por Reinaldo Azevedo
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Desde que Márcio Thomaz Bastos assumiu a Polícia Federal, no mandato anterior de Lula, há a tentativa de fazer da PF uma espécie de centro de uma Operação Mãos Limpas à brasileira. Nesse tempo, muito malandro foi preso, sim, e muita gente entrou na cadeia e dela saiu sem que o devido processo legal tivesse andamento. Aliás, é chegada a hora de a gente saber o destino de todas essas pessoas que são espetacularmente - e espetaculosamente - presas. E, com isso, NOTEM BEM, não estou dizendo que não mereçam necessariamente.Mas algumas considerações que precisam ser feitas. A primeira é a seguinte: há VÁRIOS TEMPOS na Polícia Federal. Há, por exemplo, o tempo do Planalto, do Ministério da Justiça. Esse tempo obedece às injunções políticas do governo e à sua necessidade de demonstrar que os “ricos também choram”. Nessa frente de atuação, donos de butique, de cervejaria e outros bacanas levam holofote na cara e viram personagens daquela gritaria de policiais chutando porta, correndo pra lá e pra cá...
Desde que Márcio Thomaz Bastos assumiu a Polícia Federal, no mandato anterior de Lula, há a tentativa de fazer da PF uma espécie de centro de uma Operação Mãos Limpas à brasileira. Nesse tempo, muito malandro foi preso, sim, e muita gente entrou na cadeia e dela saiu sem que o devido processo legal tivesse andamento. Aliás, é chegada a hora de a gente saber o destino de todas essas pessoas que são espetacularmente - e espetaculosamente - presas. E, com isso, NOTEM BEM, não estou dizendo que não mereçam necessariamente.Mas algumas considerações que precisam ser feitas. A primeira é a seguinte: há VÁRIOS TEMPOS na Polícia Federal. Há, por exemplo, o tempo do Planalto, do Ministério da Justiça. Esse tempo obedece às injunções políticas do governo e à sua necessidade de demonstrar que os “ricos também choram”. Nessa frente de atuação, donos de butique, de cervejaria e outros bacanas levam holofote na cara e viram personagens daquela gritaria de policiais chutando porta, correndo pra lá e pra cá...
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Há um outro tempo, que é o da própria Polícia Federal. As operações não nascem da noite pro dia. Têm um planejamento. MAS SAIBAM: nem o ministro da Justiça consegue impedir que uma operação seja deflagrada a depender da área da instituição que esteja envolvida na investigação. Aí a coisa acontece. É claro que há um certo bom senso, e a Polícia Federal também não mete a mão em cumbuca. Pode até prender José Reinaldo Tavares, ex-governador do Maranhão, por bons motivos. Ele até pode estar metido em lambança. Mas pensem bem: quem é mesmo esse cara? Teria levado um carro de pouco mais de R$ 100 mil como propina?
Há um outro tempo, que é o da própria Polícia Federal. As operações não nascem da noite pro dia. Têm um planejamento. MAS SAIBAM: nem o ministro da Justiça consegue impedir que uma operação seja deflagrada a depender da área da instituição que esteja envolvida na investigação. Aí a coisa acontece. É claro que há um certo bom senso, e a Polícia Federal também não mete a mão em cumbuca. Pode até prender José Reinaldo Tavares, ex-governador do Maranhão, por bons motivos. Ele até pode estar metido em lambança. Mas pensem bem: quem é mesmo esse cara? Teria levado um carro de pouco mais de R$ 100 mil como propina?
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Há um terceiro tempo, que é aquele de quando a sujeira envolve realmente gente graúda. É o tempo sem tempo de acontecer. Entendam uma coisa: NÃO ESTOU DIZENDO QUE OS 47 PRESOS (há mais um; eram 46 até ontem) sejam inocentes. Estou dizendo que eles fazem parte daquele TEMPO DOIS. Estes são os presos da PF. E a PF quer um reajuste salarial, que lhe foi prometido e não lhe foi pago, de 35%. Há gente presa em número e importância suficientes para deixar muita autoridade da República preocupada.
Há um terceiro tempo, que é aquele de quando a sujeira envolve realmente gente graúda. É o tempo sem tempo de acontecer. Entendam uma coisa: NÃO ESTOU DIZENDO QUE OS 47 PRESOS (há mais um; eram 46 até ontem) sejam inocentes. Estou dizendo que eles fazem parte daquele TEMPO DOIS. Estes são os presos da PF. E a PF quer um reajuste salarial, que lhe foi prometido e não lhe foi pago, de 35%. Há gente presa em número e importância suficientes para deixar muita autoridade da República preocupada.
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Conspiração?
Conspiração?
Não há nada de teoria conspiratória aqui. As coisas são como são. As democracias do mundo inteiro tomam muito cuidado para que a sua “Polícia Federal” (ou congênere) não se torne um instrumento de desordem institucional, dividida entre aqueles que a entendem como instrumento de defesa da corporação e os que a querem como instrumento de execução da política do governo de turno.
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Repararam como petista tem uma espécie de seguro contra algemas no Brasil? Gente de tudo quanto é partido e corrente política já foi fotografada com a pulseira (às vezes coberta por um paletó). Só não temos petistas para ilustrar essa história. Houve o caso Waldomiro Diniz. Houve o mensalão. Houve o dossiê. Só não há petistas servindo de exemplo. O partido que protagonizou o maior escândalo político da história brasileira — e isso é fato, não opinião — não entrega a sua cota de safados. Os safados podem até ser de legendas aliadas (o que não deixa de ser útil à construção da hegemonia do PT), mas petistas não são.
Repararam como petista tem uma espécie de seguro contra algemas no Brasil? Gente de tudo quanto é partido e corrente política já foi fotografada com a pulseira (às vezes coberta por um paletó). Só não temos petistas para ilustrar essa história. Houve o caso Waldomiro Diniz. Houve o mensalão. Houve o dossiê. Só não há petistas servindo de exemplo. O partido que protagonizou o maior escândalo político da história brasileira — e isso é fato, não opinião — não entrega a sua cota de safados. Os safados podem até ser de legendas aliadas (o que não deixa de ser útil à construção da hegemonia do PT), mas petistas não são.
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Não tenho nada contra a que se tenha uma Operação Mãos Limpas no Brasil. Mas é preciso prender todos os que estão com as mãos sujas.
Não tenho nada contra a que se tenha uma Operação Mãos Limpas no Brasil. Mas é preciso prender todos os que estão com as mãos sujas.