Vinicius Sassine e Eduardo Bresciani
O Globo
Técnicos advertiram que refinaria, que custou R$ 20 bi, é inviável
BRASÍLIA — O Conselho de Administração e a Diretoria Executiva da Petrobras decidiram levar adiante a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, apesar de um parecer da área técnica — elaborado poucos dias antes — ter apontado a inviabilidade econômica do empreendimento.
A cópia da ata de uma reunião dos conselheiros, realizada em 17 de dezembro de 2009 e comandada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, mostra que o Conselho de Administração da estatal orientou a “continuidade das negociações”, de forma a “elevar a rentabilidade do projeto”.
Em 25 de novembro de 2009, a diretoria aprovou a implementação efetiva da refinaria. Graça Foster, atual presidente da Petrobras, participou da reunião e acompanhou a proposta feita pelo então diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, hoje preso no Paraná.
Hans von Manteuffel/24-07-2013 / Agência O Globo
Vista aérea da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco
OBRA FOI ORÇADA EM R$ 2,3 BILHÕES
Costa era o principal responsável pelo projeto de Abreu e Lima. Quando decidiu levar para a reunião da Diretoria Executiva a proposta de implementação da fase 4 do projeto da refinaria, Costa ignorou avaliações técnicas elaboradas para subsidiar a decisão da Diretoria de Abastecimento, comandada por ele.
O ex-diretor está preso sob a suspeita de desvio de recursos de contratos superfaturados nas obras da refinaria. O empreendimento deve ser inaugurado em novembro. O custo total da obra subiu de US$ 2,3 bilhões, valor do primeiro orçamento feito, para mais de US$ 20 bilhões.
O parecer ignorado pela diretoria e pelo conselho foi emitido em 19 de novembro de 2009. O documento sustentava que o empreendimento só teria viabilidade econômica se custasse menos de US$ 10,4 bilhões. Na ocasião, o orçamento do projeto já estava em US$ 13,4 bilhões. Documentos obtidos pelo GLOBO comprovam que o alto escalão da companhia não levou em conta o relatório de inviabilidade feito pela área técnica e aprovou, tanto na esfera da diretoria quanto do conselho, a continuidade do empreendimento.
Costa foi o responsável por submeter à diretoria a proposta de “autorizar a fase de execução” do empreendimento, o que significou, na prática, a implantação da refinaria. A diretoria aprovou a proposta. Entre os diretores presentes estavam o então presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, a atual presidente, Graça Foster, e Almir Barbassa, que permanece no comando da área financeira da Petrobras até hoje.
Gabrielli também estava na reunião do Conselho de Administração que deliberou pela “continuidade das negociações”. Mantega já presidia o colegiado. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, participou da decisão. Procurada pelo GLOBO, a assessoria de Mantega disse que os questionamentos deveriam ser enviados à Petrobras. Não houve resposta da Petrobras até o fechamento desta edição.
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