José Naranjo
El Pais
Os milicianos islamitas chegaram em dois veículos pintados com cores militares
Algumas das adolescentes raptadas em abril já foram vendidas em Camarões e no Chade
S. A. (AP)
Mulheres pedem em Lagos o resgate das jovens raptadas.
O grupo terrorista Boko Haram, que em 14 de abril sequestrou 276 crianças e jovens estudantes de um colégio no nordeste da Nigéria, voltou a atuar. Nesta segunda-feira à noite (horário local), vários homens armados e que supostamente integram a seita islamita entraram no povoado de Warabe a bordo de dois veículos e com fuzis sequestraram outras oito crianças entre 12 e 15 anos, que foram trasladadas a um local desconhecido junto com cabeças de gado e alimentos roubados. “Eram muitos. Chegaram em dois veículos pintados como se fossem militares e começaram a disparar”, contou à agência Reuters Lazarus Musa, morador dessa cidade, situada no estado de Borno, no nordeste do país.
O Boko Haram, que nesta segunda-feira divulgou um vídeo no qual o seu líder, Abubakar Shekau, reivindicava o sequestro das 276 jovens na localidade de Chibok, das quais 53 conseguiram escapar, e anunciava que as 223 restantes seriam vendidas como escravas, intensificou a sua atividade nos últimos dias. Também nesta segunda-feira, dezenas de terroristas entraram em uma cidade nigeriana e assumiram o seu controle após os seus habitantes fugirem para o vizinho Camarões, segundo informa a France Presse. Como se não bastasse, dois atentados perpetrados em abril em uma estação de ônibus de Abuja, a capital nigeriana, deixaram cerca de 100 mortos.
O grupo islamita radical, cujo nome significa “a educação ocidental é pecado”, pretende fazer com que a Nigéria se converta em um estado islâmico e que se aplique a sharia em todo o seu território. No vídeo difundido na segunda-feira, Shekau, um dos terroristas mais procurados do mundo, instava às crianças de seu país que deixassem a escola e se casassem. O Boko Haram está há mais de dez anos cometendo ataques e atentados na Nigéria, embora o seu reduto principal seja o nordeste do país e, mais concretamente, o estado de Borno, onde ocorreram os sequestros.
Distintas fontes revelaram que muitas das crianças sequestradas em meados de abril já foram vendidas em países próximos, como Camarões ou o Chade, tanto para serem escravas como para serem casadas à força, por um preço aproximado de 12 dólares. O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, acusou o Boko Haram de tentar gerar instabilidade a poucos dias do início do Fórum Econômico Mundial em Abuja. “O terrorismo não nos parará”, disse.
No entanto, boa parte da população acusa o Governo nigeriano de não ter sido capaz de consertar o problema da violência terrorista no norte e de “inação” no caso das adolescentes sequestradas. O presidente nigeriano pediu ajuda internacional para localizar as jovens e deter os seus sequestradores. As Nações Unidas, por sua vez, advertiram os terroristas de que a escravidão pode ser considerada um crime contra a Humanidade, e que os terroristas poderiam ser perseguidos por isso, disse Rupert Colville, porta-voz de Direitos Humanos da organização multilateral.
