sexta-feira, maio 11, 2007

Se BC não agir, dólar pode chegar a R$ 1,60

Denise Campos de Toledo, Redação Terra

O Brasil está mais perto do investment grade (grau de investimento). A agência de classificação de risco Fitch elevou o rating soberano do Brasil de "BBB-" para "BB". O País está a apenas um ponto de ser considerado como de risco zero para se investir. Essa notícia tende a reforçar o movimento positivo do mercado, estimulando um maior fluxo de investimento. A queda do dólar também deve ser reforçada, já que está diretamente relacionada à entrada de recursos externos e à credibilidade do Brasil. O Banco Central vai ter mais trabalho para tentar segurar os cotações. Se não agir, há possibilidade não só de o dólar romper, para baixo, a barreira dos R$ 2, mas caminhar para alguma coisa entre R$ 1,60 e R$ 1,70.

As agências de classificação, durante um bom tempo, foram rigorosas demais com o Brasil. Ainda reflexo da moratória decretada pelo País anos atrás. Além disso, não havia muita confiança no processo de estabilização, após sucessivos planos econômicos. Só que o Brasil já vem traçando o caminho da estabilidade há vários anos, desde o início do Real, dando indicações de um processo consolidado. Por outro lado, houve uma melhoria importante das contas externas. O Brasil antecipou o pagamento da dívida junto ao FMI, conseguiu resgatar todos os títulos ainda relacionados com a moratória, vem obtendo resultados muito positivos da balança comercial e tem um nível recorde de reservas cambiais. Já não é tão vulnerável a mudanças no fluxo de investimentos.

O curioso, se é que se pode chamar assim, é que o Banco Central, na tentativa de segurar a queda do dólar, vem comprando a moeda de forma intensa, o que amplia o nível das reservas. E reservas maiores aumentam a confiança no País, o que tende a atrair mais recursos, pressionando ainda mais o dólar para baixo. Romper esse ciclo parece cada vez mais difícil apenas com essas intervenções do BC. Uma redução mais acelerada dos juros poderia ser uma forma de segurar, pelo menos, o ritmo de entrada dos investimentos financeiros.

As reservas internacionais estão em torno de US$ 122 bilhões e, segundo prevê a Fitch, podem passar dos US$ 130 bilhões até o final do ano. Esse volume seria equivalente a 150% da dívida de externa de curto prazo do País. Está aí um dos motivos da confiança maior.

A nova nota dada pela Fitch só reforça a expectativa do mercado brasileiro de que o País possa atingir o investment grade entre 2008 e 2009. A Fitch foi a primeira agência a alterar a classificação de risco do Brasil depois dessa última onda de melhoria da economia, principalmente após as reservas terem ultrapassado os US$ 100 bilhões.