Vitor Paiva
Site Hypeness
Com os efeitos das emergências climáticas, os incêndios, as queimadas e o desmatamento descontrolado, a situação da Amazônia vem, nos últimos anos, se aproximando de um ponto incontornável e literalmente fatal.
Um novo estudo, publicado no último dia 07 de março pela revista científica Nature Climate Change, afirma que a floresta amazônica se aproxima em velocidade mais rápida do que a esperada de um chamado “ponto de inflexão”, a partir do qual a perda da cobertura da floresta atinge um limite que não mais pode ser contornado – quando a Amazônia começa a morrer.
© Bruno Kelly/Agência Amazônia
As queimadas vêm sendo um dos motivos da transformação
da Amazônia em uma futura savana
Risco de virar savana
A partir do ponto de inflexão apontado pelo estudo, a mudança terá sido tão radical que a Amazônia como conhecemos, enquanto floresta tropical, terá desaparecido em definitivo e, em seu lugar, crescerá uma espécie de savana, com uma vegetação consideravelmente mais baixa e seca do que a atual.
Segundo o estudo, mais de três quartos da floresta já apresentam dificuldades para se recuperar de situações de estiagem e queimadas e retornarem a um ponto considerado saudável, especialmente em partes que recebem menos chuva ou que estão mais próximas de cidades ou fazendas.
© Bruno Kelly/Agência Amazônia Real/Creative Commons
Incêndios e desmatamentos na Amazônia batem recordes no atual governo
“Em regiões mais próximas ao uso humano da terra, como áreas urbanas e terras de cultivo, as florestas tendem a perder resistência mais rapidamente”, afirmou Chris Boulton, do Instituto de Sistemas Globais da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e um dos autores da pesquisa.
Para alcançar a grave conclusão, pesquisadores se debruçaram sobre 25 anos de dados colhidos por satélites, avaliando a resiliência amazônica diante de situações de incêndios, secas e desmatamentos: de acordo com o estudo, tal força de recuperação caiu em mais de 75% da superfície da floresta, alcançando menos da metade da capacidade de resiliência nos pontos mais afetados, como os citados por Boulton.
© Cícero Pedrosa Neto/Agência Amazônia Real/Creative Commons
Imagem de satélite mostra a Amazônia hoje:
há poucos anos tal foto era de densa e verde floresta
O processo de inflexão representará, de acordo com os pesquisadores, um processo que trará consequências devastadoras para a biodiversidade e a emergência ambiental, como a extinção de milhares de espécies e a liberação de uma quantidade imensa de dióxido de carbono na atmosfera, agravando ainda mais parte do próprio processo que causou tal inflexão.
Se as mudanças climáticas são elemento determinante para esse alarmante quadro, as queimadas e o desmatamento generalizados contribuem de forma inequívoca para essa “morte”: a partir do afrouxamento de leis e fiscalizações, desde o início do governo Bolsonaro, o desmatamento na região aumentou consideravelmente e, somente no ano passado, uma área maior do que o Líbano foi devastada na floresta.
© Wikimedia Commons
Não se sabe a data, mas o estudo mostra que o ponto de inflexão da Amazônia virá em breve