O Globo
Editorial
Má colocação do Brasil em mais uma pesquisa sobre competitividade global, feita pelo Fórum Mundial, se deve a muitas falhas, algumas na infraestrutura
Continua a safra de notícias negativas sobre a economia brasileira, com a divulgação de mais um Relatório de Competitividade Global, do Fórum Econômico Mundial. Somando-se as diversas fragilidades acumuladas pelo país, não poderia ser outro o resultado: num ranking de 144 economias, a brasileira caiu de 56º para 57º lugar, cedendo a posição à África do Sul. Outros países em situação melhor que o Brasil são, por exemplo, Bulgária (54º), Costa Rica (51º) e Panamá (48º).
No âmbito do Brics, além da África do Sul, também China (28º) e Rússia (52º) são mais competitivos no mundo. Quer dizer, o Brasil, apesar contribuir com a primeira letra para o acrônimo Brics, está na lanterna no ranking do grupo.
O resultado é coerente com o “Doing Business", conhecido levantamento sobre o ambiente de negócios, feito pelo Banco Mundial (Bird). O Brasil também não se sai bem nesta foto. Na pesquisa deste ano, em 189 países, o Brasil aparece no modesto 116º posto.
O Bird acompanha uma dezena de itens relacionados ao cotidiano das empresas: burocracia para a abertura e fechamento de firmas, encargos trabalhistas, registro de propriedade, pagamento de impostos, segurança jurídica, e por aí vai.
Quem já precisou de algo em uma repartição pública sabe do que se trata. Para as empresas, é pior, pois o relacionamento com a burocracia é diário.
Eis por que é importante o Simples, pelo qual reduzem-se impostos para empresas de pequeno porte e simplifica-se o recolhimento dos gravames. Pena que este não seja o padrão geral.
Além da elevada carga tributária em si — 37% do PIB —, em geral, manter-se em dia com os diversos tributos e taxas federais, estaduais e municipais consome, segundo o Banco Mundial, 2.600 horas anuais de trabalho. Elas fazem parte do custo Brasil.
A indiscutível baixa capacidade de competição brasileira vem da falta de empenho em áreas específicas. Uma delas, os investimentos em infraestrutura, em que só na parte final do governo Dilma começou a ser superado o preconceito contra a iniciativa privada, essencial para a execução de projetos a tempo e a hora. Outro erro: pouca consideração com as chamadas “microrreformas”, aquelas voltadas à desburocratização e simplificação de rotinas no seu sentido mais amplo.
Chega em bom momento a pesquisa do Fórum Mundial, quando a campanha para o primeiro turno das eleições presidenciais ganha velocidade. Para desobstruir os caminhos em praticamente todos os itens avaliados nesta e outras pesquisas, a ação do Estado é básica. Muita coisa, portanto, pode vir a ser resolvida, ou não, a depender de quem subirá a rampa do Planalto dia 1º de janeiro.