terça-feira, fevereiro 22, 2022

TCU abre representação contra Apex por voos em classe executiva

  Lucas Vettorazzo 

Veja online

MP junto ao tribunal de contas quer verificar legalidade da liberação de passagens mais caras para funcionários e convidados da agência

 A Apex passou a permitir a benesse na esteira do que fez em janeiro o governo de Jair Bolsonaro, que permitiu o uso da classe executiva para ministros e servidores de topo de hierarquia em voos internacionais acima de sete horas de duração.   ./.

O Ministério Público Junto ao TCU abriu uma representação contra a Apex Brasil, a agência federal de fomento ao comércio exterior, que passou a permitir que funcionários e convidados façam suas viagens internacionais oficiais em voos de classe executiva.

A Apex é ligada ao Ministério das Relações Exteriores. Ela é bancada com recursos públicos e privados. Antes, só membros da diretoria e dos conselhos fiscal e deliberativo da agência podiam viajar de executiva. Agora, com a nova regra, empresários convidados em missões oficiais, por exemplo, também usufruirão do benefício.

A mudança veio na esteira do que fez em janeiro o governo de Jair Bolsonaro, que permitiu o uso da executiva para ministros e servidores de topo de hierarquia em voos internacionais acima de sete horas de duração.

No caso da Apex, como parte do orçamento é bancado com recursos públicos, o MP do TCU quis saber a justificativa para o aumento do gasto. O órgão decidiu representar contra a agência nesta quarta, depois de uma reportagem da Folha de S.Paulo.

“De se notar que a medida ora questionada vem a reboque de alterações da mesma natureza promovidas na administração do governo federal e não como decorrência da necessidade de suprir deficiências na sua atuação ou para aperfeiçoar seus resultados”, diz o subprocurador-geral do MP junto ao TCU, Lucas Rocha Furtado.

Segundo ele, o país vive momento grave de redução de despesas e não haveria sentido criar uma norma que vá aumentar o gasto público. “Enquanto a população enfrenta todo tipo de dificuldade, ditados pelo teto de gastos e por contingenciamentos diversos no orçamento da União, dirigentes, funcionários e convidados da Apex já não se contentam com voos convencionais a Dubai e passam agora a desfrutar das comodidades da classe executiva”, disse.

Por fim, ele diz que o caso constitui “desrespeito ao zelo, parcimônia, eficiência e economicidade que sempre devem orientar os gastos públicos e impõe, sem dúvida, a intervenção dessa Corte de Contas”.

“Diante de todo o exposto, e considerando as notícias recentemente difundidas pela imprensa – e evidenciadas nesta representação – de que haverá aumento de gastos com recursos públicos sem justificativa, impende a este órgão do Ministério Público representar perante a Corte de Contas, no intuito de que sejam adotadas as medidas necessárias a verificar a legalidade, legitimidade, moralidade, eficiência e economicidade dos gastos realizados pela Apex com voos na classe executiva”.