domingo, setembro 07, 2014

A sorte e os azares lançados: façam suas escolhas e depois rezem..

Adelson Elias Vasconcellos

Na Folha online, lê-se: 'Governo novo, equipe nova', diz Dilma sobre o futuro do ministro Mantega.  O problema é que a cabeça pouco pensante que chefia a equipe permanecerá a mesma, ou seja, a própria Dilma caso reeleita. E ela é medíocre.  

Num debate entre presidenciáveis, Dilma resolveu atacar o bom senso e, como é o seu costume, a verdade. Afirmou a prezada senhora que “a questão da governabilidade implica em transparência”. Pois é, aquela senhora que endossa um decreto que mantém sob sigilo de Estado os gastos com cartão de crédito corporativo, cujo montante escondido provém justamente de  90% do total, gastos pela própria Presidência da República, resolveu agora dar aulas sobre transparência...E que se registre: nunca se torrou tanto dinheiro com os tais cartões como na era petista.

É bonitinho a senhora presidente referir-se a “transparência” como se estivesse a referir-se a um colar novo que resolveu exibir  num certo dia da semana. Engraçado é que esta senhora é a mesma que alimentou a tal “contabilidade criativa”,  que serve para encobrir a real situação das contas públicas. Um exemplo? Pois não:  o Brasil fechou agosto com superávit na sua balança comercial, até então negativa em 2014. E sabem como se conseguiu tal proeza? A Petrobrás exportou, para uma subsidiária no exterior,  uma plataforma marítima de exploração de petróleo. Mas ela jamais saiu do país. Qual o truque? Simples,  o “importador” no exterior, ao invés de receber a tal plataforma, aluga a mesma para a Petrobrás. Assim, a receita da “venda” é contabilizada como “exportação”, mas o custo do aluguel para a estatal é registrado como “custo operacional”. E, num passe de mágica, tem-se um déficit convertido em “superávit”. Transparência isto? Ora, convenhamos...

Num texto que postamos logo no início da ascensão de Marina nas pesquisas, (clique aqui), deixamos um alerta: que outubro próximo não repita o passado. O que isto queria dizer? Escrevi que Marina, dada as ideias e projetos que prometia realizar, precisaria de uma boa base parlamentar no Congresso para aprová-los. E lembrei que seu partido, dado seu tamanho atual, precisaria coligar-se com outros partidos para formar uma base de sustentação para aprovar estes projetos. Disse mais: que Fernando Collor, nos idos de 1989, foi eleito nas mesmas bases, e pregando também a antipolítica. Sabemos como esta história terminou.  Claro que há diferenças enormes de caráter entre Marina e Collor, muito embora os petistas a chamem de “Collor de saias”, o que não passa de cretinice explícita, muito característica destas almas penadas e sem escrúpulos.  É uma gente estranha: Collor, é bom que saiba, é aliado de carteirinha, com direito a nomeações de afilhados na BR Distribuidora, do governos petistas tanto de Lula quanto da própria Dilma!  Irônico, não? 

Assim, dadas as diferenças, as condições de governabilidade poderiam se repetir. E estaríamos não apenas diante da atual crise econômica fabricada inteiramente pelo governo da senhora Rousseff, mas diante, também, de uma crise institucional constante, dado que o PT cobraria, como oposição, um preço muito alto por ter sido alijado do poder, justamente por alguém nascido e formado dentro de suas fileiras. ’

Rigorosamente, muito embora tenha se formado quase um consenso de que apenas Marina representa o real caminho da mudança desejado por mais de 70% da população, a candidata, se eleita, não passará dia sem ter enfrentar a oposição ferrenha do PT e, de certa forma, de algumas correntes do PMDB. Nunca é bom esquecer que Eduardo Campos, várias vezes, afirmou que seu governo mandaria o PMDB de José Sarney para  oposição. Mesmo às portas da aposentadoria, Sarney ainda exerce enorme influência sobre boa parte do partido, além de importantes nacos do Judiciário. Eduardo até poderia ter este desejo dentro da mochila, mas daí a manifestá-la? É querer comprar brigas e ganhar inimigos poderosos antes da hora. 

E se falamos em mudanças, não se imagine que Dilma tenha apreço num segundo mandato. Mudar para que, se o partido caminharia para completar um ciclo de 16 anos no poder? Mudanças de parte de Dilma, se acontecer, seriam no plano político e ainda assim com  o propósito único de aprofundar sua hegemonia. Nos terrenos social e econômico, o máximo que se pode esperar são pequenas perfumarias, sem mudar a essência do que está aí, artificialismos e fantasias para emoldurar novos discursos mistificadores.

Se fosse para mudar, Dilma deveria ter  realizado neste primeiro mandato. Onde meteu sua colher torta,   o bolo desandou. Recebeu o país com um crescimento de 7,5% em 2010, com média anual em torno de 4,0% e vai entregá-lo às portas da recessão e média abaixo de 2,0%.. A inflação, que raramente chegava perto do teto da meta de 6,5%, agora se tornou o próprio centro da meta, repete-se a todo instante.   As contas públicas só não são piores   por conta das maquiagens da contabilidade criativa. Agora reparem: mesmo diante de tanta deterioração da economia do país, Dilma não a admite e afirma, com o maior cinismo de que é capaz, que problemas pontuais são frutos de “causas externas”. Ora, para mudar qualquer coisa, você precisa, basicamente, identificar e reconhecer os erros. Cadê a autocrítica da senhora Rousseff? Não existe, do alto dos saltos de sua arrogância compulsiva, ela entende que está tudo perfeito. 

Dentre os principais nomes, o único com projetos concretos (e coerentes) de mudanças, com boa base política para implementar reformas e capacidade política para negociar maiorias sem precisar vender a alma ao diabo ou criar áreas de atrito e convulsionar, em consequência, a institucionalidade do Brasil, é Aécio Neves. Defeito? A sua inabilidade para dizer o que precisa ser dito, para fazer um discurso que vá de acordo aos anseios da população.  Seja como for, é o único capaz de quebrar as fantasias sedutor5as. De um lado, a fantasia dos encantos e do paraíso plantados pela propaganda enganosa do PT. Maravilha seria viver no Brasil que a propaganda eleitoral petista exibe na tevê, não é mesmo? Só o que o Brasil da realidade do nosso dia a dia, está no extremo oposto daquilo que a telinha exibe.   E, de outro lado, a fantasia da Marina Silva de que é possível governar um país democrático sem fazer política e sem ter base parlamentar suficientemente majoritária para aprovar projetos. Não dá. 

Claro que na base dos protestos de junho de 2013, esta inutilidade da antipolítica. Porque, no fundo, senhores e senhoras, o que está errado não é a política nem o sistema que a alimenta. O ruim neste campo são os políticos que usam a política apenas para proveito próprio, quando não criminoso. Assim, precisamos mudar é os políticos e não a política. Precisamos mandar para o lixo é a forma como eles usam a política para manter o país e o seu povo na irrelevância.   È claro que o sistema pode ser aperfeiçoado, mas o projeto que Dilma apresentou neste campo até aqui é de retrocesso, vai provocar é um maior distanciamento do povo dos seus representantes, que passarão a ser nomeados pelas oligarquias entupidas de atraso. Imaginem se  a tal reforma política apregoada pelo PT acabe  se concretizando. Jamais conseguiremos nos livrar de gente como Renan, Barbalho, Sarney, Collor, José Riva, José Roberto Arruda, Paulo Maluff.  Se hoje, eles para serem eleitos, precisam do voto do eleitor, e apesar de suas longas fichas criminais permanecem “popularíssimos” em seus redutos, com voto em lista nem do povo precisarão mais. 

Claro que,  tomando-se por base as últimas pesquisas eleitorais, a gente fica se perguntando: afinal para que lado o povo brasileiro quer ver governando o Brasil? Dilma, apesar do alto índice de rejeição, consequência direta do péssimo governo que realizou, continua cotada a ir para um segundo turno.  Marina, com um discurso sedutor, continua sendo um tiro no escuro. Se eleita, não conseguirá impor sua agenda. Nem base política tem para tanto, quanto mais para ter força política suficiente para enfrentar o imenso bloco dos contras que agirá em tempo integral para detonar seu governo. E, no entanto, o único que encarna um projeto de país, com força e base política para avançar, que representa a modernidade e o crescimento, periga nem chegar no segundo turno. 

Se o eleitorado se divide, portanto, entre a mediocridade garantida, e a aventura perigosa de dias ruins, por favor, não me venham justificar futuras manifestações de rua coma “insatisfação popular”. Há informação suficiente  para o eleitorado escolher coisa melhor e que, de fato, pode lhe garantir um país melhor. Se, contudo, se deixam iludir, se gostam de discursos sonháticos ou com um país de fantasia distante da realidade, o lado em que a moeda caiu terá sido de exclusiva responsabilidade da própria sociedade.

Hoje, é mais do que conhecido, que a atual política econômica, que vem construída e costurada desde 2003 pelo PT, é insustentável no médio e longo prazos. E, a bem da verdade, Mesmo agora, neste 2014, ela já dá sinais claros de completa exaustão. Imaginem mais quatro anos  de sua manutenção! FHC passou o bastão para Lula com o Brasil devendo R$ 600 bilhões. Doze anos depois, com Lula e Dilma, o país deve R$ 2,20 trilhões e o serviço de rolagem desta dívida já consome mais de 50% do orçamento da União.  Apesar disto, este governo não para de torrar dinheiro em inutilidades. Tal modelo não pode resultar em boa coisa. E o tempo mostrará isto.

As duas alternativas em evidência, Dilma e Marina, lamento informar não representam mudança de nada. Dilma, porque lhe é conveniente manter tudo como está. Sabe e aposta que o curral eleitoral do Bolsa Família vai sustentar seu partido no poder por um bom tempo, mesmo que seus beneficiários tenha negado o seu direito inalienável de se transformarem em cidadãos livres. Marina porque,  por melhores que sejam suas intenções, falta-lhe a base política necessária para enfrentar e derrotar a oligarquia instalada no poder, que não admitirá, sob hipótese alguma, perder os  privilégios que lhe garantem  a corrupção maldita com que se alimentam e que sufoca a sociedade que os sustentam.  

Assim, a sorte e os  azares estão lançados. Pressinto que, mais uma vez, escolheremos um dos azares para nos guiar para mais fundo no poço do subdesenvolvimento e da irrelevância. Depois, amigos, só  nos resta rezar para Deus ter piedade de todos nós. Vamos precisar muiiiiitttoooo!