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Moeda brasileira com o pior desempenho contra o dólar entre mercados emergentes depois do peso chileno
Foto: Marcos Corrêa/PR/Flickr (Marcos Correa)
Ministro da Economia, Paulo Guedes
O real tem sido atingido pela incerteza de investidores em relação às eleições presidenciais de 2022, mesmo com o aumento dos juros pelo Banco Central, forte crescimento econômico e déficit fiscal em queda, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes.
O dólar subiu 10% frente ao real no acumulado do segundo semestre, o que deixa a moeda brasileira com o pior desempenho entre mercados emergentes depois do peso chileno. Mas, segundo Guedes, as causas são políticas, e não econômicas, disse em entrevista à Bloomberg Television na terça-feira.
“Há muito ruído político”, disse Guedes. “Entendemos isso. É uma democracia muito vibrante.”
Pesquisa do Datafolha publicada no mês passado mostra que Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), derrotaria o presidente Jair Bolsonaro por 56% a 31% em um segundo turno das eleições presidenciais em outubro do próximo ano.
A popularidade de Bolsonaro foi atingida nas últimas semanas pelo aumento dos preços ao consumidor que, de acordo com Guedes, é agora a questão mais urgente da economia.
“O crescimento não será o problema”, disse. “O problema é a inflação.”
O IPCA se acelerou para 10,3% no acumulado em 12 meses, o ritmo mais rápido em mais de cinco anos. O BC elevou a Selic em 4,25 pontos percentuais este ano para tentar frear a alta dos preços e sinalizou que os juros podem subir ainda mais.
‘Forte recuperação’
A inflação disparou nos mercados emergentes com a flexibilização das restrições da pandemia e reabertura das economias, mas o Brasil está entre os mais atingidos sob o impacto da crise hídrica, que elevou as tarifas das contas de luz. Cerca da metade do ganho da inflação foi causada pelos custos de alimentos e energia, disse Guedes.
A economia vai crescer 5,5% este ano em uma “recuperação muito forte”, graças à campanha de vacinação no país, disse Guedes. A retomada também é impulsionada pelo investimento estrangeiro estimulado por mudanças regulatórias em setores como petróleo, gás e aeroportos, afirmou.
O déficit fiscal primário deve encolher para 1,5% do PIB e ficar próximo a zero no próximo ano, disse o ministro, acrescentando que o governo estenderá o auxílio emergencial apenas se surgir uma nova variante do coronavírus.
****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Nesta mesma viagem aos Estados Unidos, Paulo Guedes afirmou que a inflação é mundial e causada pela crise energética e alta dos alimentos. Ou seja, nossa inflação, (a terceira maior do mundo cuja média é menos do que metade da brasileira), ocorre por culpa dos outros..
É verdade que a alta demanda, pós pandemia, por petróleo, base da produção energética mundial, força a subida dos preços. E a Petrobrás se vê na contingência de acompanhar estes aumentos. Acontece que estes preços são cotados em dólar. Assim, com a desvalorização do real, provocada pelo ruídos que o próprio governo Bolsonaro provoca, acaba por adicionar aos preços do petróleo e também dos alimentos |(commodities), um plus a mais que não acontece com outras economias.
Portanto, se Bolsonaro não provocasse tantas crises, tão inúteis quanto perniciosas, o dólar poderia se encontrar nu, patamar bem menor, não afetando tanto a inflação interna.
Outra razão para a questão cambial é o (des) equilíbrio das contas públicas, o alto grau de endividamento interno que eleva o risco país e, por conseguinte, os juros, além das incertezas políticas produzidas pelo Planalto, além do vai-não-vai da reformas que não saem do lugar..
Conclusão: parte da nossa alta taxa de inflação se assenta em cenários externos, porém, a maior parte deriva de questões internas, cenário este que cobra ações de um governo omisso e incompetente, tanto quanto irresponsável e, conforme declarou recentemente Affonso Celso Pastore, completa falta de planejamento. Acrescentem falta de projeto de país. A única meta que as atitudes do senhor Bolsonaro deixa a ver é sua obsessão desmedida pela reeleição, mesmo que isto nos custe trinta ou mis anos de atraso, miséria e trevas. .
Para encerrar: o custo mais alto da energia elétrica não guarda relação com o aumento dos preços do petróleo. E pela simples razão de que a geração é hidrelétrica e, em doses menores, através da energia eólica e solar. Lembramos que passaram-se 20 anos do apagão de 2001 e, neste tempo todo, o país não saiu do lugar. A crise hídrica que o país enfrenta deve-se a dois fatores combinados. O efeito La Niña, que é o aquecimento das águas do Pacífico, contra o qual nada se pode fazer. E o segundo efeito é por conta da menor precipitação pluviométrica nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, causando brutal redução dos níveis dos reservatórios e, com isso, obrigando o acionamento das usinas térmica, mais caras e poluentes, com o objetivo de atender a demanda de consumo. E aqui entre o dedinho do governo que sabia deste agravante e nada fez para minorar as consequências ruins e, ainda por cima, incentivou e ainda incentiva o desmatamento da Amazônia em volumes recordes, o que influencia diretamente no regime de chuvas. Menos chuvas e tem-se aí a crise hídrica instalada e agravada.
Assim, não cabe o discurso errático do senhor Paulo Guedes, tentando desvencilhar-se de sua responsabilidade, jogando as culpas nos colos de terceiros. Aliás, quando o ministro inventa de se explicar, parece viver em outro planeta.