Veja online
A Receita Federal argentina anunciou medidas para apertar ainda mais o controle cambial e disse que fiscalizará até a compra de ingressos para os jogos do torneio mundial feitos pela Internet
(Enrique Marcarian/Reuters)
Governo argentino tem controlado as compras no exterior
para tentar reverter a escassa reserva de dólares do país
Mesmo estando tão perto do Brasil, os torcedores do nosso principal rival no futebol podem ter problemas para ver de perto a Copa do Mundo deste ano. A pouco mais de um mês do Mundial, o governo de Cristina Kirchner resolveu apertar ainda mais o cerco sobre as compras feitas em moeda estrangeira, dificultando a vida dos "hermanos" que querem acompanhar os jogos. Na segunda-feira, o chefe da AFIP - a Receita Federal argentina - disse que está fiscalizando não só a compra de passagens ao exterior como também de ingressos para eventos esportivos pela Internet. Segundo o jornal Clarín, o chefe da AFIP, Ricardo Echegaray, disse que o órgão poderá intervir e promover sanções caso algum contribuinte tenha gastos superiores aos que foram declarados.
A Argentina vem mantendo fortes restrições ao acesso a moedas estrangeiras para tentar elevar sua reserva externa. O país atravessa uma crise cambial devido à escassez de dólares, combinação da dificuldade de se financiar no exterior (provocada pelo calote de 2002) com inflação galopante e fraco investimento estrangeiro. Para tentar contornar a situação, o governo tem mantido elevados impostos para compras feitas no exterior. Os gastos no cartão de crédito são taxados em 35% e as compras de dólares tem a incidência de um tributo de 20%.
"Na AFIP estamos realizando controles permanentes mediante o cruzamento de dados, não só com as agências de turismo, como com gastos efetuados com cartão de crédito e, inclusive, mediante a compra de ingressos em sites onde são reproduzidas as vendas, como o Mercado Livre", disse Echegaray, segundo o Clarín.
As declarações aconteceram logo depois de o Fisco argentino reconhecer que impôs sanções a dezessete contribuintes que viajaram aos Estados Unidos no último final de semana para assistir à luta do boxeador argentino Marcos "El Chino" Maidana contra o lutador americano Floyd Mayweather Jr. Segundo a AFIP, os gastos declarados por esses contribuintes foram inferiores ao valor real desembolsado por eles.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Chega ser hilário ver autoridades brasileiras “tentando” costurar acordos para destravar o comércio bilateral entre Brasil e Argentina. Nas poucas vezes em que o nosso país retaliou a Argentina em contrapartida às dificuldades por ela criadas aos produtos brasileiros, eles é que correram atrás. Talvez o governo brasileiro ainda não se deu conta da importância que tem para os argentinos, o nosso mercado interno. E é justamente para fazer vingar este peso, que o governo brasileiro precisa agir com maior rigor toda vez que a senhora Cristina Kirchner for atacada por mal humor, fechando a fronteira. Respeito é bom e deve ser praticado pelos dois lados do Rio da Prata. Até porque, tanto quanto se saiba, Dilma Rousseff foi eleita para defender, prioritariamente, os interesses do Brasil, e não os da Argentina.
