domingo, agosto 12, 2007

Campanha contra bebidas alcoólicas

Um dia depois de o presidente Lula ter elogiado na Jamaica a cachaça brasileira, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lançou no Rio uma campanha para mostrar riscos no consumo de bebidas alcóolicas. Ela começará a ser divulgada hoje na TV em comerciais que, de início, parecem com os de cerveja, mas que acabam por alertar para o "lado da bebida alcoólica que a propaganda não mostra", terminando com o slogan "conheça os riscos, seja responsável".

Na entrevista de lançamento, Temporão respondeu que não via contradição no discurso do presidente e na ação do Ministério.

- Está muito na moda essa frase que diz que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Vender cachaça para exportação é importante para o país, mas nossa política não tem nenhum viés moralista nem está dizendo "parem de beber". A bebida é socialmente aceitável e pode ser motivo de alegria e prazer. O que estamos chamando atenção é para o consumo abusivo e precoce.

O ministro voltou a dizer que até o fim do mês o governo enviará ao Congresso pacote de medidas que incluirá a proibição de venda de bebidas alcoólicas em rodovias federais e a restrição da propaganda daquelas com mais de 0,5 grau Gay Lussac (caso das cervejas e de misturas coolers e ices). Hoje, a restrição acontece somente para bebidas com mais de 13 graus Gay Lussac, como cachaças, uísques e vodcas.

O superintendente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja, Marcos Mesquita, disse que a entidade apóia qualquer campanha de conscientização sobre o consumo responsável e que ações como essa já têm partido das próprias empresas. Marcos, no entanto, acha que a restrição de propaganda de cerveja não reduzirá o consumo.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: Dias após o ministro Temporão haver assumido a pasta da Saúde, já no segundo mandato de Lula, e diante de algumas “abordagens” que fez, primeiro foi a legalização do aborto, dissemos que o ministro estava preocupado com o holofote muito mais do que com a gestão do próprio ministério, ou mais propriamente, com a gestão da saúde pública brasileira, que se encontra na UTI faz tempo, foi conscientemente sucatada no primeiro mandato de Lula e que agora agoniza sem que se tenha uma prescrição do tratamento que lhe administrado para debelar seus males crônicos.

De lá para cá, com efeito, Temporão não sai do noticiário. Sempre tratando de temas polêmicos, enquanto não se vê ou lê outra coisa senão doentes morrendo às portas dos hospitais, ou hospitais parados como recentemente se noticiou o Hospital de Clínicas de Curitiba da Universidade Federal do Paraná, totalmente remodelado, instalações e equipamentos moderníssimos, mas parados por falta de pessoal para atender a população.

Temas polêmicos dão IBOPE, por certo, mas não é com marketing pessoal que Temporão conseguirá resolverá o colapso da saúde pública. Por certo, não é o aborto, legal ou não, não são as drogas, legais ou não, como também não é a bebida alcoólica que tornam os serviços no frangalho em que se encontra. Se assim fosse, o que se dizer do trânsito que ou mata ou deixa inválidas a maioria de suas vítimas, que por sinal, são milhares!

É preciso atender aos dois sentidos: de um lado, programas governamentais para reduzir a necessidade dos brasileiros buscarem os hospitais, e aí temos uma penca de causas que provocam a avalancha. Que não se vá reduzir a zero, mas tentar reduzir ao máximo doentes vítimas, por exemplo, da falta de saneamento básico, acidentes trânsito, álcool, drogas, violência urbana, acesso à educação básica de higiene pessoal e comportamento sexual, tudo isso passa, indiscutivelmente pela ação dos governantes em diferentes frentes de ação.

E a outra questão é sim a ampliação, modernização, reforma e recuperação das unidades hospitalares, postos de atendimento ambulatorial, pronto-socorros e policlínicas, que se encontram em condições precaríssimas. E aqui parece haver um vazio sepulcral de parte do ministro Temporão. Porque, senhores, não basta apenas fazer discursos diagnosticando os problemas sabidamente de conhecimento amplo por parte da sociedade. O que importa saber é que projetos e ações o governo tem elaborado para corrigir estas deficiências. E importa mais ainda, que ações o governos ESTÁ efetivamente realizando. E, convenhamos, o “xis” da questão tem sido, comumente no governo Lula, o discurso pomposo e às vezes até raivoso, mas vazio em soluções. Discursos cheios de transferências de responsabilidade e de se apontar para o passado os culpados pelo atual descalabro, mas vazio de realizações no presente. Dizer o que não foi feito, não fará acontecer o milagre da regeneração das mazelas no presente. E nisto, não há como negar, o governo atual é de uma descomunal incompetência.

A questão do álcool, enquanto bebida de gente, claro, é um problema gravíssimo? Por certo que é, mas não é “só isso”. Tem que atuar no atacado, mas sem deixar de lado o varejo, que é o que mais atormenta a população pobre do país.

Assim, bom para o país se o ministro Temporão trabalhar menos com sua imagem constante na mídia abordando temas polêmicos, e muito mais dentro de seu gabinete de forma incessante para dar melhor estrutura de atendimento médico-hospitalar para a população. A saúde pública brasileira precisa é de um gestor competente e capaz, e não de um marqueteiro que, por sinal, neste governo, já temos em excesso.