Tribuna da Internet
Eduardo Militão, Correio Braziliense
Mulher de Esteves fugiu com dinheiro e documentos
Após sua mulher fugir de casa com um pacote de documentos e dinheiro enquanto a Polícia Federal batia à sua porta, o operador do estaleiro Jurong, Guilherme Esteves de Jesus, foi denunciado à Justiça por embaraçar a investigação. A acusação foi apresentada à 13ª Vara Federal de Curitiba, onde correm os processos da operação Lava-Jato. Esteves é suspeito de pagar propinas que chegaram ao Partido dos Trabalhadores, nas mãos do ex-tesoureiro João Vaccari Neto.
Guilherme Esteves e sua esposa, Lília Loureiro Esteves, foram denunciados por embaraço à investigação de organização criminosa. O Ministério Público pede que ainda paguem uma mula de R$ 100 mil por enganarem policiais que procuravam documentos em sua casa.
Policiais e procuradores suspeitam que Guilherme Esteves foi um dos operadores que pagaram subornos ao ex-diretor de Engenharia da Petrobras Renato Duque e a funcionários da fornecedora de navios Sete Brasil, que pertence a estatal e a sócios privados. De acordo com o ex-gerente da petroleira e ex-diretor da Sete Pedro Barusco, de 0,9% a 1 % dos contratos para construção de navios – cerca de US$ 720 milhões cada um – continham propinas, sendo dois terços delas enviadas para o PT, nas mãos de Vaccari. Isso acontecia com vários estaleiros, segundo o ex-funcionário, que fez acordo de delação premiada com os investigadores.
SEIS NAVIOS
O estaleiro Jurong, instalado no Espírito Santo e de propriedade de investidores de Cingapura, tem contratos para construção de seis navios para a petroleira por meio da Sete Brasil.
O operador do Jurong está preso desde 27 de março e já foi alvo de duas ações da PF. Na primeira, em 5 de fevereiro, os policiais cumpriam mandado de busca e apreensão de documentos em sua residência, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Sua esposa, Lília, atendeu aos agentes por interfone e atrasou a abertura do portão afirmando que prenderia os cachorros. Mas, na verdade, ela fugia por uma saída lateral com “um volumoso pacote que continha valores em espécie, documentos e provas úteis” para a investigação de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, segundo a denúncia da força-tarefa da Operação Lava-Jato.
A ação de Lília foi filmada. “Tais fatos são comprovados documentalmente a partir de imagens de vídeo capturadas a partir de câmeras de segurança que funcionavam na residência no dia da busca”, narram os procuradores.
SUMIRAM COM TUDO
Os investigadores acusam o casal de tentar enganar a equipe e policiais federais. “Lília Loureiro em conjunto com o seu cônjuge Guilherme Esteves de Jesus, aproveitaram o retardamento do ingresso da equipe policial para reunir documentos, dinheiro e objetos que, encontrando-se na residência, seriam apreendidos.”
Os policiais só conseguiram entrar na casa oito minutos depois de serem atendidos por Lília no interfone. Não encontrando a esposa de Guilherme Esteves, os federais o questionaram duas vezes sobre quem estava na residência. Primeiro, disse que só estavam ele e suas duas filhas. Depois, disse não saber onde estava Lília, que teria ficado nervosa ao atender os policiais ao interfone. Sem encontrar a esposa, os agentes questionaram o operador se ela poderia ter saído pelos fundos. Guilherme Esteves disse que não.
Só com as imagens das 11 câmeras externas de segurança da própria residência é que a PF identificou que ela fugiu por uma saída lateral da casa. Antes de sair com o pacote, Lília conversa com Guilherme Esteves, que depois fecha o portão por onde ela deixa a casa.
Como não se sabe o que continha o pacote, o prejuízo às investigações é de “proporções incertas” para o Ministério Público.
