Adelson Elias Vasconcellos
Impressionante o ministro Mantega. Em mais uma daquelas declarações desencontradas da realidade, ele agora vem atribuir palavras aos outros que são proferidas apenas por ele próprio e por sua chefe, a presidente Rousseff.
São palavras de Mantega: “...Que crise é essa com pleno emprego, com valorização da Bolsa há mais de seis meses, e com estabilidade cambial? Que crise é essa com elevado volume de investimento estrangeiro direto no país?...”
Vamos por partes. Primeiro, sempre que indagados sobre o baixo crescimento da economia, tanto Mantega quanto Dilma trazem à tona uma “crise” que, se houver, ela está circunscrita aqui dentro, e não vinda de fora. Em segundo lugar, é balela esta história de pleno emprego, conforme tantas vezes já provamos aqui. Números? Pois não: para uma população de 200 milhões, nossa força de trabalho se resume a pouco mais de 26,0 milhões de brasileiros, entre os empregados e os que ainda procuram emprego. Não entram nesta estatística, por exemplo, um batalhão de mais 60 milhões que, simplesmente, deixaram de procurar emprego.
Além disto, seria conveniente que o Ministro Mantega se informasse com o IBGE sobre o número de demitidos nos últimos meses. A corrente vem aumentando semana após semana. Em todos os setores, principalmente o industrial, com destaque para os setores automobilístico e metalúrgico. E, em todos os setores há queda nas vendas, no faturamento e na geração de empregos. Muito embora faltem ainda pouco mais de 4 meses para encerrar o ano, já se projeta uma queda em torno de 2 a 2,5% nos investimentos. O avanço do PIB será pouca coisa maior que ZERO, ou seja, uma economia praticamente estagnada. Quanto a valorização da Bolsa, parece que Mantega se faz de desentendido. Esta valorização só está acontecendo pela possibilidade cada vez mais concreta da corrida presidencial ir para o segundo turno e, nos últimos dias, com a real indicação de vitória de outro candidato ou candidata que não seja Dilma. Ou seja, o mercado está alegre e confiante de que Dilma pode ser apeada do poder, por isso fazem a festa na Bolsa.
E por que o mercado vibra com esta chance cada vez maior de Dilma ser derrotada? Voltemos aos números. Já dissemos aqui que a senhora Rousseff se consagrará como o terceiro pior governo da história quando medimos o avanço do PIB. Quando assumiu em janeiro de 2011, encontrou um país que havia crescido 7,5% no ano anterior. Claro que, por justiça, devemos considerar que, em 2009, o crescimento fora negativo. Com base mais fraca, seria natural que no ano seguinte houvesse um salto como o que ocorreu. Mas, mesmo diante desta consideração, a média de crescimento nos anos de Lula ficou entre 3,5 e 4%.
Já os números de Dilma em relação ao PIB são assustadores. Reparem:
2011 - 2,7%
2012 – 0,9%
2013 – 2,3%
2014 – 0,7% (projeção do Boletim Focus, Banco Central).
Ou seja, a senhora Rousseff, em quatro anos, não conseguiu fazer o que Lula fizera em um ano apenas. Claro que repetir 7,5% seria um assombro diante das circunstâncias em que se atingiu este índice. Mas, caramba, dava para repetir pelo menos a média de 3,5 a 4,0% anuais, e isto ficou muito longe de acontecer.
E se o leitor acompanha as declarações tanto do senhor Mantega quanto de Dilma Rousseff para “explicar” o baixo crescimento, já terá reparado que a resposta pontual que ambos entregam é “crise lá fora”. Declaração esta que sempre foi aqui contestada, uma vez que o pior da crise internacional já passou – a economia mundial, principalmente, a dos países ricos, já está em fase de recuperação – e os países emergentes, TODOS, estão crescendo bem mais do que o Brasil. As exceções são Brasil, Argentina e Venezuela.
Detalhe: se a crise teve seu ponto mais forte em 2009, se o Brasil em 2010 cresceu estupendos 7,5%, que justifica tem o ministro para, nos anos seguintes, o Brasil sequer ter alcançado metade disto? Dentre as inúmeras asneiras já pronunciadas tanto por Mantega, quanto por Dilma e seus “cumpanheiros”,é de que ninguém come “PIB”, que a sensação de bem estar vale mais do que o crescimento econômico do país, como se a sensação de bem estar não fosse produto direto do crescimento!!!!
Assim, fica claro que este governo sequer conhece a realidade do país. Sequer tem a mínima noção do que pode e deve ser feito para reconduzir o Brasil para o crescimento. E isto passa não apenas pela falta de projeto, ou de um diagnóstico preciso sobre as razões de uma economia estagnada. Passa pelos conceitos e preconceitos do próprio governo. Enquanto Dilma e sua turma considerarem o capital privado, por exemplo, como um inimigo a ser combatido, e não como um parceiro indispensável para o desenvolvimento do país, enquanto considerarem programas sociais apenas como currais eleitorais e não como passaporte para a emancipação do indivíduo, enquanto considerarem que Estado Forte é sinônimo de Estado Eficaz alimentando, desta forma, um gigantismo que a sociedade não consegue sustentar tirando-lhe, em consequência, as riquezas com as quais esta mesma sociedade poderia realimentar o desenvolvimento do país, não há a menor chance do Brasil sair da armadilha em que se encontra.
Boa parte da imprensa – infelizmente -, ainda compra ideias do tipo “nova classe média”, “pleno emprego”, “crescimento da renda”, e outras bobagens do mesmo tipo. Deveriam perceber o enorme grau de endividamento da sociedade, o grau de inadimplência, a renda média dos trabalhadores relativamente baixa, a queda nas vendas, na geração de empregos, nos investimentos. Em contrapartida, como justificar a queda nos investimentos públicos diante de uma carga tributária inalterada?
Assim, o ministro Mantega perdeu uma bela oportunidade de ficar quieto e não dizer bobagens que só o tornam um dos ministros mais ridículos de quantos já ocuparam o Ministério da Fazenda. Ou este governo se dá conta de que ele é o problema central do baixo crescimento – ou do crescimento nenhum – e passa a fazer parte da solução, ou, em caso de reeleição da senhora Rousseff, passaremos mais quatro anos ouvindo as mesmas desculpas imbecis para o resultado ineficaz de um governo sem direção.
Não, ministro, se a Bolsa dá pulos de alegria há seis meses é porque o ambiente eleitoral dá mostras de mudança na troca de comando. Os agentes e investidores ainda não discerniram bem se é melhor Marina ou Aécio, muito embora a candidata da Rede, hospedada no PSB, seja uma Dilma piorada em muitos aspectos e melhorada em alguns poucos. Mas a simples possibilidade de não se ter Dilma Rousseff por mais quatro anos enche de esperanças a muitos. E não porque Dilma tenha virtudes, mas por conta de seus muitos defeitos, e talvez o maior de todos, o de haver contribuído para travar o desenvolvimento do país.
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