João Sorima Neto
O Globo
Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil tiveram juntas queda de 52,8% de seu valor, segundo levantamento feito pela consultoria Economática
Eduardo Naddar / Agência O Globo
Petrobras: empresa perdeu 55,3% em valor de mercado desde 2010
SÃO PAULO - Desde o início do governo da presidente Dilma Rousseff, as estatais Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil perderam juntas R$ 262,1 bilhões em valor de mercado, até a semana passada, segundo levantamento feito pela consultoria Economática. Elas valiam R$ R$ 496,3 bilhões em 31 de dezembro de 2010, quando o presidente Luis Inácio Lula da Silva deixou a presidência. Na ponta do lápis, é uma queda de 52,8% do valor somado das três companhias.
O valor de mercado da Petrobras era de R$ R$ 380,2 bilhões ao final de dezembro de 2010. Na semana passada, dia 19, a petrolífera estava valendo R$ 169,9 bilhões, segundo os números da Economática. É uma perda de R$ 210,3 bilhões (ou 55,3%) de seu valor. Na Eletrobras, do setor de energia, a perda de valor foi de R$ 17,7 bilhões no mesmo período. A empresa valia R$ 26,2 bilhões há pouco mais de três anos e na semana passada suas ações negociadas no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo estavam valendo R$ 8,5 bilhões, um recuo de 67,5%. O valor de mercado do Banco do Brasil encolheu de R$ 89,8 bilhões em dezembro de 2010 para R$ 55,6 bilhões até o dia 19 passado. Foi uma perda de R$ 34,2 bilhões (ou 38% de seu valor).
Na semana passada, os papéis dessas empresas subiram por dois dias seguidos com a expectativa do mercado de que uma nova pesquisa eleitoral mostrasse queda da presidente Dilma em relação a seus opositores. Ao contrário do que os investidores esperavam, o levantamento feito pelo Ibope mostrou que Dilma continua com 43% das intenções de voto - mesmo patamar da pesquisa anterior - e venceria a eleição presidencial deste ano já no primeiro turno, em qualquer cenário. O candidato do PSDB, Aécio Neves, cresceu apenas um ponto percentual - de 14% para 15%.
Segundo analistas, a movimentação das ações das estatais foi uma prévia do que a corrida eleitoral poderá provocar na Bolsa de Valores daqui para a frente. Em relatório enviado a clientes, os analistas do Citi, Stephen Graham e Fernando Siqueira lembram que outros fatores favoreceram a Bolsa de Valores na semana passada, entre eles um fluxo de capital para mercados emergentes, além do Brasil, como México e Chile.
Mas segundo o relatório, o efeito dos rumores de uma queda de Dilma Rousseff na pesquisa eleitoral teve peso razoável sobre o mercado. Os analistas do Citi lembram que as chances de um apagão elétrico, fraco crescimento econômico e inflação ainda ameaçando poderiam tornar a eleição mais competitiva para a oposição do que parecia à primeira vista.
