contra as eleições e os políticos
Por Jorge Serrão
Publicado no Alerta Total
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Os números oficiais da eleição colocam em cheque o adjetivo “acachapante” da vitória reeleitoral de Lula da Silva e revelam que o País está dividido politicamente. Dados da totalização final do Tribunal Superior Eleitoral confirmam que o presidente sofreu uma expressiva rejeição nas urnas, e não “a vitória do Brasil” e do povo brasileiro que ele estampou na camiseta, ao comemorar a vitória, no domingo. O nome de Lula foi rejeitado por exatos 67.617.893 cidadãos, que corresponde a 53,70% dos eleitores. A frieza dos números eleitorais quebra o forjado clima de consagração psicológica de poder dada ao presidente pelos seus marketeiros.
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A rejeição corresponde à soma da abstenção (23.914.714), mais os votos “em branco” (1.351.448), mais os votos nulos (4.808.553), junto com os votos dados ao candidato adversário Geraldo Alckmin (37.543.178). Pelas contas, Lula ficou abaixo da maioria, com seus 58.295.042 votos (ou 60,83%). Obteve apenas 46,3% do total de votos das 125.913.479 pessoas aptas a votar. A tradução objetiva do resultado eleitoral é que 53,7% dos brasileiros não referendaram o seu nome. Politicamente, o País está dividido – ao contrário do que tenta demonstrar, principalmente à Justiça que terá de apreciar o mensalão, os sanguessugas e a operação tabajara – casos que podem redundar na abertura de processo de impeachment contra o presidente, no segundo mandato. O primeiro governo Lula continuará sub judice (sofrendo julgamento).
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Além de demonstrarem a oposição a Lula, os números do TSE confirmam que o eleitorado, no segundo turno, manifestou sua rejeição ao processo eleitoral como um todo. Nada menos que 30.074.715 cidadãos (ou 23,88% do eleitorado) se recusaram a comparecer ao voto obrigatório (que é anti-democrático por natureza), ou, então, anularam e votaram em branco para protestar contra a classe política e contra o sistema eleitoral eletrônico, nem tão seguro quanto se apregoa. Tal tendência já tinha se desenhado no primeiro turno de votação, quando 29.935.923 (ou 13,77% dos eleitores) se abstiveram, votaram em branco (2.886.205) ou anularam o voto (5.957.207).
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A fria análise dos números também chama a atenção para a enorme diferença de 20.751.864 votos de Lula da Silva para Geraldo Alckmin. A comparação com o primeiro turno é inevitável. Dia 1º de outubro, a diferença entre o tucano e o petista foi de 6.693.996 votos. O fato estranho é que os 9.114.237 votos de Heloísa Helena e Cristovam Buarque não tenham migrado para o tucano. E o mais estranho ainda, do ponto de vista estatístico, é que o tucano tenha encolhido sua votação em relação ao primeiro turno. Dia 1º, Alckmin recebeu 39.968.369 votos (ou 41,64%). No domingo passado, Alckmin só teve 37.543.178 votos (ou 39,17%). Das duas uma, poderia até se especular: ou o dedo do eleitor foi muito pesado, ou alguma mão grande e invisível entrou em cena.Como não se pode auditar o voto eletrônico, porque a urna não imprime um comprovante, só resta ao eleitor confiar que o paraíso eleitoral é aqui na nossa terra. No final das contas, o segundo turno acabou se revelando benéfico para Lula, que sai das urnas com uma blindagem psicológica para que seu governo agüente o que a Justiça lhe reserva, na hora de julgar tantos escândalos da primeira gestão do presidente que nunca sabia de nada errado a sua volta, mas que soube criar uma identificação com quase a metade do eleitorado mais pobre e menos informado que o consagrou nas urnas.
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O que Lula não pode esquecer é que uma porção maior que a outra metade o rejeitou. Apenas para usar uma metáfora futebolística, tão ao gosto do candidato “vitorioso”, ele ganhou o campeonato perdendo o segundo jogo por um a zero. Também é bom que fique claro que, se Alckmin tivesse ganho, o Brasil também teria perdido. Tucanos e petistas representam, hoje, uma derrota mortal para a soberania, para a autodeterminação e para a paz social do Brasil.
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Ambos seguem a cartilha do Poder Real da nobreza econômica anglo-americana, reunida em grupos de poder como o Centro Tricontinental, o Diálogo Interamericano e a Comissão Trilateral, sem falar no Foro de São Paulo (que repete as idéias destes grupos, dando um verniz cinicamente romântico e ideológico de esquerda). O objetivo do Poder Real que manda no mundo é explorar as riquezas do Brasil, mantendo nosso País artificialmente na miséria. Tudo, claro, contando com a conivência da classe política brasileira. E com a complacência do próprio sub-cidadão e brasileiro, escravizado, ignorante e servil.
Resumo eleitoral do 2º Turno
Eleitorado - 125.913.479
Votos apurados - 125.912.935
Lula da Silva - 58.295.042 (60,83%)
Geraldo Alckmin - 37.543.178 (39,17%)
Diferença entre eles - 20.751.864
Compareceram - 101.998.221 81,01%)
Abstenção - 23.914.714 (18,99%)
Brancos - 1.351.448 (1,32%)
Nulos - 4.808.553 (4,71%)
Rejeição eleitoral (A + B + N) - 30.074.715
Rejeição total a Lula - 67.617.893 (53,70%)
“Vitória-derrota” de Lula - 58.295.586 (46,30%)
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Votos apurados - 125.912.935
Lula da Silva - 58.295.042 (60,83%)
Geraldo Alckmin - 37.543.178 (39,17%)
Diferença entre eles - 20.751.864
Compareceram - 101.998.221 81,01%)
Abstenção - 23.914.714 (18,99%)
Brancos - 1.351.448 (1,32%)
Nulos - 4.808.553 (4,71%)
Rejeição eleitoral (A + B + N) - 30.074.715
Rejeição total a Lula - 67.617.893 (53,70%)
“Vitória-derrota” de Lula - 58.295.586 (46,30%)
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Eis a questão: Que representatividade moral pode ter LULA para se apresentar como presidente reeleito de todos os brasileiros?