Bruna Serra
O Globo
Ao lado da presidente, Graça Foster diz que acredita mil vezes na Petrobras
Em Pernambuco, elas participaram da cerimônia de lançamento do navio Dragões do Mar
Roberto Stuckert Filho/Divulgação Presidência da República
Presidente Dilma inaugura navio ao lado da presidente da Petrobras
Graça Foster e diretor de Abastecimento José Carlos Consenza
RECIFE – Com a Petrobras no centro de uma crise política, a presidente Dilma Rousseff e a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, fizeram, nesta segunda-feira, uma enfática defesa da estatal durante a cerimônia de lançamento do navio Dragões do Mar, no Estaleiro Atlântico Sul em Ipojuca, Pernambuco. Dilma acusou seus opositores de estarem usando a crise para destruir a imagem do que ela classificou como uma empresa do tamanho do Brasil. E pediu o apoio dos funcionários e da população brasileira em defesa da empresa.
- Como presidenta, mas sobretudo como brasileira, eu defenderei em qualquer circunstância e com todas as minhas forças a Petrobras. Não transigirei em combater qualquer ação criminosa, tráfico de influência, ou ilícito de qualquer espécie - disse a presidente aos funcionários do Estaleiro Atlântico Sul.
Antes, Graça Foster, em rápido discurso, reafirmou que acredita na estatal.
— Nós acreditamos na Petrobras. Nós acreditamos na Petrobras. Nós acreditamos mil vezes na Petrobras.
Dilma Rousseff fez questão de reforçar que não será conivente com ações de corrupção na estatal e que o governo deseja a punição dos envolvidos em crimes contra a Petrobras.
- Nós, por determinação, estamos aqui nos comprometendo a cada dia que passa que o que tiver que ser apurado, vai ser apurado com o máximo de rigor. O que tiver que ser punido, vai ser punido também com o máximo de rigor - afirmou.
A presidente ressaltou ainda que as denúncias de corrupção de tráfico de influência na estatal só foram identificadas graças ao trabalho da Polícia Federal.
- É importante que vocês saibam que a auditoria da Petrobras, junto com seu programa de prevenção à corrupção são as condições e os mecanismos mais eficazes de controle e fiscalização internos. E que os órgão de controle e fiscalização do Poder Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União são órgãos do governo federal que estarão sempre atentos a fiscalização e ao controle interno - ressaltou a presidente durante o evento de lançamento do navio Dragões do Mar.
Dilma contestou os dados repassados por seus adversários de que a empresa está perdendo valor de mercado. E afirmou que em 2003 quando o Partidos dos Trabalhadores assumiu o governo, a empresa estava desvalorizada e que graças aos governos dela e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a valorização da estatal foi retomada.
- Está errado quando alguns dizem que a Petrobras está perdendo valor, quando distorcem análises para transformar eventuais problemas conjunturais de mercado em supostos fatos irreversíveis e definitivos.
Durante o programa partidário veiculado no rádio e na televisão há duas semanas, o ex-governador de Pernambuco e presidenciável Eduardo Campos (PSB) afirmou taxativamente que a Petrobras vem perdendo valor de Mercado.
- Não ouvirei calada a campanha negativa dos que, por proveito político não hesitam em ferir a imagem da nossa empresa. A Petrobras é maior do que qualquer um de nós. A Petrobras tem o tamanho do Brasil - defendeu a presidente, arrancando aplausos dos trabalhadores.
No final de seu discurso, a presidente pediu o apoio dos funcionários e da população brasileira em defesa da empresa.
- Não podemos permitir - é bom dizer isto - como brasileiros que somos, que defendem este país, que se utilize ações individuais e pontuais - mesmo que graves, para destruir a imagem de nossa maior empresa, nossa empresa mãe. Ou para tentar confundir quem de fato trabalha a favor e quem trabalha contra a Petrobras", concluiu.
Às vésperas de seu depoimento no Senado Federal sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, Estados Unidos, a presidente da Petrobras também agradeceu o apoio dos trabalhadores da estatal.
— Nesse momento, preciso muito da energia de todos vocês — concluiu.
Ela também defendeu que a retomada da indústria naval no Brasil só foi possível em virtude de uma decisão de governo tomada durante os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff.
— Conteúdo local sempre foi uma vontade, mas fazer para valer foi a partir de 2003. Eu sou engenheira e nunca tive a oportunidade de fazer um navio e a Petrobras é grata por tudo que vocês fazem. Tenho certeza que vamos estar juntos por muitos anos —disse em discurso ao lado da presidente Dilma Rousseff e do diretor de Abastecimento da estatal José Carlos Consenza.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O discurso é, antes de tudo, um monte de inverdades, cretinices e hipocrisias. Ninguém neste país tem alguma coisa contra a Petrobrás. Ela se tornou uma instituição nacional , e sua história de desafios enfrentados e vencidos, granjeou-lhe respeito, dentro e fora do país.
Porém, o fato de seu controlador maior ser o Estado, não autoriza seu uso político, seu aparelhamento por vagabundos e defenestrados, como vem ocorrendo com os governos petistas.
Assim, o que se tem contra é a má gestão, as falcatruas, a corrupção que infestou a empresa e já lhe provocou a perda de R$ 200 bi em valor de mercado.
E por tudo que veio à tona, é imperiosa que se faça uma devassa rigorosa para depurar a estatal e permitir que ela recobre o prestígio e, acima de tudo, a capacidade de investir e fazer frente aos desafios que terá pela frente no início da exploração do pré-sal. Quanto menor a interferência política, mais saudável a Petrobrás ficará.
O que o país quer, senhora Rousseff, é ver a saída total destes ratões que se apropriam dos recursos que não lhe pertencem, além de que se ponha um fim no uso político canalha da empresa. Em suma: queremos que a Petrobrás volte a ser estatal, tornando nula a sua privatização pelo PT.
