sábado, março 26, 2022

Inflação e juros altos, com baixo crescimento, devem prejudicar muito o próximo presidente

 Deu no Estado

Tribuna da Internet 

Charge do Cazo (Arquivo Google)

A herança macabra deixada para o próximo governo incluir inflação acima da meta, juros muito altos e economia emperrada, segundo projeções do mercado. As expectativas, muito ruins desde o começo do ano, pioraram depois da invasão da Ucrânia, em reação insegurança criada pelo autocrata Vladimir Putin e aos possíveis efeitos das sanes Rússia.

J confrontado com enorme desarranjo de preços, o Brasil terá de enfrentar um caminho mais longo e mais difícil em busca da estabilização, de acordo com as últimas avaliações.

TAXA DE JUROS – Em uma semana subiu de 12,25% para 12,75% a taxa básica de juros prevista para o fim do ano. As estimativas para os dois anos seguintes metade do mandato do próximo presidente também se elevaram, atingindo 8,75% e 7,5%.

Só números sinistros para quem tiver a pretensão de administrar o Brasil e conduzi-lo para fora da estagnação.

No caso do presidente Jair Bolsonaro e de seus companheiros, concentrados em medidas improvisadas, concebidas para efeitos eleitorais, com elevado custo fiscal e, na melhor hipótese, inúteis para a prosperidade e a saúde econômica.

INFLAÇÃO MUNDIAL – Convertida em pandemia, a inflação poder afetar a atividade financeira em várias economias importantes, dificultando a redução ou favorecendo a elevação de juros. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) tem de enfrentar uma alta de preços de 7,9% acumulada em 12 meses, a maior em quatro décadas. No Brasil, um surto inflacionário com taxa de 10,54% no período anual até fevereiro está na lista de problemas da autoridade monetária.

Nesta quarta-feira (dia 16) os bancos centrais dos dois países anunciaram novas decisões sobre as taxas de referencia. O Fed elevou a taxa de juros nos EUA em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 0,25% a 0,50% ao ano. Foi a primeira alta de juros no país desde 2018.

No Brasil, a taxa básica, a Selic, subiu de 10,75% para 11,75%, segundo a maior parte das apostas.

MAIS JUROS – De qualquer forma, a subida, de acordo com as apostas do mercado, dever continuar, no Brasil, até 12,75%. Para cuidar dos problemas internos, ser preciso olhar também para fora.

Qualquer aumento nos Estados Unidos afeta o fluxo internacional de capitais e o mercado cambial. Isso limitar as ações dos bancos centrais no mundo emergente, dificultando, por algum tempo, qualquer suavização da política monetária.

Para afrouxar sua política, no entanto, os dirigentes do Banco Central terão de renunciar ao compromisso de levar a inflação meta oficial até o fim do próximo ano. Essa mudança ser justificável se o custo do ajuste perda de crescimento econômico e prolongamento do desemprego for considerado excessivo em relação aos benefícios.

RENDA FAMILIAR – As famílias serão triplamente afetadas pela inflação: 1) a alta de preços, muito sensível nas compras do dia a dia, continuar erodindo os ganhos de quem ainda tiver uma fonte de renda; 2) o custo do dinheiro, elevado pelo aperto monetário, tornar mais difícil o acesso a novas compras a crédito; e 3) financiamentos até para a liquidação de obrigações j assumidas poderão ser menos acessíveis. Os consumidores, principalmente os de baixa renda, serão afetados pela doença, a acelerada alta de preços, e pela medição, os juros mais elevados.

Diante dos juros previstos e do escasso potencial produtivo do Brasil, o mercado estima crescimento econômico de 0,49% neste ano, 1,43% no próximo e 2% nos seguintes. Infelizmente, só prazos muito longos e problemas muito distantes para a viso e os interesses do presidente Jair Bolsonaro, de seus ministros e de seus sempre caríssimos aliados do Centro.