segunda-feira, março 07, 2022

COISA DE CANALHA: Para não prejudicar visita de Bolsonaro a Putin, Planalto vetou alerta a brasileiros na Ucrânia

  Malu Gaspar

O Globo

 | Jorge William 

Vladimir Putin e Jair Bolsonaro em Brasília, na cúpula dos Brics de 2019 

Dias antes da viagem de Jair Bolsonaro à Rússia, o Palácio do Planalto vetou a emissão de um alerta aos brasileiros vivendo na Ucrânia para que procurassem sair do país. A recomendação de que o Itamaraty fizesse o alerta havia sido feita pelo setor consular, que cuida da assistência aos brasileiros no exterior, com base em avaliação de cenários realizada pela área técnica do Ministério das Relações Exteriores. A proposta do setor consular era que o aviso recomendasse aos brasileiros que pudessem sair da Ucrânia por meios próprios que o fizessem o quanto antes, dada a situação de instabilidade política na região. Também alertava para que os cidadãos brasileiros evitassem viajar para a Ucrânia. Naquele momento, vários países já haviam emitido alertas semelhantes, incluindo Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. Segundo relato feito à equipe da coluna por pessoas envolvidas na discussão, não houve uma justificativa formal para o veto, mas no Itamaraty a atitude foi compreendida como uma forma de evitar reações negativas da Rússia às vésperas da visita oficial de Jair Bolsonaro a Moscou. No dia 13, o embaixador do Brasil em Kiev, Norton Rapesta, declarou à GloboNews que a situação na Ucrânia era de normalidade e que não havia razão para temer uma guerra. No dia 16, o presidente brasileiro se reuniu com Vladimir Putin no Kremlin e afirmou que o país estava "solidário" com os russos. 

Só em 24 de fevereiro, quando os ataques da Rússia à Ucrânia já haviam começado, um alerta foi divulgado nos canais oficiais e nas redes sociais da Embaixada do Brasil na Ucrânia.

"Prezados brasileiros, após uma série de ataques a alvos militares e estratégicos por todo o país, a situação na maior parte das regiões ucranianas é no momento relativamente estável. Nesse contexto, a embaixada recomenda que brasileiros que possam deslocar-se por meios próprios para outros países ao oeste da Ucrânia que o façam tão logo possível, após informarem-se sobre a situação de segurança local", dizia o texto.

Até hoje, apesar das manifestações da representação brasileira na ONU condenando a guerra na Ucrânia, o presidente Bolsonaro afirma que a posição do Brasil em relação é de "neutralidade" e que "é um exagero" falar que o governo de Vladimir Putin está massacrando ucranianos. 

Desde o início da guerra, a maior parte dos brasileiros que vivia na Ucrânia já  conseguiu fugir da guerra, mas houve muitas queixas de dificuldades no deslocamento e de falta de assistência por parte do Itamaraty. 

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Bolsonaro está se lixando para o bem estar dos brasileiros. A ele o que importa é fazer campanha para reeleger-se, continuar mamando às custas dos contribuintes, gozando de folgas principescas sem precisar gastar do próprio bolso, continuar mentindo e inventando histórias para os incautos seguidores seus acreditarem que ele é “mito”. 

Ao deixar de alertar os brasileiros que vivem e moram na Ucrânia, como se vê, o canalha pensou apenas em si mesmo. Dane-se o resto!  Ou não foi este mesmo comportamento que Bolsonaro adotou durante a pandemia? O roteiro é igual.