O Globo
Nesta terça-feira, o FMI reduziu, pela terceira vez seguida, a projeção do crescimento do PIB brasileiro em 2014 - de 4,2% para 1,8%. Entre os problemas que travam o crescimento do país, o fundo aponta cinco fatores fundamentais para o engessamento da produção interna que, em caso de modificações, podem recolocar a economia nos trilhos.
• Aperto das políticas fiscais mais intenso
Desde o início de 2014, o Ministério da Fazenda adota uma forte política no controle dos gastos públicos para obter bons resultados econômicos no primeiro semestre (PIB, superávit primário e balança comercial). O maior objetivo é aumentar a arrecadação e suspender, por hora, o anúncio de novos investimentos públicos. O problema está na adoção de medidas impopulares como o aumento da taxa de juros.
• Inflação próxima ao teto da meta
Com previsão de nova elevação da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual já para a próxima reunião do Copom, a taxa de juros em elevação não tem segurado a aceleração da inflação nos últimos meses. A Pesquisa Focus do Banco Central com especialistas do mercado já coloca a taxa básica de juros em 6,35%, bem próximo ao teto da meta da inflação para 2014: 6,5%
• Intervenção no mercado de câmbio
Desde agosto do ano passado, o Banco Central decidiu por intervir diariamente no mercado de câmbio, injetando a circulação de dólares desde então, em meio a disparada da cotação da moeda norte-americana frente ao real. Esta é a maior intervenção desde gênero desde a crise internacional desde 2008. Para o FMI, a intervenção precisa ser mais seletiva, usada, primordialmente, para limitar a volatilidade e evitar a mudança desordenada das condições de mercado.
• Consolidação fiscal
O FMI ressalta a importância de uma consolidação fiscal mais forte. Para o banco, o aumento do superávit primário (economia para pagar juros da dívida) reduziria o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta no mercado consumidor. Outro ponto importante seria a redução do elevado percentual de endividamento público que afeta a união, estados e municípios.
• Gargalos de oferta
Termo enfatizado pelo FMI nos últimos pareceres sobre o Brasil, os gargalos de oferta englobam questões como o aumento dos estoques das grandes fábricas em função da queda do consumo e problemas relativos à precária infraestrutura utilizada para o processo de distribuição de mercadorias. Outra questão está na dificuldade de diversificação da produção nacional. O banco vê como provável a queda no preço das commodities em função da alta demanda, diminuindo os ganhos de países sul-americanos.