Villas-Bôas Côrrea, Jornal do Brasil
A impressão que se repete a cada vez que se lê os jornais ou assiste aos noticiários das TVs é que um novo governo começa todos os dias com os clássicos pronunciamentos de críticas à herança abençoada que caiu sobre os seus ombros e o esfuziante discurso do presidente anunciando o país que reencontrou a esperança no futuro de bonança, retomada do desenvolvimento e a solução miraculosa das mazelas de séculos de incompetência.
Uma pausa para que os batimentos cardíacos voltem ao ritmo da normalidade, uma dose de autocrítica e a porção de benevolência para desculpar o deslumbramento do maior presidente da história deste país. Com um olhar para cada lado, voltamos ao equilíbrio indispensável para uma avaliação imparcial da salada de contradições servida todas as manhãs. E o espetáculo renova o pasmo com a leviandade oficial, que transbordou para os três poderes.
Dando tempo para a lavagem da memória, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) arquivou a exaustiva investigação sobre um dos escândalos mais rumorosos da campanha da reeleição, que explodiu com a denúncia da tramóia para a compra pelos petistas do falso dossiê contra dirigentes do PSDB. O TSE enterrou o assunto com a decisão pela unanimidade de seis votos. Seguiu o relator, ministro César Astor Rocha, que baseou a sua argumentação na falta de provas contra os suspeitos de alto nível. Até o então presidente-candidato Lula era um dos acusados.
É intrigante a lógica da toga. Alega falta de provas e insiste em que a tentativa foi detonada antes de concretizada. Mas, em 16 de setembro de 2006, na reta da campanha, os companheiros Valdebran Padilha e o advogado Gedimar Passos foram presos pela Polícia Federal, num hotel em São Paulo, com US$ 248.800 e R$ 1,16 milhão. O montão de pacotes de reais e dólares foi fotogra fado e enfeitou o noticiário da imprensa: dinheiro é muito fotogênico. Bem, não se fala mais nisso, é assunto encerrado,
Vamos respirar o ar oxigenado da euforia: o presidente-reeleito não se deixa aprisionar pelos grilhões da coerência. Há cerca de um mês reconheceu que a educação brasileira está entre as piores do mundo. E agora, no contraponto, ao lançar o Plano de Desenvolvimento da Educação, garantiu que até o fim do mandato bisado o seu governo colocará o Brasil em pé de igualdade com qualquer país do mundo.
O governo estava mesmo necessitado de passar para o povo um sinal de que está vivo. E sair do aperto da crise com o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente, que ameaça provocar a demissão da ministra Marina Silva, vítima da tardia urgência presidencial na retomada do programa nuclear, com a construção de Angra 3 e outras de cinco usinas.
É fantástico: Lula viaja, passeia, conversa com os parlamentares cooptados da oposição. De repente, lembra-se de que a educação está abandonada às traças e tem presente seu juramento segundo o qual o apagão - o elétrico - não se repetiria. Lembra-se também de que Marina Silva é um estorvo com a sua mania de defender o meio ambiente e entende que o Ibama deveria ser simplesmente fechado.
No fundo de tantas incoerências, o fantasma das CPIs do Apagão para investigar as deficiências do sistema do controle do tráfego aéreo, que penalizou milhares de usuários com a bagunça nos aeroportos do país, com os cancelamentos e atrasos de milhares de vôos.
Quando a consciência está intranqüila, amplia os sustos. As CPIs do Apagão arrastam-se na lentidão do atraso. Para recuperar o fôlego terão que levantar novas denúncias.
Agora é a hora e a vez da crise da toga.
A impressão que se repete a cada vez que se lê os jornais ou assiste aos noticiários das TVs é que um novo governo começa todos os dias com os clássicos pronunciamentos de críticas à herança abençoada que caiu sobre os seus ombros e o esfuziante discurso do presidente anunciando o país que reencontrou a esperança no futuro de bonança, retomada do desenvolvimento e a solução miraculosa das mazelas de séculos de incompetência.
Uma pausa para que os batimentos cardíacos voltem ao ritmo da normalidade, uma dose de autocrítica e a porção de benevolência para desculpar o deslumbramento do maior presidente da história deste país. Com um olhar para cada lado, voltamos ao equilíbrio indispensável para uma avaliação imparcial da salada de contradições servida todas as manhãs. E o espetáculo renova o pasmo com a leviandade oficial, que transbordou para os três poderes.
Dando tempo para a lavagem da memória, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) arquivou a exaustiva investigação sobre um dos escândalos mais rumorosos da campanha da reeleição, que explodiu com a denúncia da tramóia para a compra pelos petistas do falso dossiê contra dirigentes do PSDB. O TSE enterrou o assunto com a decisão pela unanimidade de seis votos. Seguiu o relator, ministro César Astor Rocha, que baseou a sua argumentação na falta de provas contra os suspeitos de alto nível. Até o então presidente-candidato Lula era um dos acusados.
É intrigante a lógica da toga. Alega falta de provas e insiste em que a tentativa foi detonada antes de concretizada. Mas, em 16 de setembro de 2006, na reta da campanha, os companheiros Valdebran Padilha e o advogado Gedimar Passos foram presos pela Polícia Federal, num hotel em São Paulo, com US$ 248.800 e R$ 1,16 milhão. O montão de pacotes de reais e dólares foi fotogra fado e enfeitou o noticiário da imprensa: dinheiro é muito fotogênico. Bem, não se fala mais nisso, é assunto encerrado,
Vamos respirar o ar oxigenado da euforia: o presidente-reeleito não se deixa aprisionar pelos grilhões da coerência. Há cerca de um mês reconheceu que a educação brasileira está entre as piores do mundo. E agora, no contraponto, ao lançar o Plano de Desenvolvimento da Educação, garantiu que até o fim do mandato bisado o seu governo colocará o Brasil em pé de igualdade com qualquer país do mundo.
O governo estava mesmo necessitado de passar para o povo um sinal de que está vivo. E sair do aperto da crise com o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente, que ameaça provocar a demissão da ministra Marina Silva, vítima da tardia urgência presidencial na retomada do programa nuclear, com a construção de Angra 3 e outras de cinco usinas.
É fantástico: Lula viaja, passeia, conversa com os parlamentares cooptados da oposição. De repente, lembra-se de que a educação está abandonada às traças e tem presente seu juramento segundo o qual o apagão - o elétrico - não se repetiria. Lembra-se também de que Marina Silva é um estorvo com a sua mania de defender o meio ambiente e entende que o Ibama deveria ser simplesmente fechado.
No fundo de tantas incoerências, o fantasma das CPIs do Apagão para investigar as deficiências do sistema do controle do tráfego aéreo, que penalizou milhares de usuários com a bagunça nos aeroportos do país, com os cancelamentos e atrasos de milhares de vôos.
Quando a consciência está intranqüila, amplia os sustos. As CPIs do Apagão arrastam-se na lentidão do atraso. Para recuperar o fôlego terão que levantar novas denúncias.
Agora é a hora e a vez da crise da toga.