Adelson Elias Vasconcellos
O PT e todos os seus militantes, notadamente o ex-presidente Lula, a atual presidente Dilma, além dos ministros e secretários espalhados pela esfera federal, continuam enganando o país. E o fazem de forma calculada, apostando que todos os brasileiros são perfeitos imbecis e desmemoriados, desinformados e analfabetos. Querem-se como senhores absolutos de todas as virtudes. Os erros ou pertencem ao passado ou são culpa de alguém de fora. Eles não pecam, não mentem, não corrompem, não iludem, não dissimulam, não mistificam.
Nesta nesta eleição, estamos assistindo o repeteco de um festival horroroso de imposturas. A velha comparação de “nós” e “eles” corre solta sem nenhum pejo, sem escrúpulo algum. Porém, a realidade está aí para quem quiser saber as competências de cada um. Antes de prosseguir, uma observação: perceberam que eles pararam de falar de privatizações? Por que será, né?
Lula e Dilma adoram comparar seus números com os de FHC. Jamais se deram ao trabalho de comparar o país que FHC recebeu aliado à conjuntura mundial, com a que o próprio Lula pode desfrutar em seus oito anos de poder. Se o Brasil recuperou credibilidade e respeito mundiais, isto se deve aos oito anos de FHC. Nem mais, nem menos. (No fundo, a própria Dilma reconhece isto). Éramos um país falido, sem crédito, com um tremendo déficit e uma esculhambação total nas contas públicas. Inflação? Juros? Dívida externa? Ao final de 1994, éramos uma nação em frangalhos. O que colocou o Brasil de novo na rota da decência foi o Plano Real e todas as reformas que dali foram irradiadas. E o primeiro passo foi a renegociação da dívida externa, então impagável, e em condições que o país não podia suportar. As longas negociações de Pedro Malan resultaram num Brasil reinserido na comunidade internacional.
O PT se tem na alta conta de combinar desenvolvimento econômico com inclusão social. Não, não foram nem os inventores da roda, tão pouco pioneiros na combinação de economia e inclusão social. Ela começou com o Comunidade Solidária e o leque de 12 programas sociais, todos com funções específicas, com metas definidas e com uma leitura jamais feita na história do cenário de pobreza e miséria no país.
Em entrevista ao jornalista Josias de Souza, a senhora Tereza Campello, responsável no governo Dilma pelo Bolsa Família, afirmou de forma cretina e cafajeste que os programas do Comunidade Solidária eram “monte de farelinhos”. Bom mesmo, grandioso, estupendo é o Bolsa Família. Esquece esta canastrona de que este “monte de farelinhos” provocou uma revolução nos indicadores sociais do Brasil pela primeira vez na História. Foi através deste “monte de farelinhos”, senhora Campello, que a mortalidade infantil caiu; que a educação infantil se universalizou pulando de cerca de 80% para 96%; que o trabalho infantil reduziu-se drasticamente; que a mortalidade materna caiu; que a evasão escolar sofreu uma queda sensível. E, vejam só, a própria ONU, dias atrás, medindo os indicadores sociais do país, que nos colocaram na posição 79° no ranking de IDH, e avaliando a evolução do país a partir de 1980, concluiu que a velocidade de avanços no IDH do país foi maior justamente no tempo do “monte de farelinhos”. Mais: O Brasil caiu de 5º para 8º em um ranking de inclusão social que engloba 17 países das Américas na passagem entre 2013 e 2014. O Índice de Inclusão Social é calculado pelo Americas Society / Council of the Americas, um grupo de estudos com sede em Nova York, e leva em consideração 21 itens, como crescimento da economia, percentual do Produto Interno Bruto (PIB) investido em programas sociais, direitos civil, de mulheres e LGBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros). E é a senhora que vem cuspir em cima de programas sociais que tiveram, como consequência direta, a mudança do quadro social e de qualidade de vida no Brasil? Deveria envergonhar-se de cumprir papel tão baixo, de tanta má fé e cretinice tão ordinária. E se tiver dúvidas, pode consultar o arquivo deste blog que nele há matérias com o histórico desta revolução social que o monte de farelinhos provocou. Até porque, o próprio decreto de criação do Bolsa Família junto cinco programas num único, o Bolsa Família.
Mesmo o Bolsa Família, conforme já provamos aqui inúmeras vezes, não fez mais pelo país do que o “monte de farelinhos” que a estupidez e a ignorância abissal é capaz de ignorar. A diferença é que, enquanto o monte de farelinhos impunha obrigações aos seus beneficiados, como matrícula e frequência escolar, exames pré-natais, afastamento das crianças do trabalho infantil, através do incentivo pecuniário e mirava os resultados, o governo petista, ao mesmo tempo em que dá com a mão esquerda o benefício, com a direita cobra a reciprocidade do voto e a submissão cidadã ao partido que se quer hegemônico. Um, usa benefícios apenas para melhorar a vida das pessoas, o outro o emprega de maneira sórdida para se manter no poder. Como já disse aqui muitas vezes, um programa só é social quando tem começo, meio e fim, e fixa e busca a realização de metas específicas. E o programa se mostra efetivo na medida em que as pessoas se libertam dele, por terem alcançado condição tal que lhes permita andar com as próprias pernas, sem a muleta do paternalismo estatal. E é neste sentido que o Bolsa Família não vai além de mera distribuição e complemento de renda mínima. Na medida em que perde velocidade a melhoria dos indicadores sociais, mas vê aumentar o número de beneficiados, fica claro a que, efetivamente, o programa se propõem: além de perenizar a pobreza por não oferecer portas de saída, manter cativos ao Estado como curral eleitoral, cidadãos que poderiam ser livres se o programa tivesse outro enfoque para ser alcançado.
Para a sorte de Tereza Campello, a senhora Ruth Cardoso já é falecida, não está mais entre nós para desmoralizar esta fala estúpida e canalha. Além disto, quando os programas foram criados pelo Comunidade Solidária, o Brasil vivia uma outra situação econômica. Foi preciso gastar um bom número de anos para por ordem na casa esculhambada justamente por dois ex-presidentes, hoje aliados da primeira hora dos governos petistas, Collor e Sarney.
Também é preciso olhar para o mundo em nossa volta. O período de crescimento vertiginoso da economia mundial iniciou-se no começo do ano de 2002 e se estenderam até 2009. E, vejam só, neste período, todos os países emergentes puderam avançar em programas de inclusão social, alguns numa velocidade até maior do que a brasileira.
É repugnante ouvir de uma autoridade pública o desdém com que trata programas que trouxeram qualidade de vida para milhões de brasileiros, programas que o ex-presidente Lula qualificou, quando de sua criação como eleitoreiros, que faria o povo ficar preguiçoso e deixaria de plantar macaraxeira...
O Bolsa Família para se tornar um programa social de fato, precisa ser aprimorado. Não acabar com o programa como insinua o terrorismo petista ser intenção dos adversários. Mas ele precisa oferecer portas de saída, não pode ser eterno, criar dependência e acomodação, recisa oferecer ferramentas adequadas para o cidadão prescindir do programa. No arquivo, e mais recente, há duas semanas, elencamos aqui algumas destas ferramentas as quais se pode, com propriedade (e não com mentiras), praticar uma verdadeira inclusão social.
Assim, sempre que a senhora Tereza Campello tentar desfazer de programas que resultaram no Bolsa Família deveria dedetizar a língua e desinfetar a alma. Má fé e canalhice não transformarão o Brasil, só o tornarão mais ridículo e irrelevante. E os brasileiros pobres, dependentes da ajuda estatal, sonham em ser independentes, e não tornarem escravos de sua própria pobreza e miséria, e ainda cativos a um partido político. Independência, fruto da inclusão social, significa também a independência de escolher seus governantes, sem precisar beijar-lhes a mãos e curvar-se em reverência. Provavelmente este é o desejo alimentado por Tereza Campello: o beijão mão da submissão. Mas isto já terá outro nome, jamais o de programa social.