sábado, junho 30, 2007

Reunião da Cúpula do Mercosul começa sob clima cético

Graciliano Rocha, Redação Terra

A reunião dos chefes de Estado dos países que integram o Mercosul começa sob um clima de ceticismo e de intensas reclamações dos dois sócios menores - Uruguai e Paraguai - sob o que chamam de barreiras burocráticas impostas por brasileiros e argentinos.

O anfitrião Nicanor Duarte Frutos vem sendo pressionado por setores politicamente fortes de seu País - como industriais e produtores rurais - por avanços nas relações com o bloco e retoma hoje os apelos para a facilitação do acesso de bens produzidos pelo Paraguai aos mercados do Brasil e da Argentina.

Entre os pontos delicados da negociação estão a questão da forte fiscalização sobre sacoleiros brasileiros que fazem compras em Ciudad del Este (fronteira com a paranaense Foz do Iguaçu) e o pleito paraguaio para que seja considerado produto do Mercosul todo bem que tiver pelo menos 25% de seus componentes fabricados dentro de um país do bloco. Hoje, o mínimo é de 40%. Este ponto pode alavancar as exportações de bens industriais do Paraguai. Boa parte da indústria paraguaia é dedicada a montar produtos com componentes produzidos em outros países, como China.

Sob argumento de serem vítimas de protecionismo comercial dos vizinhos maiores, Uruguai e o Paraguai querem licenças de firmar acordos separadamente com países ou blocos fora do Mercosul. O pedido é um meio de pressionar pela queda do que chamam de barreiras burocráticas.

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, disse que os dois sócios menores do Mercosul estão sendo prejudicados por ritos burocráticos excessivos que acabam por inviabilizar as exportações de alguns setores para Brasil e Argentina.

"Tem que haver a flexibilidade necessária para que nossos países em outros mercados aquilo que não encontram neste", afirmou o presidente durante um jantar promovido pela União Industrial Paraguaia ontem a noite, em Assunção.

No encontro com os industriais paraguaios, também defensores da tese dos acordos extra-Mercosul, Vázquez criticou as relações com brasileiros e argentinos: "só recebemos fervorosas promessas e luminosas declarações de amizade e fraternidade, que, se apenas pronunciadas, acabam ocas em razão das intermináveis complicações burocráticas", disse.

O encontro em Assunção também é marcado pela ausência de um dos principias jogadores do xadrez político do continente, o venezuelano Hugo Chávez, autor da proposta de criação de um banco de investimento da América do Sul, o chamado Banco do Sul. Chávez não veio ao encontro porque está em viagem a Rússia, onde negocia a compra de submarinos. A ausência causou mal-estar entre os diplomatas que estão em Assunção, chegando a ser interpretada pelo chanceler brasileiro, Celso Amorim, como um "mal sinal".

A Venezuela ainda não e membro pleno do Mercosul porque ainda faltam a ratificação dos congressos do Brasil e do Paraguai para que sua adesão seja efetivada.