Reinaldo Azevedo
Se a memória do Tio Rei não falha — e raramente falha, ao menos por enquanto —, não houve, no Collorgate, uma só empresa investigada por conta de negócios escusos feitos com PC Farias. Lembro-me de notas frias passadas por ume empresa daquele senhor, a Tratoral, a respeitáveis marcas do capitalismo nativo. Havia a presunção de que as empresas foram chantageadas, coitadinhas. No recente escândalo do mensalão, um banco que também foi personagem do caso PC, o Rural, apareceu como palco da lambança. Que fim levou essa história?
Se a memória do Tio Rei não falha — e raramente falha, ao menos por enquanto —, não houve, no Collorgate, uma só empresa investigada por conta de negócios escusos feitos com PC Farias. Lembro-me de notas frias passadas por ume empresa daquele senhor, a Tratoral, a respeitáveis marcas do capitalismo nativo. Havia a presunção de que as empresas foram chantageadas, coitadinhas. No recente escândalo do mensalão, um banco que também foi personagem do caso PC, o Rural, apareceu como palco da lambança. Que fim levou essa história?
Por que lembro isso? Vejam: se o empresário Nenê Constantino, um dos sócios da Gol, quiser mandar para este blog a sua versão dos fatos no caso Joaquim Roriz, eu a publicarei com prazer. Gostaria muito de saber o que ele tem a dizer. Tio Rei é aborrecidamente lógico: se há uma suspeita de que Joaquim Roriz fez lambança com uma montanha de R$ 2 milhões em dinheiro vivo — e se este dinheiro era de Constantino —, então é justo esperar que ele diga alguma coisa, não? Afinal, trata-se de um senador da República, de um ex-governador.Há questões que não foram respondidas:
- O dinheiro veio mesmo da venda de uma fazenda para Dan Herbert, dono da empreiteira que fez o Metrô de Brasília quando Roriz era governador?
- Se, dos R$ 2,2 milhões sacados, Roriz só usou R$ 300 mil, o que se fez do R$ 1,9 milhão que sobrou? Foi devolvido a Constantino? Ele depositou? Continua tudo guardado debaixo do colchão?
- Fazenda, bezerra, depósito de dinheiro, tudo isso está devidamente documentado?
- Por que um senador da República e um grande empresário confiam tão pouco no sistema bancário brasileiro?
- A amizade entre Constantino e Roriz data de que período? Já fizeram outros negócios juntos?
O silêncio do empresário, convenham, é ensurdecedor. Até porque uma coisa resta como óbvia: ou Constantino limpa barra de Roriz, com uma narrativa inequívoca, ou se compromete junto com o amigo senador. Faz sentido isso que escrevo ou não?