Tribuna da Internet
Eduardo Militão, Correio Braziliense
Os prejuízos e a corrupção na Petrobras foram maiores do que os R$ 44 bilhões destacados no balanço da estatal, incluindo R$ 6 bilhões como produto de propina. A afirmação é do conselheiro da Petrobras Mauro Cunha, que prestou depoimento na CPI que apura irregularidades na estatal e já deixou o cargo. Ele e o conselheiro Sílvio Sinedino votaram contra a aprovação do balanço há duas semanas.
A queixa do conselheiro foi formalizada oficialmente e protocolada terça-feira na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Para Mauro Cunha, o ajuste no balanço está na direção certa, mas não na “dimensão correta”. Ele acha que até mesmo avaliar o prejuízo como R$ 6 bilhões agora seja atitude precipitada. “Temo muito que isso seja usado para ressarcimento e acordos de leniência”, disse.
Mauro Cunha reforçou que foi “expulso” do comitê de auditoria da Petrobras, que assessora o Conselho de Administração, pelo ministro Guido Mantega. Com sua saída, todos os integrantes do colegiado passaram a ser ligados ao poder executivo. Ele credita a saída a seus questionamentos sobre refinarias e outros problemas identificados já no balanço de 2013. “Estamos correndo sério risco de buscar valores inferiores”.
ORDEM DE GRANDEZA
Ele também criticou o valor das perdas em geral. Para Cunha, o prejuízo de R$ 88 bilhões apontado por auditorias independente é um indicador da “ordem de grandeza” das perdas reais.
O conselheiro disse que perdas cambiais também não foram co lideradas corretamente para o balanço de 2014. Também não houve prazo para analisar as informações. “Havia 319 páginas de documentos”, disse Cunha, acrescentando que, assim como no balanço de 2013, o balanço de 2014 supervalorizou ativos, como as refinarias de Abreu e Lima e Pasadena.
Mauro Cunha disse que a política de preços de combustíveis, usada para segurar o preço da gasolina na bomba e a inflação, deu prejuízos à estatal. Nos seus cálculos, a “pedalada” sem base legal rendeu rombo de R$ 100 bilhões entre 2011 e 2014.