O Globo
Após ações desta quinta, governador se reuniu com a cúpula de segurança para definir providências
Marcelo Theobald / Agência O Globo
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RIO — Depois de uma reunião com autoridades da cúpula de segurança do estado, o governador Sérgio Cabral disse, no início da madrugada desta sexta-feira, que marcou para as 11h uma reunião com a presidente Dilma Rousseff para discutir os recentes episódios de violência nas unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do Rio. Cabral, o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, e o secretário de Segurança José Mariano Beltrame vão a Brasília para propor um plano de segurança para o estado. O governador, no entanto, não quis dar detalhes do plano que será proposto, mas adiantou que pode solicitar o apoio da Força Nacional e de militares.
— Liguei para a presidente por volta de 23h desta quinta, pedindo uma reunião, e ela se mostrou aberta a discutir a questão da segurança no Rio. O tráfico quer frear a política de pacificação do governo nas comunidades, mas as polícias Militar e Civil estão em alerta para controlar a situação.
A reunião, realizada no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na Cidade Nova, na noite desta quinta-feira, ainda contou com a presença do chefe de Polícia Civil, delegado Fernando Veloso, e do comandante-geral da PM, coronel Luiz Castro Menezes, além de outras autoridades do setor. O objetivo do encontro era avaliar os ataques contra UPPs e definir as providências que serão tomadas para evitar novas ações de criminosos.
Mais cedo, em nota, Cabral disse que os atentados desta quinta-feira são mais uma tentativa da marginalidade de enfraquecer a política vitoriosa da pacificação, que retomou territórios historicamente ocupados por bandidos. Ele afirmou ainda que mantém o firme compromisso assumido com as populações das comunidades e de todo o estado de não sair, em hipótese alguma, desses locais ocupados e manter a política da pacificação.
Nas ações desta quinta-feira, quatro unidades de Polícia Pacificadora foram atacadas. Os atentatdos se concentraram na região do Complexo de Manguinhos, na Zona Norte. Três policiais militares acabaram baleados na comunidade, incluindo o comandante da UPP do Mandela, o capitão Gabriel de Toledo, atingido na virilha. Além disso, dois carros e cinco bases de apoio da unidade foram incendiadas. O clima de pânico tomou conta da comunidade, porque várias ruas ficaram às escuras, depois que tiros atingiram transformadores da Light. A Avenida Leopoldo Bulhões ficou fechada por quase seis horas. Já a circulação de trens do ramal de Saracuruna foi paralisada por pouco pouco mais de duas horas.
O conflito teve início no fim da tarde desta quinta-feira, após PMs terem sido atacados por moradores que reagiram à remoção de um grupo que invadira um prédio. No final da noite, houve ataques a tiros também contra as UPPs do Parque Arará (em Benfica), do Camarista Méier, onde um ônibus foi incendiado, e do Complexo do Alemão. O confronto no Alemão terminou com um suspeito ferido. Ninguém havia sido preso até as 0h30m.
