O Globo
Com Agências Internacionais
Maduro participa com seu chanceler de reunião
Lula recomenda a presidente convocar governo de coalizão e diminuir tensão
AFP
Presidente venezuelano Nicolás Maduro se reúne chanceleres da Unasul
no Palácio de Miraflores, em Caracas, durante o encontro inicial dos diálogos com a oposição
CARACAS — O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, participa de uma reunião com a oposição, representada pela coalizão Mesa de Unidade (MUD), mediada pela Unasul. A reunião, na tarde desta terça-feira, faz parte de um encontro preparatório que acertará os pontos a serem discutidos em futuros diálogos. De acordo com o chanceler equatoriano Ricardo Patiño, as duas partes deverão discutir temas propostos pela oposição, como a Lei de Anistia e o desarme de grupos paramilitares, além de questões de interesse do governo, como a insegurança, e melhorias na produtividade econômica. Para reduzir a tensão política entre governistas e opositores, o ex-presidente Luiz Lula da Silva recomendou nesta terça-feira que Maduro convoque um governo de coalizão.
— Qualquer um que ganhar não governa se o clima for esse. É preciso estabelecer uma política de coalizão. Maduro deveria tentar diminuir o debate político para se dedicar inteiramente a governar, construir um programa mínimo e diminuir a tensão. Estou fazendo força para que se encontre uma solução na negociação, porque para Brasil e Venezuela é estratégica — disse o ex-presidente.
Em diálogo com blogueiros, Lula recordou que ajudou a criar o Grupo de Amigos da Venezuela e elogiou o opositor Henrique Capriles “por não estar radicalizado” junto com o movimento opositor nas ruas, que protesta há dois meses com um saldo de 39 mortos.
— Quando Maduro assumiu falei com ele que era importante encontrar o equilíbrio para construir a paz e permitir que a Venezuela aproveite seu potencial. A Venezuela deveria ter um pacto de cinco anos, para trabalhar contra os blecautes, lutar contra a inflação e ser autossuficiente na produção de alimentos. Isso ainda não está resolvido porque depois que Maduro tomou posse não faz outra coisa a não ser ir para a rua responder a oposição, e não há um momento de reflexão.
O presidente venezuelano chegou ao prédio da Chancelaria, no centro de Caracas, acompanhado pelo ministro de Relações Exteriores, Elias Jaua. Pela oposição participam o governador de Lara, Henri Falcón; o deputado Omar Barboza; e Ramón Guillermo Aveledo, da coalizão MUD. Os dois lados escutarão a agenda proposta e nos próximos dias deverão anunciar lugares e datas das mesas de negociação.
— Os representantes de cada lado e os temas a serem debatidos já foram escolhidos — afirmou mais cedo Patiño, que destacou o fato de ambas as partes priorizarem a renúncia à violência.
O chanceler destacou ainda que a mediação dos encontros entre governo e oposição representa um sucesso da Unasul, que “está presente no país para conquistar a paz através do diálogo”.
— Não viemos com bombas ou ameaças, como se faz em outra partes do mundo. Não impusemos nada, somente construímos a paz através do diálogo — afirmou o chanceler.
Segundo Ramón Guillermo Aveledo, secretário-executivo da MUD, os chanceleres informaram à oposição que o governo aceitou a presença de uma “testemunha de fé” nos diálogos, desde que escolhida de mútuo acordo. Os opositores desejavam que o Vaticano estivesse presente nas negociações.
Mais cedo, Patiño comentara o assunto indicando que a questão deveria ser resolvida pelos dois lados.
— Se a oposição quiser o Vaticano como testemunha, isso deverá ser decidido por eles. Estaremos de acordo e os acompanharemos na decisão, para o bem da Venezuela e da América Latina — declarou Patiño. — Somo um território de paz.
Paralelamente, o vice-presidente Jorge Arreaza convocou governadores e prefeitos da oposição para uma reunião na sexta-feira.
Kerry manifesta apoio a mediação da Unasul na Venezuela
Em depoimento à comissão de Assuntos Exteriores do Senado americano, o secretário de Estado americano, Jonh Kerry, expressou nesta terça-feira seu apoio à missão da Unasul. Ele disse que é um momento muito delicado e existe a possibilidade de uma negociação.
— Atualmente, apoiamos muito os esforços de mediação destinados a conter a violência e a tentar alcançar um diálogo honesto— afirmou Kerry sobre a situação do país.
