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Com informações Estadão Conteúdo
Da dotação global de 2019 para essas 85 empresas, que somou R$ 127 bilhões, somente R$ 58 bilhões foram executados, segundo Ministério da Economia
(Ueslei Marcelino/Reuters/Reuters)
Eletrobras: estatal registrou baixa execução de 16,1%
Brasília — As estatais federais executaram 45,7% dos investimentos previstos para 2019 e a aplicação dos recursos ao longo do ano foi direcionada basicamente para a Região Sudeste, com nada de investimento no Centro-Oeste e índices bem pequenos nas outras regiões.
Os dados constam de relatório do Ministério da Economia que traz a execução do Orçamento de Investimento das estatais no ano passado.
O documento mostra que, no primeiro ano de gestão de Jair Bolsonaro, as empresas do governo deixaram de aplicar R$ 69 bilhões em obras e projetos no País.
Da dotação global de 2019 para essas empresas, que somou R$ 127,456 bilhões, somente R$ 58,291 bilhões foram executados. O Sudeste recebeu 23,4% do valor, seguido de Nordeste, com 5,5%, Sul (0,6%), Norte (0,5%) e Centro-Oeste (0,0%). Outros investimentos foram feitos na regiões caracterizadas como ‘nacional’ (67,8%) e ‘exterior’ (2,1%).
O resultado de 2019 representa o menor índice de execução dos últimos cinco anos. Em 2018, essas empresas executaram 64,5% da dotação anual autorizada; em 2017, o índice de execução foi de 59%; em 2016, 74%; e em 2015, 78,7%.
O relatório divulga o desempenho de 85 estatais, 78 do setor produtivo e 7 do setor financeiro. As estatais ligadas ao Ministério de Minas e Energia apresentaram a melhor execução dos investimentos no ano passado. A Petrobras aplicou 48,4% do total de R$ 98,8 bilhões.
A Eletrobras, no entanto, registrou uma baixa execução, de 16,1% de um orçamento também baixo, de R$ 38,9 milhões. “Alguns programas, principalmente no âmbito do setor de Petróleo e Gás, destacam-se em comparação aos demais, não apenas pelo vulto dos recursos que lhes são destinados como, também, pelo empenho das empresas”, diz a portaria.
No setor financeiro, Caixa aplicou R$ 1,3 bilhão, representando 51,1% do total de R$ 2,6 bilhões. O Banco do Brasil investiu 67% do previsto para o ano – R$ 1,8 bilhão do valor global de R$ 2,7 bilhões.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) executou 35,4% de seu orçamento de R$ 66 milhões para o ano, um gasto de R$ 23,4 milhões.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Era perfeitamente natural que houvesse queda nos investimentos. Tendo herdado um déficit colossal, superior a R$ 100 bilhões, era imperioso que houvesse prioridade centrada na busca do equilíbrio fiscal, indispensável para a retomada do crescimento. Neste sentido, cortar despesas e reduzir investimentos seria o caminho natural, além de se aprovar reformas estruturais na tentativa de por ordem na casa. Acontece que, nem o Congresso se mostra disposto na aprovação de reformas, tampouco ele juntamente com o Judiciário se negam no corte dos desperdícios e dos privilégios que ambos usufruem. O resultado é o país se obrigar a conviver com este déficit fabuloso por alguns anos. Assim, não se trata de má vontade do governo atual podar investimentos e cortar o máximo de despesas que puder, mas, sim, uma contingência necessária para o reequilíbrio da saúde fiscal do país.
Não há outro caminho para que se volte a crescer e gerar emprego e renda.
