segunda-feira, abril 30, 2007

IPEA: Redução da desigualdade perde força

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O processo de redução da desigualdade no Brasil pode estar se esgotando. A conclusão é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e está presente no livro Desigualdade de Renda no Brasil: uma Análise da Queda Recente, que será lançado nesta sexta-feira no Rio.

Segundo a obra, a redução da desigualdade alcançou seu maior vigor entre 2001 e 2005. Já em 2006, praticamente não houve alteração no grau de concentração de renda do trabalho nas seis principais regiões metropolitanas analisadas.

O mesmo aconteceu com a miséria: depois de um período de queda até 2005, o percentual de trabalhadores abaixo da linha de miséria parou de cair em 2006. Os pesquisadores se basearam na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE.

Para um dos autores do livro, o pesquisador Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, a redução do ritmo de queda da desigualdade sugere que as políticas públicas que o Brasil usou para diminuir a concentração de renda chegaram a um limite – caso da alta do salário mínimo e do Bolsa Família.

Na avaliação dele, qualquer aumento do mínimo a partir de agora terá pouco impacto na extrema pobreza. Isso porque a população mais pobre ganha menos do que o mínimo e trabalha no setor informal. Quanto ao Bolsa Família, o pesquisador, ouvido pelo jornal Folha de S. Paulo, defendeu que o programa teria chegado a um limite ao atender 11 milhões de famílias.

COMENTANDO A NOTICIA: As fórmulas até aqui empregadas, todas iniciadas no governo FHC, tais como fim da inflação galopante, fim da falta de estrutura do Estado, racionalidade e equilíbrio fiscal nas contas públicas, e em todos os níveis da administração, rede de proteção social, e a facilitação do crédito subsidiado, como que esgotaram a fórmula tanto de redução da pobreza quanto o da distribuição de renda pela simples de que o país não gerou ou não aumentou sua riqueza como deveria e poderia dada as circunstâncias favoráveis da economia mundial. Sendo assim, distribuímos o que tínhamos e podíamos distribuir. Daqui prá frente, o país precisará gerar muita mais riqueza para que esta redução de pobreza e melhor distribuição de renda possa avançar. E obrigatoriamente, o país precisará urgentemente promover as reformas estruturantes para abrir caminho a um crescimento mais vigoroso. Isto se dará com a rápida e urgente redução do nível de desemprego que vem se mantendo em torno de 10%. Alto, muito alto.

Além disso, precisará o Estado reduzir seu tamanho para abrir fôlego necessário a redução de carga tributária, cuja conseqüência será o aumento dos investimentos produtivos, geradores de emprego e renda real. Falamos de alguma mágica ? Não, nada do que referimos é diferente do que já se fez em outros países e deu certo. E aí, na redução do tamanho do Estado e o conseqüente peso que ele representa para a sociedade, reside ao nosso ver, toda a dificuldade do governo Lula, e todos aqueles que se alinham ao pensamento petista. Para eles todos, o Estado precisa ir na contramão da fórmula que dá certo, isto é, eles entendem que a presença do Estado na economia deve ser maior. E isto represente adicionar um custo ainda maior que o atual para ser sustentado. O Brasil já esgotou esta estratégia. E ele já morreu junto com a ditadura militar. Não é mais possível aumento de encargos para sustentar um Estado perdulário,.que não produz absolutamente nada, não gera renda, e que pelo seu gigantismo emperra o próprio desenvolvimento necessário para que estas desigualdades reduzam-se ao mínimo que se puder.

Por tais razões, é mais do que chegada a hora das oposições repensarem seu papel, e alinharem programas e projetos de país alternativos, capazes de nos tirar desta estagnação que já dura 25 anos.

Se desejamos mesmo reduzir a diferença de rendas e a pobreza, precisamos incentivar a produção ao máximo que pudermos. Mas, conforme já se pode entender, não será este governo que promoverá este salto de qualidade. Infelizmente, teremos que esperar para depois de 2010, isto é claro, se as oposições, de fato, cumprirem com seu papel.