Fritz Utzeri, jornalista, Jornal do Brasil
Quer dizer que vaiar o Molusco é brincar com a democracia? Quer dizer que ele admite que nunca antes na história deste país os ricos (esses ingratos) ganharam tanto dinheiro como em seu governo? Quer dizer quer todos os que andaram vaiando o Molusco são ricos e banqueiros que lotaram o Maracanã e estão preparando um golpe, uma "marcha da família" para derrubá-lo como fizeram com Jango em 64? Quer dizer que (mais uma vez) ele se declarou "surpreso" com a extensão do apagão aéreo? Quer dizer que na véspera de um novo apagão de energia, o "grande timoneiro" nomeia Luiz Paulo Conde (e a turma do Garotinho) para o comando de Furnas?
É duro de engolir. É só recuar alguns anos, nem tantos assim. Lembram do Fora FHC? (O Fora Lula ainda não aconteceu, até aqui os ricos apenas "cansaram", ai, ai... Ganhar dinheiro cansa). Pois é, o PT passou o governo do príncipe dos (soc)ociólogos vaiando, obstruindo e clamando contra ele. Passou o tempo todo acusando de um modo que hoje eles mesmos definem como "sem provas". Não que FHC não o merecesse, mas é bom que se diga que o antecessor do Molusco jamais desenvolveu teorias conspiratórias e, colocado diante da crise de um apagão energético (também anunciado é bom que se diga), não usou a desculpa do "eu não sabia" e tomou medidas, mobilizou o país e conseguiu superar o problema.
Foram necessários 11 meses, cerca de 400 mortos e um imenso prejuízo econômico (além de manchetes diárias nos jornais) para que finalmente algo fosse feito para tentar resolver o apagão aéreo. O novo ministro da defesa, Nelson Jobim, pelo menos tem uma virtude: age e transmite a impressão de que há um comandante na cabine tomando decisões e orientando o avião e não uma figura alegórica e alienada, que jamais sabe de nada, não decide e quando a coisa aperta joga a carga no mar, recitando sua "sabedoria", um conjunto de sandices que nem mesmo presidentes primários como o general Figueiredo conseguiram igualar.
Está instituído entre nós o reino da mediocracia, no qual não estudar é mérito, em que a "sabedoria" brota das raízes "populares" e inatas do nosso governante, que se orgulha de seu apedeutismo, um detalhe que nada tem a ver com pobreza (pobreza, aliás, que abandonou há muito), haja vista o número de pobres que estudam para tentar chegar a uma posição na vida. Em sua alienação ele faz paralelos estapafúrdios como o de comparar-se a Jango e denunciar as elites que querem derrubá-lo. Quem? O João Dória Jr.? Fala sério!
Imaginem que Jango, em 64, estivesse aliado com pelo menos dois destes três políticos, Carlos Lacerda, Adhemar de Barros e Magalhães Pinto, e exercesse a política deles, com os banqueiros enchendo as burras. Teria havido golpe de 64? O problema é que Jango podia ter muitos defeitos, mas certamente tinha muito mais caráter que o Molusco e é fácil imaginar o que este faria se alguém como o general Amaury Kruel (na época comandante do Segundo Exército) lhe telefonasse na hora H e lhe dissesse que o apoiaria se ele se livrasse dos comunistas.
Como falar em elites golpistas quando vemos que tudo o que existe de mais elite e historicamente golpista está na chamada base de sustentação do governo? Gente da antiga UDN, da ex-Arena, da ex-república das Alagoas, tudo está no balaio do Molusco e agora mesmo quando se anunciam ameaças de nova crise energética, inevitável se o país começar de fato a crescer, oferece uma empresa estratégica como Furnas a um arquiteto sofrível (visitem a UERJ se quiserem comprovar) e a toda a turma de Garotinho & Rosinha que vem com ele. Positivamente, o atual governo (?) conseguiu a adesão de tudo aquilo que o PT passou a vida combatendo e denunciando, até o PSDB. Não é senador José Sarney? Não é ministro Jobim?
Quer dizer que vaiar o Molusco é brincar com a democracia? Quer dizer que ele admite que nunca antes na história deste país os ricos (esses ingratos) ganharam tanto dinheiro como em seu governo? Quer dizer quer todos os que andaram vaiando o Molusco são ricos e banqueiros que lotaram o Maracanã e estão preparando um golpe, uma "marcha da família" para derrubá-lo como fizeram com Jango em 64? Quer dizer que (mais uma vez) ele se declarou "surpreso" com a extensão do apagão aéreo? Quer dizer que na véspera de um novo apagão de energia, o "grande timoneiro" nomeia Luiz Paulo Conde (e a turma do Garotinho) para o comando de Furnas?
É duro de engolir. É só recuar alguns anos, nem tantos assim. Lembram do Fora FHC? (O Fora Lula ainda não aconteceu, até aqui os ricos apenas "cansaram", ai, ai... Ganhar dinheiro cansa). Pois é, o PT passou o governo do príncipe dos (soc)ociólogos vaiando, obstruindo e clamando contra ele. Passou o tempo todo acusando de um modo que hoje eles mesmos definem como "sem provas". Não que FHC não o merecesse, mas é bom que se diga que o antecessor do Molusco jamais desenvolveu teorias conspiratórias e, colocado diante da crise de um apagão energético (também anunciado é bom que se diga), não usou a desculpa do "eu não sabia" e tomou medidas, mobilizou o país e conseguiu superar o problema.
Foram necessários 11 meses, cerca de 400 mortos e um imenso prejuízo econômico (além de manchetes diárias nos jornais) para que finalmente algo fosse feito para tentar resolver o apagão aéreo. O novo ministro da defesa, Nelson Jobim, pelo menos tem uma virtude: age e transmite a impressão de que há um comandante na cabine tomando decisões e orientando o avião e não uma figura alegórica e alienada, que jamais sabe de nada, não decide e quando a coisa aperta joga a carga no mar, recitando sua "sabedoria", um conjunto de sandices que nem mesmo presidentes primários como o general Figueiredo conseguiram igualar.
Está instituído entre nós o reino da mediocracia, no qual não estudar é mérito, em que a "sabedoria" brota das raízes "populares" e inatas do nosso governante, que se orgulha de seu apedeutismo, um detalhe que nada tem a ver com pobreza (pobreza, aliás, que abandonou há muito), haja vista o número de pobres que estudam para tentar chegar a uma posição na vida. Em sua alienação ele faz paralelos estapafúrdios como o de comparar-se a Jango e denunciar as elites que querem derrubá-lo. Quem? O João Dória Jr.? Fala sério!
Imaginem que Jango, em 64, estivesse aliado com pelo menos dois destes três políticos, Carlos Lacerda, Adhemar de Barros e Magalhães Pinto, e exercesse a política deles, com os banqueiros enchendo as burras. Teria havido golpe de 64? O problema é que Jango podia ter muitos defeitos, mas certamente tinha muito mais caráter que o Molusco e é fácil imaginar o que este faria se alguém como o general Amaury Kruel (na época comandante do Segundo Exército) lhe telefonasse na hora H e lhe dissesse que o apoiaria se ele se livrasse dos comunistas.
Como falar em elites golpistas quando vemos que tudo o que existe de mais elite e historicamente golpista está na chamada base de sustentação do governo? Gente da antiga UDN, da ex-Arena, da ex-república das Alagoas, tudo está no balaio do Molusco e agora mesmo quando se anunciam ameaças de nova crise energética, inevitável se o país começar de fato a crescer, oferece uma empresa estratégica como Furnas a um arquiteto sofrível (visitem a UERJ se quiserem comprovar) e a toda a turma de Garotinho & Rosinha que vem com ele. Positivamente, o atual governo (?) conseguiu a adesão de tudo aquilo que o PT passou a vida combatendo e denunciando, até o PSDB. Não é senador José Sarney? Não é ministro Jobim?