domingo, março 09, 2014

PPS pede a demissão do Ministro do Trabalho

José Carlos Werneck
Tribuna da Imprensa

Ministro do Trabalho, Manoel Dias do PDT

Já não bastassem os diversos problemas,que a presidente Dilma Rousseff vem enfrentando, o líder do PPS na Câmara, deputado federal pelo Paraná, Rubens Bueno , ingressou com representação na Comissão de Ética Pública da Presidência da República solicitando a demissão do ministro do Trabalho, Manoel Dias do PDT, que servia como motorista de Leonel Brizola, em suas visitas a Brasília, e era chamado,pelo ex-governador  de “Maneco”.

Bueno destacou que as denúncias e o fato da Polícia Federal pedir judicialmente uma investigação contra Dias são suficientes para o ministro seja imediatamente  afastado. E argumenta que  há claro conflito de interesses entre as atividades de ministro e de dirigente partidário. O deputado criticou ainda a presidente Dilma Rousseff pela “frouxidão” ao insistir na manutenção de Dias no cargo.

Para Rubens Bueno, as apurações feitas pela Polícia Federal indicam fortes indícios da participação do ministro em esquema para empregar militantes do PDT como funcionários fantasmas na Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Rio Tijucas e Itajaí Mirim (ADRVale), que possuía convênios com o ministério. O deputado disse da importância do trabalho judicial e policial em relação ao caso, enfatizando que o processo, por sua complexidade, pode demorar anos para ser concluído, “e o mais prudente é afastar imediatamente o ministro do cargo”.

POLÍCIA FEDERAL
Em sua denúncia  ao Conselho de Ética, o parlamentar sustenta que “conforme conclusão de inquérito da Polícia Federal sobre desvio de recursos do Ministério do Trabalho, há indícios da participação do ministro em colaboração para colocar militantes do PDT na folha de pagamento de entidade que prestava serviços ao Ministério, restando evidente o conflito de interesses entre a atividade partidária do denunciado e as atribuições de Ministro do Trabalho”.

O líder do PPS afirma que as informações foram reveladas por um ex-dirigente do PDT, que, a mando do ministro, recebia pagamentos mensais sem jamais ter trabalhado para a ADRVale. Lembra também que, com base em depoimentos e relatórios da Controladoria-Geral da União, a Polícia Federal concluiu que houve irregularidades como desvio de recursos, subcontratações ilegais e não comprovação de que os cursos pactuados foram feitos. “Inclusive, cinco ex-dirigentes da ADRVale foram indiciados por formação de quadrilha, peculato e dispensa indevida de licitação”.

Na representação, o parlamentar disse,que, apesar de todos os indícios de irregularidades, a gestão de Manoel Dias no Ministério do Trabalho sonegou dados do convênio, além de não ter enviado dados sobre a análise da prestação de contas.

“Entende-se, portanto, que os fatos de sonegar informações e ser indiciado pela Polícia Federal como corresponsável pelos delitos já se enquadram em hipóteses de incompatibilidade de conduta ética, configurando claramente conflito de interesses entre a atividade de ministro e a de dirigente partidário”, concluiu, citando o artigo 3º do Código de Conduta da Alta Administração Federal.