quarta-feira, novembro 01, 2006

O fim da Era Palocci

Por Sebastião Nery
Publicado na Tribuna da Imprensa


Em 1959, o embaixador Sete Câmara era chefe da Casa Civil do presidente Juscelino e o diplomata Paulo de Tarso Flexa de Lima seu chefe de gabinete.

O deputado Fernando Santana, PCB da Bahia (na legenda do PTB), e o antropólogo Edson Carneiro foram ao Catete conversar com Juscelino.

A porta do gabinete de Sete Câmara estava com a luz vermelha acesa. O bravo e venerando Fernando, orgulho da Bahia, bem se lembra e me contou:

- Foi me dando uma vontade irresistível de desobedecer àquela luz vermelha. Não agüentei. Meti a mão na maçaneta, empurrei, entramos.

Lá dentro, no sofá, Sete Câmara sentado no meio, Augusto Frederico Schmidt do lado direito, Horacio Lafer do lado esquerdo.

Constrangimento de longo silêncio. Fernando, com seu vozeirão de sertanejo baiano, gritou:

- Parem essa conspiração contra o Brasil!
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Febraban
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E conversaram sem luz vermelha. Mal as urnas se fecharam, a Febraban soltou os cachorros. Nas TVs, jornais, a ordem dos financiadores, dos banqueiros, é não encostar o dedo na política econômica deles. Os ministros Tarso Genro, Mantega e Dilma Rousseff, da banda brasileira do PT, reagiram:
"Acabou a era Palocci. Taxas baixas de crescimento, com preocupação neurótica com a inflação sem crescimento, isso terminou. Vamos crescer 5%".

O Brasil anda tão escravizado que até Delfim ficou "desenvolvimentista":

"A idéia de que não pode crescer mais de 3% é que deixou o Brasil em 3%".
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Trem pagador
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No princípio, o trem pagador do PT nacional vinha sobretudo do Rio Grande do Sul: Olívio Dutra prefeito em 1988, Tarso Genro prefeito em 92, Olívio governador em 98. Depois, com as eleições de petistas para as ricas prefeituras do ABC paulista, de Ribeirão Preto, Santos, de Marta Suplicy em São Paulo, o cofre do PT nacional mudou de Estado. São Paulo virou o trem da felicidade. Tesoureiro da "quadrilha" de José Dirceu, Delubio provia tudo.

Agora, o PT foi varrido do Rio Grande do Sul e de São Paulo. A hora e a vez é da Bahia, Pará, Sergipe, Piauí, Acre, pobrezinhos, coitadinhos. Mas não há de ser nada. O Dirceu virou internacional e generoso empresário.
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Arruda
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O PFL sofreu exemplares lições nas eleições. Pensou que ganharia na Bahia e em Pernambuco com a força da máquina do governo, e no Maranhão com a força do dinheiro dos empresários. Perdeu feio nos três.

O PFL só ganhou onde agiu politicamente e não só personalistamente ou só financeiramente. Em Brasília, o PFL tentou a princípio somar a força da máquina do governo de Joaquim Roriz com a força do dinheiro de Paulo Octavio. Mas acabou optando pela força político-eleitoral do deputado José Roberto Arruda, único governador eleito pelo partido em todo o País.

Arruda ganhou em oposição ao governo federal, ao governo do Distrito Federal e a todos os prefeitos (administradores) das cidades satélites.
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Ética
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Diz o Ancelmo Góis, no "Globo", que, segundo pesquisa do respeitado Instituto GPP, "para os eleitores do Estado do Rio de Janeiro o governo de Lula foi mais corrupto (39,3%) do que o de Fernando Henrique (32,2%)".

No Rio, capital, "essa percepção é ainda maior: mais corrupção na era petista (44,3%) do que na tucana (30,35%).

Está explicado por que Lula teve mais votos na capital do que no interior. Não é só nos filmes americanos, nas novelas da Globo e nos "Big Brother" do Pedro Bial. Também na eleição, o brasileiro adora um vilão.
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Bahia
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Desculpem a imodéstia. A Bahia mais uma vez mostrou a falta que fez.

Está provado que marqueteiro é DNA de baiano: Duda Mendonça, Nizan Guanaes, João Santana, Edson Barbosa, uma exímia seleção inteira.

Na "Folha", Catia Seabra e José Alberto Bombig contam que "hoje o próprio Alckmin reconhece o erro de só começar a propaganda eleitoral, no segundo turno, no dia 12 de outubro, esfriando a campanha":

"Na reunião do comando político da campanha, no dia 2 de dezembro, o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia, questionou o coordenador de comunicação, jornalista Luiz Gonzalez, sobre a data do reinício do horário eleitoral. Ele respondeu que só começaria dez dias mais tarde".

"Quem esfria campanha é quem está na frente, não atrás, ponderou Maia.

Gonzalez respondeu que temia a desconstrução da imagem de Alckmin".

Como dizia meu velho mestre, o latinista cearense padre José Correia, são umas alimárias: só não relincham de modéstia.
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Jobim
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Lula disse que, "não fosse o ex-governador Garotinho, o PMDB teria ficado com a vice-presidência". Como Lula queria dar a vice ao óbvio Nelson Jobim, a Nação ficou devendo a Garotinho esse com lúrbico serviço.
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Lula
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O povo brinca, mas sabe das coisas:
"O Lula não foi reeleito. É repetente. Vai fazer tudo de novo".