quinta-feira, março 10, 2022

EUA e Reino Unido barram petróleo da Rússia; UE anuncia plano para reduzir dependência do gás

 O Globo

Anúncios são retaliação à invasão da Ucrânia e fizeram o barril passar de US$ 130 nesta terça

  Foto: Kevin Lamarque / Reuters

O presidente dos EUA, Joe Biden, anuncia novas ações contra a Rússia 

por sua guerra na Ucrânia, durante discurso na Sala Roosevelt da Casa Branca em Washington 

BRUXELAS — O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou a proibição da importação do petróleo, gás e carvão da Rússia. É a mais nova sanção ao país, que é um grande produtor mundial de combustíveis fósseis. O Reino Unido decidiu aderir ao embargo, e eliminará gradualmente as importações de petróleo e derivados russos até o fim de 2022, disse o primeiro-ministro Boris Johnson.

Os anúncios foram feitos poucos minutos depois de a Comissão Europeia ter divulgado seus planos para reduzir a dependência de gás e energia oriundos da Rússia. Segundo o anúncio oficial, o objetivo é que o bloco diversifique suas fontes de energia e se torne mais autossuficiente "bem antes de 2030".

Diante da iminência dos anúncios, o Brent disparou de manhã, ultrapassando os US$ 130 o barril. 

Até agora, EUA e aliados haviam poupado o setor de energia nas sanções impostas à Rússia pelo Ocidente, pois a Europa é muito dependente do gás russo — sobretudo a Alemanha.

EUA e UE chegaram a discutir um embargo conjunto, mas não chegaram a um consenso. Os EUA, então, decidiram seguir sozinhos com a decisão. Logo depois, no início da tarde, o Reino Unido anunciou que irá eliminar, gradativamente, até o fim deste ano, as importações de petróleo e derivados da Rússia, que representam 8% da demanda do país.

— Haverá custos aqui nos EUA. Desde o início eu disse que defender a liberdade teria custos. Repulicanos e democratas entendem isso, entendem que está claro que devemos fazer isso — disse Biden em seu discurso.

"Em outro golpe econômico ao regime de Putin após a invasão ilegal da Ucrânia, o Reino Unido se afastará da dependência do petróleo russo ao longo deste ano, aproveitando nosso severo pacote de sanções econômicas internacionais", disse Johnson em comunicado, acrescentando:

“Trabalhando com a indústria, estamos confiantes de que isso pode ser alcançado ao longo do ano, dando tempo suficiente para as empresas se ajustarem e garantindo a proteção dos consumidores”. 

Plano da UE

No caso da UE, o plano é reduzir o uso de gás pelo bloco em 30% até 2030, de forma que a UE consiga a "independência total" dos combustíveis fósseis da Rússia "bem antes" desta data.

O plano também se insere nos esforços do bloco para cumprir as metas contra as mudanças climáticas. O objetivo é ampliar o consumo de energia a partir de outras fontes, sobretudo as renováveis.

  Foto: POOL / REUTERS

Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, 

durante uma entrevista coletiva em Bruxelas 

"Devemos nos tornar independentes do petróleo, carvão e gás russos. Simplesmente não podemos confiar em um fornecedor que nos ameace explicitamente", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em comunicado.

Na madrugada desta terça-feira, a Rússia ameaçou bloquear o envio de gás para a Europa.

Importações da Rússia

A Europa importa 41% do gás que consome da Rússia. Além disso, depende do petróleo (27% das importações) e do carvão (47% das compras) russos como fonte de energia.

Enquanto os Estados Unidos importam cerca de 400 mil barris diários de petróleo da Rússia, os países europeus compram muito mais: 4,3 milhões de barris por dia. Além disso, 800 mil barris chegam ao continente europeu via dutos — ou seja, um bloqueio coordenado demandaria tempo e não poderia ser imediato.

Os EUA, por sua vez, ensaiam uma aproximação com a Venezuela para suprir seu mercado quando o bloqueio do petróleo russo entrar em vigor. 

No caso do Reino Unido, as importações da Rússia são 8% do total comprado pelo país e 18% no caso do diesel.

A inclusão do petróleo na lista de sanções americanas vai representar uma escalada nas retaliações ocidentais à Rússia pela invasão da Ucrânia. Os insumos energéticos — petróleo e gás — não foram incluídos nas primeiras levas de sanções justamente pelo efeito bumerangue que provocariam, com preços de gasolina e energia disparando para os consumidores de EUA e Europa.

Nos Estados Unidos, o galão de gasolina alcançou o maior patamar desde 2008, e os preços estão em alta em vários países europeus.