quarta-feira, novembro 01, 2006

Incoerências presidenciais...

Lula lança plano sobre transporte - com privatizações
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Acusada de praticar "terrorismo eleitoral" durante todo o segundo turno ao lançar numerosos boatos contra o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou na quinta-feira um programa de governo que prevê privatização de serviços estatais para a área de transportes. O PT, contudo, nega ter caído em contradição.
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"A concepção dos tucanos é que está errada", diz Valter Pomar, um dos coordenadores do programa de governo de Lula, ao jornal O Globo desta sexta-feira. O plano de transportes para um possível segundo mandato de Lula fala em concessão de exploração de rodovias à iniciativa privada e participação de empresas através das Parcerias Público-Privadas (PPPs) na área de transporte.
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As concessões ao setor privado estão entre as principais críticas dos petistas contra tucanos nesta campanha - e, no caso dos transportes, os altos pedágios em estradas exploradas por empresas nas gestões do PSDB são sempre lembrados por eles. Com seu plano para o setor, Lula adotará o mesmo procedimento. No seu programa de governo, o petista critica duramente privatizações.
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Presidente deixa portas abertas para a convocação
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se negou a assinar um documento dizendo que, se reeleito, seu governo não promoverá a convocação de uma nova Assembléia Constituinte. Ao contrário do candidato da oposição, Geraldo Alckmin (PSDB), que assinou em público o documento na quinta-feira, diante de jornalistas, em São Paulo, Lula vai deixar portas abertas para a Constituinte.
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O documento é de autoria da Academia Brasileira de Direito Constitucional, que defende a Carta de 1988 e é contra convocação de outra Constituinte. A idéia do documento surgiu justamente depois que Lula, durante encontro com representantes da OAB, se disse aberto à idéia de realizar uma miniconstituinte para realizar a reforma política. Alckmin já havia criticado sua idéia.
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O coordenador da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, disse que o presidente não assinaria o compromisso porque o assunto deveria ser discutido com toda a sociedade antes de qualquer decisão. Especialistas dizem que fazer uma constituinte sem uma situação extrema, como crise institucional, é "forma velada de golpe constitucional", conforme a carta que Lula não assinou.