domingo, setembro 07, 2014

A república do crime organizado no poder caiu

Adelson Elias Vasconcellos


A republica do crime organizado no poder que se escondia dentro da caixa preta chamada Petrobrás, finalmente, caiu. Não se pode prever o que irá acontecer. Nunca é demasiado lembrar que, qualquer escândalo que envolva muitos graduados da República, costuma resultar em nada. Lembram Cachoeira e a Construtora Delta? O mar lamacento era colossal demais, envolvia empresas, políticos e partidos em grau superlativo. Qual foi o resultado prático daquele circo? 

Claro que o caso da Petrobrás e suas negociatas tem um espectro muito maior, há um Paulo Roberto Costa que se sentiu abandonado pelos “parceiros” e que resolveu abrir o bico. Igual comportamento teve Roberto Jefferson ao denunciar a existência do Mensalão. Considerando-se o tamanho do escândalo, a quantidade de envolvidos e os bilionários valores envolvidos, é um processo que tende a se arrastar no tempo.

Lembro texto de Dora Kramer, de  O Estado de são Paulo  (ver post mais abaixo), que a exemplo do Mensalão petista versão 1.0, os envolvidos e denunciados por Jefferson também se apressaram no dia seguinte a desmentir seus envolvimentos. O tempo e as investigações comprovaram que nenhum era inocente. 

Como afirmei acima, não se pode prever o que acontecerá mais à frente, tampouco a repercussão que as acusações de agora terão na eleição de outubro. Creio que, se a delação de Paulo Roberto Costa, tivesse acontecido um mês atrás, talvez, quem sabe... Creio ser curto o tempo até as eleições para que o quadro atual mude radicalmente, muito embora alguns eleitores possam rever sua opinião e escolhas.  Mas a quantidade de eleitores ainda será muito restrita para o cenário que temos, um segundo turno entre Marina e Dilma,  possa ser diferente.

De qualquer modo, fica claro que o país precisa varrer o PT do poder. A degradação desceu a um nível insuportável, e não haverá reforma política capaz de mudar os costumes dos caciques que manobram as teias das nossas instituições, como se elas fossem de sua exclusiva propriedade. 

Ignorar o fato é inconcebível. Ele aí está a cobrar do país uma completa e radical mudança de rumo. Lula, como se lê na reportagem da revista, Veja era interlocutor constante de Paulo Roberto Costa. Dilma estava no Conselho de Administração e não pode simplesmente alegar ignorância da existência de um esquema tão imenso. Alguns de seus ministros foram arrolados na delação. Políticos da base aliada e empreiteiras com as quais o governo petista mantém estreita relação, estão envolvidos até a alma. O esquema do PETROLÃO atinge os governos Lula e Dilma, o PT e seus dirigentes em cheio. Fazer cara de pouco caso, conforme se viu nas declarações de Dilma Rousseff, não diminui em nada aquilo que já sabia, e que agora se sabe ainda mais. A Operação Lava Jato já reuniu provas materiais em quantidade suficiente para agora, de posse dos nomes, seguir em frente para a montagem final do maior processo de corrupção da história. 

Tinha razão Delúbio Soares quando afirmou que o Mensalão 1.0 acabaria se tornando piada de salão. Ele sabia das coisas. Conhecia os meandros da república petista de achacar os cofres públicos em proveito de seu projeto de poder hegemônico. 

Olhando-se a lista dos envolvidos na delação de Paulo Roberto Costa, encontramos facilmente muitos ratos que já frequentaram  o noticiário em outros escândalos. Muitos livraram-se da condenação por arranjos  teatrais movidos no submundo onde vigora a impunidade complacente de aliados, cooptados para abafar caso a caso, sem falar nas manobras tragicômicas nas tais CPI's. 

Sem dúvida, os próximos dias, semanas e meses serão de muita emoção, de muitos nervos à flor da pele, de muito desespero diante da porta escancarada a nos exibir a podridão que reina no poder. 

O Brasil não pode perder esta imensa oportunidade de praticar uma verdadeira faxina ética nos costumes políticos.  Doa a quem doer.

Se, como vimos, a economia vai de mal a pior, a educação sequer consegue avançar apesar da dinheirama nela aplicada, se os escândalos de corrupção se sucedem no atacado de maneira implacável,  temos aí três excelentes motivos para não reincidirmos no erro de se manter no poder esta gente toda.