Renato Andrade
Exame.com
Rombo no balanço de transações com o resto do mundo no ano passado foi o maior desde 2015
Foto: Marco Antônio Teixeira / Agência O Globo
São Paulo - Quando seus principais parceiros comerciais são as maiores economias do planeta e resolvem entrar numa briga para ver quem consegue vender mais coisas no mercado e travar o avanço do outro, é impossível não ser afetado pela disputa. Foi o que houve com o Brasil, que fechou 2019 com um rombo no balanço de suas transações com o resto do mundo de um tamanho que não era visto desde 2015.
O buraco nas contas externas reflete, em boa medida, o embate entre os Estados Unidos e a China ao longo dos últimos 18 meses. O comércio internacional sofreu com as incertezas a partir das ameaças e decisões, de ambas as partes, de cobrar mais impostos dos produtos que vinham de um lado e do outro.
Em 2017, o déficit das contas externas brasileiras equivalia a 0,73% de todas as riquezas produzidas no Brasil. Agora, representa 2,76% de tudo o que nossa economia consegue colocar de pé em um ano.
É claro que outros fatores contribuíram para essa deterioração – a Argentina afundou e a China (outra vez) reduziu a compra de soja depois que teve que liquidar boa parte de seus suínos. Mas o imbróglio comercial entre Donald Trump e Xi Jinping contribuiu de forma decisiva para o quadro.
A piora das contas externas não é, de imediato, um problema muito grave, porque o volume de investimentos que entra no país continua bem superior ao rombo. Mas para que isso continue assim, a economia precisa engatar uma marcha consistente de crescimento.
Há dinheiro de sobra nos mercados internacionais. Se a economia tomar o rumo certo no Brasil, o investimento estrangeiro aumenta, mantendo um cobertor de proteção. Se as empresas que receberem esses recursos produzirem mais e com mais qualidade, há condições de vender mais produtos lá fora, reduzindo parte do rombo.
