Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
“Este é o século da elite do saber, e não apenas da elite do berço e sobrenome”, Presidente Lula, no lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação.
É bom que assim seja, já que o governo Lula tem dado prioridade à elite, que continua ganhando muito, pagando pouco pelo ganha, e permanece favorecida até pelo Judiciário.
Contudo, aquele que escreveu o discurso de Lula, poderia ter se dado ao trabalho de pesquisar um pouco, e não apenas ficar copiando lugares-comuns para serem repetidos em palanques com o intuito de causar boa impressão na platéia. Claro que quando Lula diz estas frases construídas no laboratório da imbecilidade que dorme em seu governo. Claro que sendo uma seleta “platéia” escolhida a dedo para bater palmas nas pausas pré-determinadas, faz parecer que daquele que discurso no púlpito o faz com extrema sabedoria. Os puxa-sacos de ocasião mais estão para aplaudir e sorrirem. Porém, se você lhes perguntar ao final do discurso, o conteúdo do que foi lido ou dito, provavelmente ninguém responder.
A começar que o “saber” pertencia ao século passado, período do qual Lula tem sacado os bons exemplos a seguir. E, por estarem sempre fora de época, virtualmente, acabam não dando em nada. A frase que deveria ter sido lida e dita por Lula é que este século 21, o que importará e sempre fará a diferença não é apenas o saber mas sim a informação, informação qualificada e atual, que aliada ao saber, lhe permitirá a cada indivíduo direcionar sua melhor em busca de um resultado, de uma meta, de um objetivo final.
É o mesmo que se dá no trabalho. Aquilo que era qualidade e fazia a diferença há vinte anos atrás, hoje não passa de valor agregado que obrigatoriamente se exige no perfil comum. Por exemplo, Há vinte anos atrás, ter o domínio de um segundo idioma fazia a diferença entre os profissionais e executivos. Hoje, esta “qualidade” se incorporou de tal forma aos perfis de cada um, que dois idiomas já se tornou obrigatório, tanto quanto o domínio da informática.
Assim, Lula está pelo menos uns cinqüenta anãos atrasado. Além disto, ter o saber apenas por ter, é improdutivo. O ser humano pode até ter poucos conhecimentos porém, se souber empregá-los em atividades produtivas, poderá até obter mais e melhores resultados do que outro que, teoricamente, reúna maior quantidade de conhecimentos.
E ainda se pode perguntar a Lula a qual saber ele se refere. O saber intelectual, o saber profissional, o saber de uma ideologia, dos conceitos básicos de cidadania, saber de direitos, saber de deveres, em qual saber se constrói uma elite ?
Não creio que ele saiba responder, e pela simples razão que a frase foi empregada apenas para causar um bom efeito na platéia e nada mais.
A verdade é que a educação brasileira vai mal. Se o Plano recém lançado dará os resultados pretendidos e que dele se espera, é uma coisa que se verá mais adiante. Por ora é preciso entender onde nosso ensino está dando errado. Primeiro, porque professores, até me corrijo, porque profissionais de educação deve sim pertencer a uma elite. E como toda a elite deverá ter remuneração condizente, preparo e adequação de métodos modernos de ensino, capacidade de expressão e de transmissão de conhecimentos, ser periodicamente avaliado nestes tópicos e sofrer reciclagens de metodologia, e isto tudo se conjuga com condições materiais decentes.
Nesta semana a imprensa noticiou que 72 escolas, em pleno período letivo, lá no Pernambuco, tiveram as aulas suspensas por períodos que vão variar de 60 a 90 dias, para que o estado possa recuperar os telhados que estavam desabando sobre os alunos.
Isto é um absurdo, não é ? Pois então saibam que a Secretaria de Educação como querendo se “justificar”, informou que outras escolas se encontravam também em condições precárias, e que entrariam no plano de reformas numa etapa seguinte.
Viajem pelo Brasil e inspecionem as escolas públicas que temos: acreditem, nem com três vezes o valor que será liberado este ano, R$ 1,0 bilhão, se conseguirá colocá-las em condições de abrigar os alunos de forma decente, muito menos equipá-las com o indispensável para transmitir os conhecimentos necessários e em níveis adequados à formação da “elite do saber”.
O Plano do ministro Haddad até ataca em questões essenciais, porém, como tantos outros programas de Lula, falta-lhe profundidade e consistências para a obtenção dos resultados a que se propõe. Além disto, é bom frisar, que o governo tem sido costumeiro na manipulação de estatísticas, com o que talvez a percepção que terá no curto e médio prazos, será destoante da verdadeira situação e nível escolar de nossas crianças.
A avaliações serão importantes ? Sempre serão, mas vamos lembrar do passado um bocadinho: quando as primeiras provas de avaliação foram idealizadas e lançadas pelo ministro Paulo Renato no governo FHC , com o zé bonitinho do Lindenberg Farias à frente, o petê fez de tudo para implodir os exames. Voltem aos arquivos dos jornais e vocês poderão recordar a canalhice, marca registrada de um partido de trambiqueiros. Agora, claro, Lula quer todos se envolvendo, porém, lá atrás, tentou impedir o progresso que hoje quer arrotar como sendo sua conquista. Uma ova.
Voltemos ao programa. Uma das maiores e mais antigas reivindicações dos professores , principalmente os do ensino fundamental, foi o estabelecimento de um piso nacional coerente com a importância de seu trabalho. Pois bem, Lula como que querendo enganar a torcida, colocou o tal piso no Programa. Porém, o detalhe é que o piso só será atingido nos R$ 850,00 em .... 2010, ou seja, o governo vai empurrar este valor com a barriga até próximo as eleições daquele ano, para depois, de forma cafajeste e imoral, bancar pose na campanha. E ainda, conforme informamos, escondeu uma curiosa composição de valores que, para aqueles que sabem fazer contas, não passou despercebido: o atual piso médio, em torno de R$ 400,00, é para a atividade de 20/22 horas aula/semana. No piso previsto, vai se pagar R$ 850,00 para período de 40 horas aula/semanais. Ou seja, considerando o volume de trabalho atual, o piso de Lula pagaria R$ 425,00, o que equivale a R$ 25,00 a mais e assim mesmo para ser atingido até 2010. Convenhamos, é chamar a todos os professores de otários !
Além disto tudo que enumeramos aqui, há outro detalhe que merece atenção: se um curioso em educação, quiser procurar nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática em que série os alunos aprenderão operações básicas de matemática, como a multiplicação com dois algarismo, ele não encontrará. Conforme demonstramos aqui no excelente artigo do Professor Naércio Menezes Filho (clique aqui ). Por quê ? Porque lá há apenas boas noções sobre a utilização da Matemática para a construção da cidadania (???).
http://comentandoanoticia.blogspot.com/2007/04/quanto-4320.html
A lembrar o texto do Professor Naércio “(...)Sabe-se que os professores estão confusos sobre o que ensinar em cada série, e que os parâmetros curriculares aumentaram essa confusão(...)”.
Este desvio será enfocado no Plano recém lançado? Sei não, tenho dúvidas. Há questões em aberto que o Plano não explica ou não prevê. E há lacunas imperdoáveis que deixaram simplesmente de receber o tratamento adequado para que as metas possam ser atingidas, não no montante que o governo projetou, mas se obtido cinqüenta a setenta por cento do imaginado, já estaria de bom tamanho. Nas reportagens que assistimos nas tevês abertas sobre os resultados do IDEB pode-se perceber claramente qual tipo de ensino dá certo, e qual deve ser abandonado. A questão da evasão escolar, por exemplo, está intimamente ligada a falta de condições materiais da grande maioria das escolas, a falta de equipamentos e mios, coisas que fazem a diferença na hora de despertar o interesse dos alunos. A falta de atividade paralelas como prática de esportes, por exemplo, atividades culturais extra-classe, são formas não apenas de atrair os jovens para dentro das escolas, mas de inseri-los em outros canais de conhecimento, aprendizado e informação. Não é apenas dotando as escolas de computadores que terão o efeito mágico da atração e da formação qualificada. Até porque, as escolas sequer contam com segurança mínima indispensável para impedir que vândalos assaltem estas escolas e roubem os equipamentos. Portanto, se o desejo é praticar uma revolução na educação fundamental no Brasil, não se pode enfocar apenas avaliações. Não basta apenas cobrar resultados. É preciso que se crie um modelo padrão básico de escola dotada de amplos recursos e profissionais e implantá-los em todo o país. Razão pela qual ao se analisar o volume de recursos que se pretende implantar fica fácil concluir que este será mais um plano que não deu certo. É pena.
“Este é o século da elite do saber, e não apenas da elite do berço e sobrenome”, Presidente Lula, no lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação.
É bom que assim seja, já que o governo Lula tem dado prioridade à elite, que continua ganhando muito, pagando pouco pelo ganha, e permanece favorecida até pelo Judiciário.
Contudo, aquele que escreveu o discurso de Lula, poderia ter se dado ao trabalho de pesquisar um pouco, e não apenas ficar copiando lugares-comuns para serem repetidos em palanques com o intuito de causar boa impressão na platéia. Claro que quando Lula diz estas frases construídas no laboratório da imbecilidade que dorme em seu governo. Claro que sendo uma seleta “platéia” escolhida a dedo para bater palmas nas pausas pré-determinadas, faz parecer que daquele que discurso no púlpito o faz com extrema sabedoria. Os puxa-sacos de ocasião mais estão para aplaudir e sorrirem. Porém, se você lhes perguntar ao final do discurso, o conteúdo do que foi lido ou dito, provavelmente ninguém responder.
A começar que o “saber” pertencia ao século passado, período do qual Lula tem sacado os bons exemplos a seguir. E, por estarem sempre fora de época, virtualmente, acabam não dando em nada. A frase que deveria ter sido lida e dita por Lula é que este século 21, o que importará e sempre fará a diferença não é apenas o saber mas sim a informação, informação qualificada e atual, que aliada ao saber, lhe permitirá a cada indivíduo direcionar sua melhor em busca de um resultado, de uma meta, de um objetivo final.
É o mesmo que se dá no trabalho. Aquilo que era qualidade e fazia a diferença há vinte anos atrás, hoje não passa de valor agregado que obrigatoriamente se exige no perfil comum. Por exemplo, Há vinte anos atrás, ter o domínio de um segundo idioma fazia a diferença entre os profissionais e executivos. Hoje, esta “qualidade” se incorporou de tal forma aos perfis de cada um, que dois idiomas já se tornou obrigatório, tanto quanto o domínio da informática.
Assim, Lula está pelo menos uns cinqüenta anãos atrasado. Além disto, ter o saber apenas por ter, é improdutivo. O ser humano pode até ter poucos conhecimentos porém, se souber empregá-los em atividades produtivas, poderá até obter mais e melhores resultados do que outro que, teoricamente, reúna maior quantidade de conhecimentos.
E ainda se pode perguntar a Lula a qual saber ele se refere. O saber intelectual, o saber profissional, o saber de uma ideologia, dos conceitos básicos de cidadania, saber de direitos, saber de deveres, em qual saber se constrói uma elite ?
Não creio que ele saiba responder, e pela simples razão que a frase foi empregada apenas para causar um bom efeito na platéia e nada mais.
A verdade é que a educação brasileira vai mal. Se o Plano recém lançado dará os resultados pretendidos e que dele se espera, é uma coisa que se verá mais adiante. Por ora é preciso entender onde nosso ensino está dando errado. Primeiro, porque professores, até me corrijo, porque profissionais de educação deve sim pertencer a uma elite. E como toda a elite deverá ter remuneração condizente, preparo e adequação de métodos modernos de ensino, capacidade de expressão e de transmissão de conhecimentos, ser periodicamente avaliado nestes tópicos e sofrer reciclagens de metodologia, e isto tudo se conjuga com condições materiais decentes.
Nesta semana a imprensa noticiou que 72 escolas, em pleno período letivo, lá no Pernambuco, tiveram as aulas suspensas por períodos que vão variar de 60 a 90 dias, para que o estado possa recuperar os telhados que estavam desabando sobre os alunos.
Isto é um absurdo, não é ? Pois então saibam que a Secretaria de Educação como querendo se “justificar”, informou que outras escolas se encontravam também em condições precárias, e que entrariam no plano de reformas numa etapa seguinte.
Viajem pelo Brasil e inspecionem as escolas públicas que temos: acreditem, nem com três vezes o valor que será liberado este ano, R$ 1,0 bilhão, se conseguirá colocá-las em condições de abrigar os alunos de forma decente, muito menos equipá-las com o indispensável para transmitir os conhecimentos necessários e em níveis adequados à formação da “elite do saber”.
O Plano do ministro Haddad até ataca em questões essenciais, porém, como tantos outros programas de Lula, falta-lhe profundidade e consistências para a obtenção dos resultados a que se propõe. Além disto, é bom frisar, que o governo tem sido costumeiro na manipulação de estatísticas, com o que talvez a percepção que terá no curto e médio prazos, será destoante da verdadeira situação e nível escolar de nossas crianças.
A avaliações serão importantes ? Sempre serão, mas vamos lembrar do passado um bocadinho: quando as primeiras provas de avaliação foram idealizadas e lançadas pelo ministro Paulo Renato no governo FHC , com o zé bonitinho do Lindenberg Farias à frente, o petê fez de tudo para implodir os exames. Voltem aos arquivos dos jornais e vocês poderão recordar a canalhice, marca registrada de um partido de trambiqueiros. Agora, claro, Lula quer todos se envolvendo, porém, lá atrás, tentou impedir o progresso que hoje quer arrotar como sendo sua conquista. Uma ova.
Voltemos ao programa. Uma das maiores e mais antigas reivindicações dos professores , principalmente os do ensino fundamental, foi o estabelecimento de um piso nacional coerente com a importância de seu trabalho. Pois bem, Lula como que querendo enganar a torcida, colocou o tal piso no Programa. Porém, o detalhe é que o piso só será atingido nos R$ 850,00 em .... 2010, ou seja, o governo vai empurrar este valor com a barriga até próximo as eleições daquele ano, para depois, de forma cafajeste e imoral, bancar pose na campanha. E ainda, conforme informamos, escondeu uma curiosa composição de valores que, para aqueles que sabem fazer contas, não passou despercebido: o atual piso médio, em torno de R$ 400,00, é para a atividade de 20/22 horas aula/semana. No piso previsto, vai se pagar R$ 850,00 para período de 40 horas aula/semanais. Ou seja, considerando o volume de trabalho atual, o piso de Lula pagaria R$ 425,00, o que equivale a R$ 25,00 a mais e assim mesmo para ser atingido até 2010. Convenhamos, é chamar a todos os professores de otários !
Além disto tudo que enumeramos aqui, há outro detalhe que merece atenção: se um curioso em educação, quiser procurar nos Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática em que série os alunos aprenderão operações básicas de matemática, como a multiplicação com dois algarismo, ele não encontrará. Conforme demonstramos aqui no excelente artigo do Professor Naércio Menezes Filho (clique aqui ). Por quê ? Porque lá há apenas boas noções sobre a utilização da Matemática para a construção da cidadania (???).
http://comentandoanoticia.blogspot.com/2007/04/quanto-4320.html
A lembrar o texto do Professor Naércio “(...)Sabe-se que os professores estão confusos sobre o que ensinar em cada série, e que os parâmetros curriculares aumentaram essa confusão(...)”.
Este desvio será enfocado no Plano recém lançado? Sei não, tenho dúvidas. Há questões em aberto que o Plano não explica ou não prevê. E há lacunas imperdoáveis que deixaram simplesmente de receber o tratamento adequado para que as metas possam ser atingidas, não no montante que o governo projetou, mas se obtido cinqüenta a setenta por cento do imaginado, já estaria de bom tamanho. Nas reportagens que assistimos nas tevês abertas sobre os resultados do IDEB pode-se perceber claramente qual tipo de ensino dá certo, e qual deve ser abandonado. A questão da evasão escolar, por exemplo, está intimamente ligada a falta de condições materiais da grande maioria das escolas, a falta de equipamentos e mios, coisas que fazem a diferença na hora de despertar o interesse dos alunos. A falta de atividade paralelas como prática de esportes, por exemplo, atividades culturais extra-classe, são formas não apenas de atrair os jovens para dentro das escolas, mas de inseri-los em outros canais de conhecimento, aprendizado e informação. Não é apenas dotando as escolas de computadores que terão o efeito mágico da atração e da formação qualificada. Até porque, as escolas sequer contam com segurança mínima indispensável para impedir que vândalos assaltem estas escolas e roubem os equipamentos. Portanto, se o desejo é praticar uma revolução na educação fundamental no Brasil, não se pode enfocar apenas avaliações. Não basta apenas cobrar resultados. É preciso que se crie um modelo padrão básico de escola dotada de amplos recursos e profissionais e implantá-los em todo o país. Razão pela qual ao se analisar o volume de recursos que se pretende implantar fica fácil concluir que este será mais um plano que não deu certo. É pena.