terça-feira, maio 06, 2014

Era para ser um saquinho bondades eleitorais, porém...

Adelson Elias Vasconcellos

As mudanças que o país aspira devem ser propostas pelos governantes, coisa que o discurso vazio do PT não é capaz de mostrar

Uma coisa é certa: já não se fazem mais pacotinhos eleitorais como antigamente. É isto que se extrai do discurso movido a palanque eleitoral, da senhora presidente, em comemoração ao dia do trabalho e, como lembrou Sandro Vaia, e da sua candidatura.

Mas antes de falarmos do pacotinho, algumas considerações prévias. Por exemplo, a presidente tentou limpar a barra do tal mau negócio bom da refinaria de Pasadena. Apesar de sua base aliada ter movido montanhas de chantagens e atropelos, para evitar a instalação de uma CPI para INVESTIGAR o que de errado foi feito, a presidente cinicamente afirmou que tudo será apurado. Apesar de, em quatro anos, jamais ter conseguido atingir centro da meta de inflação, ela diz que tudo está sob controle. 

Assim, brigando contra os fatos, tanto o mico chamado Refinaria Pasadena, quanto a inflação fora do eixo, não passam de uso político da oposição, como se a oposição fosse impedida de exercer o seu papel que é... vejam só... fazer oposição. Alguém precisa lembrar a senhora Rousseff que é a liberdade de expressão (com críticas boas e ruins) e a oposição livre para agir, que justificam a democracia.

Se a presidente pretendia, por exemplo, limpar a barra do governo no caso da Petrobrás,  as incoerências e as múltiplas versões contraditórias ainda circulam na praça. Como também temos o caso do ex-diretor, do caso da dupla doleiro/deputado do PT, agora surgem evidências de que Alexandre Padilha mentiu sobre seu envolvimento com o laboratório de fachada Labogen, tem gente graúda do PT na Papuda, cumprindo pena, todas evidências de que o governo petista foi organizado para o crime. 

Claro que seria covardia nossa discorrer sobre as questões econômicas do governo Dilma. Os indicadores ruins e deteriorados desde 2010 falam mais do que qualquer discurso de 1º de Maio.

Tanto no plano econômico quanto no político-policial não uma única digital de quem quer que seja da oposição. Como também tanta notícia ruim publicada na mídia não é fruto da imaginação criativa de jornalistas. Eles apenas deram curso ao que acontecia no país. Ou será que a senhora Rousseff, bem como o senhor Lula e seus pares queriam o que, que a imprensa mentisse e dissesse que estava tudo bem na terra de Santa Cruz quando tudo vai mal? 

Em junho de 2013, quem botou o povo nas ruas não ninguém da oposição tampouco da imprensa. Quem vaiou as autoridades petistas nos eventos de 1º de Maio em São Paulo, não foi a oposição, e sim o povo de saco literalmente cheio de um país que não cresce, que gera corrupção atrás de corrupção, povo amedrontado pela violência nas ruas e pela inflação elevada.       

O clima no país é, além de constrangedor, de completa instabilidade e insegurança.  Chegamos a tal situação porque, 12 anos depois do PT chegar ao Poder, nesta quadra de 2014, é de andamos para trás. Somos um povo assaltado diariamente por impostos altíssimos, que corroem a capacidade aquisitiva até dos mais pobres.  Aumentar em 10% o Bolsa Família, diante de uma inflação de mais de 16% é rir do povo pobre. Aumentar a isenção de imposto de renda pessoa físicas é debochar da inteligência alheia. A defasagem é ainda assustadora: mais de 60%. E por que a senhora Rousseff não mexeu ,  por exemplo, na tabela do imposto de renda que castiga trabalhadores com salários de 2,5 salários mínimos, com um confisco salarial indecente?  

Uma das bandeiras petistas é exibir os números do desemprego. Vimos nesta edição a grande e salafrária mentira que se conta a respeito. Um país que utiliza menos de 1/3 de sua força total de trabalho está condenado a irrelevância. A outra bandeira, a social, é um deboche descarado sem par na história humana: considerar classe média quem recebe menos da metade de um salário mínimo é uma indignidade que nem os ditadores generais foram capazes de cometer tamanha desfaçatez.

Assim, o tal pacotinho de bondades que era para ser um apelo eleitoral irrecusável, tornou-se, na verdade, o sinônimo da mediocridade em que este governo se  transformou. 

Dilma pode até  ser reeleita, o que a esta altura é de se duvidar, como ainda Lula pode levantar o traseiro gordo da cadeira e substituir a candidata governista e tentar manter o poder nas mãos do PT. Porém, e conforme já mostramos aqui,  o ex em exercício sabe perfeitamente o abacaxi que aguarda o próximo presidente seja ele quem for. Não só o ambiente interno é de convulsão em todas as áreas, como o ambiente externo já não poderá ajudá-lo como em seu primeiro mandato. 

Além disso, para por o Brasil nos trilhos da modernidade, quem assumir deverá se comprometer em colocar seu capital político em risco diante dos desafios a serem enfrentados. Lula é esperto, sabe que, ou ele põe em risco este capital político fazendo aquilo que o país precisa, ou deixa a zorra correr solta e entregar o país pior do que quando o recebeu. Sem correr riscos, ficando de fora desta lambança, ele continua com a cabeça fora d’água. Pode até tentar voltar em 2018, o que também não é garantido, mas ainda assim é melhor de perder o que conquistou. Sendo assim, melhor que se vão os anéis, não é mesmo?  Claro que se trata de um ato de pura covardia coisa,  aliás, que ele, mesmo no poder, sempre comprovou ser.

Dizem que o PT já traçou a estratégia para atacar os adversários, e pelas primeiras informações que já circulam, parece que o PT vai insistir na chantagem, no velho discurso patrimonialista, nos velhos chavões de mentiras e calúnias. Ora, se este será o caminho que será adotado na campanha, é bom os petistas prepararem seus espíritos: não é isto que o povo quer ouvir. Ele quer mudanças, mudanças das porcarias que o PT instalou no país, mudanças na qualidade dos serviços públicos que se deterioraram estupidamente nos últimos 12 anos,  um país com menos violência, com empregos melhores, um país onde haja crescimento real, com menos mentiras e mistificações, com menos corrupção, com mais realizações. O que o povo quer mesmo é um governo devotado, de fato, em tempo integral, em trabalhar num projeto de Brasil pelo Brasil, e não de um país devotado aos amigos do reino inclusive ditadores sanguessugas de seus povos. 

O povo quer portos melhores, mas no Brasil  o dinheiro público financia portos no exterior,  quer rodovias melhores, mas no Brasil o dinheiro público financia rodovias no exterior,  quer aeroportos melhores, mas no Brasil o dinheiro público só financia puxadinhos. Assim, o que o povo quer é que o dinheiro que lhe arrancam todos os dias sejam aplicados no Brasil, em benefício dos brasileiros. Ou seja, o tal saquinho de bondades vai tornar o projeto de reeleição bem mais difícil. Porque, é bom reconhecer, o que o projeto do PT tem para oferecer ao país é apenas mais extravagâncias para os seus  e dificuldades e sacrifícios para todos os demais.  

Ou dona Dilma acha que não pegou mal  seu pacote distorcido no campo da energia e que resultou, um ano depois, em aumentos maiores que o desconto eleitoreiro? Ou dona Dilma acha que a inflação, beirando o teto da meta, mas que está represada de modo artificial não foi devidamente entendida como fora de controle? 

Lula acha que aqueles que hoje se mostram refratários a conceder mais quatro anos ao PT, não passam de mal agradecidos. Fala que ajudou as elites, as mesmas elites que ele a vida toda condenou. Fala que arrumou a economia o que é uma mentira gigantesca. Ele recebeu a economia arranjada. Modernizada e ainda foi beneficiado pelo momento econômico internacional. Qual a medida na área econômica que Lula implantou?   Fala que ajudou os pobres quando, na verdade, não só reuniu,  em uma única bolsa, cinco programas sociais já implantados, como ainda aplicou um confisco salarial, reduzindo a faixa de isenção do imposto de renda na fonte. E todos os indicadores sociais começaram a melhorar a partir de 1995, e não 2003. E tais dados são oficiais, e não pura fantasia. E que se registre: em doze anos, a saúde pública despencou, a educação continua corroída pelas porcarias ideológicas que o PT enfiou nos currículos, a segurança pública transformou o país numa praça de guerra, com mais de 50 mil homicídios por ano. Neste mesmo tempo, a infraestrutura ficou mais degradada. 

Por outro lado, mesmo que as “tais melhorias”,  de que se gaba Lula, fossem verdadeiras, a pergunta que se impõe é:  e Lula, e os petistas, e os aliados e amigos do reino, acaso não se beneficiaram também?  Todos não estão muito colocados na vida? Ninguém obrigou Lula ser presidente. Se ele se ofereceu para tanto, em troca dos muitos privilégios que se cercou, fazer qualquer coisa em benefício do país não seria uma obrigação que o cargo lhe impôs? 

Quem não teve competência para ler a alma do povo ao longo dos anos, e assim provocar as mudanças que se impunham  e que eram cobrados, não terá competência agora nem para propor – e o PT não propõe nada além de mais do mesmo – tampouco para liderar o movimento destas mudanças, muitas das quais o próprio sempre combateu e abortou. E, por mais que as correntes da escravidão imposta pelo Bolsão Família aos grotões de misérias existentes de norte a sul agora cobrem o seu preço no voto, o povo quer ser livre, viver num país melhor, com desenvolvimento, com empregos de melhor qualidade, com serviços decentes,  com educação digna, e quer ver que os impostos retornam-lhe em benefícios. 

Como já dissemos em várias ocasiões,  as mudanças que o país aspira devem ser propostas pelos governantes, coisa que o discurso vazio do PT não é capaz de mostrar. 

Há um dia para plantar, e outro para colher. Durante doze anos no poder, Lula e seus seguidores tentaram dividir o país, tentaram semear ódio, tentaram mudar os fatos, quiseram reescrever a história do próprio país. Agora, chegou a obrigatória hora  da colheita. Divirtam-se, pois,  com seus frutos, tanto os bons quanto os ruins.