O Globo
Governo, no entanto, argumenta que houve desaceleração em relação a janeiro
CARACAS - A inflação anualizada na Venezuela, uma das mais altas do mundo, subiu para 57,3% em fevereiro, em meio à maior onda de protestos contra o governo em uma década, disse na sexta-feira o banco central.
"Estes resultados são vistos em um contexto no qual a atividade econômica foi impactado por eventos perturbadores, resultantes da guerra econômica, com consequências sobre a distribuição de produtos de consumo", disse o Banco Central da Venezuela (BCV), em comunicado.
Protestos contra o governo bloquearam estradas e forçaram lojas a fechar, afetando a distribuição e agravando a escassez que castiga os venezuelanos desde o ano passado.
A inflação também é alimentada por uma forte expansão da oferta de moeda. A liquidez aumentou em 70% em 2013, apesar de a economia ter crescido 1,6%. A oferta de moeda dobrou desde novembro de 2012.
O presidente socialista Nicolás Maduro, disse que o setor privado trava uma "guerra econômica", escondendo mercadorias para causar escassez e desestabilizar seu governo.
O Banco Central disse que, apesar dos protestos, a inflação desacelerou de 3,3% em janeiro para 2,4% em fevereiro:
"O declínio da variação mensal deveu-se principalmente à desaceleração significativa no grupo alimentação e bebidas não alcoólicas".
No entanto, sete segmentos registraram aceleração nos preços em fevereiro: transportes, bens e serviços, vestuário e calçado, equipamento doméstico, serviços de educação, saúde e recreação e cultura.
A inflação anualizada subiu quase 35 pontos em 12 meses, apesar das promessas do governo para domar a inflação.
Maduro está sob pressão para estabilizar os preços e retomar o crescimento econômico em meio à escassez de produtos básicos, do leite ao papel higiênico, um dos gatilhos para protestos em várias cidades do país.
O índice de escassez publicado pelo Banco Central, subiu para um recorde de 28% em janeiro. O relatório de sexta-feira não inclui o indicador de fevereiro.
As manifestações já mataram pelo menos 28 pessoas e mais de 300 pessoas ficaram feridas. A Justiça ordenou recentemente que prefeitos de oposição retirem barricadas em seus municípios.