lançar sua candidatura para as presidenciais de 2015. O ex-governador da província de Santa Fe, Hermes Binner, tem 25,6% de intenções de voto; o deputado e ex-chefe de gabinete de Cristina, o peronista Sergio Massa, tem 22,9%; o governador da província de Buenos Aires e aliado do governo, Daniel Scioli, tem 18,1% e o ex-vice de Cristina, o radical Julio Cobos, apenas 0,8%.
