segunda-feira, setembro 15, 2014

William Bonner e Patricía Poeta tiveram de se segurar para não denunciar o golpe do IBOPE

Carlos Newton
Tribuna da Internet


Bonner e Patrícia, apresentando os números, sem comentários…

Foi interessante assistir ao Jornal Nacional em que a “última” pesquisa do Ibope foi uma das manchetes. Como se sabe, na Organização Globo, por motivos mais do que óbvios, é terminantemente proibido fazer denúncias relacionadas ao Ibope e contestar números dos levantamentos do instituto.

Os dois apresentadores – William Bonner e Patrícia Poeta – não tinham como criticar  a estratégia de o Ibope divulgar sua pesquisa depois do Datafolha, apresentando seus resultados como se fossem mais novos, quando estava ocorrendo exatamente o contrário, pois os dados do Datafolha tinham sido colhidos depois do levantamento Ibope.

A Rede Globo registrou esse fato do atraso proposital da divulgação do Ibope, mas sem maiores comentários, e Patrícia Poeta apenas afirmou que a ordem de retardar o anúncio dos resultados partido da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que bancou a pesquisa.

Também sem maiores comentários, o Jornal Nacional deixou evidente a desproporção entre o número de entrevistados, com o Datafolha ouvindo mais de 10 mil pessoas em quase 700 municípios, enquanto o Ibope se limitava a entrevista 2.002 mil pessoas em apenas 144 municípios.

MARGEM DE ERRO IGUAL???
Patrícia Poeta informou que as duas pesquisas, apesar da enorme disparidade de número de entrevistados e de municípios, tinham o mesmo índice de erro (2% para mais ou para menos) com confiabilidade de 95%, o que rigorosamente não é verdade, porque na ciência da Estatística a confiabilidade da pesquisa (chamada de “amostragem”) é diretamente proporcional ao número de entrevistas e de locais visitados. Quanto mais entrevistas e locais, menor a margem de erro.

Tecnicamente, a margem de erro da pesquisa Datafolha está correta (2% para mais e para menos) e confiabilidade de 95%, mas a margem de erro do Ibope está subestimada e sua confiabilidade superestimada. A margem de erro verdadeira seria de de 3% ou 4% para mais ou para menos, com confiabilidade de 85% a 90%. Mas quem se interessa?

Por fim, destaque-se o mau humor de Bonner e Patrícia apresentando esses números. É triste o jornalista saber a verdade e não poder comentá-la.

APARÊNCIAS, NADA MAIS
Conforme explicamos no artigo anterior, o golpe do atraso na divulgação do Ibope fez com que ficasse parecendo que Dilma está em tendência de alta e Marina em baixa, quando está ocorrendo exatamente o contrário: as pesquisas Ibope e Datafolha, analisadas na ordem correta das datas das entrevistas, mostram que Marina voltou a subir e Dilma está novamente caindo.

Como diz o ditado, as aparências enganam. O que não se pode aceitar é que isso ocorra propositadamente.