sábado, junho 30, 2007

TRAPOS & FARRAPOS...

LULA É O MELHOR EMBAIXADOR CHINÊS NA AMÉRICA
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

O Brasil, em alguns aspectos, é um país sui generis. Vivemos há quase dois anos uma corrida maluca para estancar a super valorização da nossa moeda, o Real, frente ao dólar.

Por conta desta valorização, o país tem tidos problemas em sua pauta de exportações, já que muitos produtos antigos e tradicionais do cardápio oferecido lá fora, como calçados, têxteis, brinquedos e artesanato, perderam sua competitividade por se tornarem muito mais caros do que os da a concorrência. E se juntarmos à questão cambial o peso excessivo de impostos praticados no país, além dos juros e da burocracia idiota, então temos aí os ingredientes indispensáveis para uma receita infalível de assassinato em massa. Vítimas ? Empresas e empregos!

Claro que Lula, durante este tempo todo tem enganado a torcida alegando que a valorização se dá por conta do enorme volume de exportações. O que é uma mentira deslavada, porque se assim fosse, bastaria incentivar algumas importações a mais para restabelecer o equilíbrio. O que provoca a excessiva entrada de dólares que acabam originando numa crescente e continuada desvalorização do dólar, é sim, a combinação perversa de juros altos com desoneração cambial quando o ingresso for para financiamento da dívida pública. Os números aí estão para comprovar a tese e desmentir a versão lulista.

Muitas das nossas empresas nos ramos afetados pela política cambial do governo estão encontrando dificuldades para vender lá fora, mas também para vender aqui dentro já que seus concorrentes estão se aproveitando do dólar baixo para mandar para o Brasil os seus produtos, dentre os quais os piratas, de procedência em sua maioria da China. Aliás, China que, disparada, é a líder mundial da pirataria. Nem a carne brasileira escapa das garras afiadas do dragão chinês.

Era de se esperar, portanto, que o governo pudesse acenar com alguma forma de incentivo para minorar um pouco ao menos as agruras vividas pelos setores atingidos pelo câmbio. Recentemente, o governo editou uma série de medidas que tinham este endereço. Olhando-se atentamente para as tais medidas, constata-se que a única coisa decente foi a abertura de linhas de crédito subsidiados. E só. O resto é lixo e, por conseguinte, inútil. Também do que sobrou não se pode comemorar muito: abertura de crédito significa endividamento, juros, comprometimento do giro, e por aí vai. No que poderia ter feito, passou lotado, que seria aliviar a carga tributária, ou uma pequena desoneração sobre as folhas de salários. Mas por este caminho o governo nunca entende que possa seguir: o governo não abre mão de sua arrecadação, até porque ele não para de gastar inutilmente e desperdiçar dinheiro público. Se não reduz a despesa, como poderá reduzir a receita ?

Como desgraça pouca é bobagem, o governo brasileiro resolveu ser fraterno com o ... Paraguai. Assim, diante da pressão do vizinho, resolveu “oficializar” o contrabando brasileiro com a aceitação da pirataria chinesa. Moral da história: não mexe no câmbio, não reduz a carga tributária, e ainda oficializa o contrabando de pirataria chinesa. Representa dizer o seguinte: o governo Lula acaba de decretar a falência de múltiplos órgãos da economia nacional. Ponto final.

Há muito tempo, o Paraguai instalou na fronteira uma espécie de mercado pirata que vende de tudo, bugigancas, brinquedos, bebidas, eletrônicos, vestuário, calçados, armas, etc. Não escapa nem o cigarro nacional, que é “reimportado”! E grande parte da informalidade brasileira, não tendo emprego no país para se ocupar, resolve juntar umas merrecas e faz costumeiramente uma viagem à Foz do Iguaçu, e compra lá no oficial, US $ 150,00 dólares, e no paralelo, em média, de um a dois mil reais de bugigancas e retornam às suas cidades para revender. E os produtos que se revendem são, sem dúvida, piratas ao extremo. Só que no volume atual, apesar da pirataria e do contrabando, se provocam prejuízos, não tem o dom de “matar” a indústria nacional.

Como o governo não consegue controlar os limites estabelecidos em lei por exercer uma fiscalização tosca na fronteira, e como o vizinho resolveu “reclamar” as bênçãos do Lula padroeiro dos pobres do continente, encontrou-se a solução mágica para acabar com os problemas, ao melhor estilo Casseta & Planeta, com suas Organizações Tabajara: o que antes era contrabando deixa de ser. O que era pirata será oficializado como produto de importação, com direito a guia, limite de compras, e recolhimento de impostos, qualquer coisa que vai de 25 a 44% . Pronto. Tudo bem, tudo certo, não fosse por um detalhe: e a indústria nacional que paga impostos e gera emprego e renda, como é que fica nesta história? Quem se ocupará ou se preocupará com ela?

Nesta semana, já é o terceiro artigo que escrevemos sobre o mesmo tema, e a crítica se repete: Lula precisa entender que ele é presidente do Brasil. Em todas as suas ações de política externa até aqui, ele invariavelmente tem beneficiado os parceiros, e nunca o seu próprio país. Até quando? E cadê os sindicatos de trabalhadores cujas atividades serão prejudicadas nesta ação imbecil de Lula ? Por que a CUT, o MST, UNE e outras porcarias mais, não saem às ruas para protestar contra um ato que fere o interesse do Brasil, que atropela o regime das leis, que fere os princípios de uma economia de mercado, que legaliza a imoralidade e põe em risco milhões de empregos dentro do próprio país?

Ouvi Celso Amorim tentar justificar o injustificável, a de que a medida não legalizava o contrabando. Pois sim, e como o senhor Amorim chama a legalização do comércio de produtos piratas? Comércio de produtos não oficializados ?

Atentem ainda para um detalhe: se o desejo era “legalizar” o comércio mambembe, por quê um limite tão alto de 240 mil por ano, o que representa compras de 20 mil por mês ? Para chegar a tudo isso, claro, os produtos de alta tecnologia, pirateados a mil na fronteira, também serão incluídos na cota. Por que não um limite de, sei lá, qualquer coisa em torno de um ou dois mil dólares por mês, para um total em torno de 12 a 24 mil dólares/ano e que seria muito ?! Quantos ambulantes têm esta capacidade de compra dentro dos limites exagerados estabelecidos pelo governo? Baseado em que dados tal limite foi fixado?

E mais: se era para “legalizar” o comércio ambulante, fixar uma tributação que vai de 25 a 40% é um absurdo ! Ou seja, vai continuar tudo devidamente informal como sempre foi, só que agora, “legalizado”. E o que é pior: todos os produtos pirateados que são vendidos em Foz do Iguaçu atingirão dramaticamente inúmeras indústrias nacionais legalizadas, colocando em risco o emprego de milhões de pessoas. E tudo para bancar o bonzinho com o Paraguai ! Santo Deus, se troféu mediocridade fosse criado, sem dúvida, que Lula e Celso Amorim receberiam o primeiríssimo lugar por esta injustificável ação predadora. Espero que os milhões de atingidos no Brasil saibam agora movimentar-se e exercer sua pressão sobre o governo federal para que reveja com extrema urgência mais esta ação estúpida.

E lendo o noticiário do dia, encontro uma informação de que a China terá um crescimento de mais de 10% em 2007. Deveriam colocar em Pequim um busto em homenagem à Lula: não há na América melhor embaixador chinês capaz de defender tão heroicamente o crescimento econômico do gigante asiático. Já no Brasil...