quinta-feira, setembro 20, 2007

Governo conta com tucanos

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

No Jornal do Brasil. Comentamos depois.

"As possíveis dissidências na bancada tucana do Senado são a esperança do governo para tentar completar os 49 votos necessários para a aprovação da CPMF. Os dois governadores de maior peso no partido - José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais - querem a prorrogação do tributo. O partido será o principal alvo do trabalho de reaproximação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com oposicionistas nas próximas semanas.

Renan precisa demonstrar que ainda possui capacidade de se relacionar bem com os senadores de oposição para manter o apoio do Palácio do Planalto e aliviar a pressão pela sua saída da presidência da Casa. Ao presidente Lula, Renan tentará demonstrar que sua absolvição não dificultará a aprovação da PEC que prorroga a contribuição até 2011, apesar das ameaças da oposição em torno de uma "obstrução seletiva" na pauta de votações da Casa.

Por seu lado, o governo sabe que terá de flexionar a proposta de prorrogação da CPMF para conquistar votos entre a oposição.

- Seria importante um gesto de humildade e um esforço de negociação em direção à oposição - advertiu ontem o senador Tião Viana (PT-AC). - O processo de obstrução está presente na Casa e o governo terá que dialogar com todos.

Na Câmara, os sinais de flexibilização da proposta que prorroga a CPMF já apareceram. O relator da PEC, deputado Antonio Palocci (PT-SP), deixou uma porta aberta para a diminuição gradual da alíquota do tributo, hoje em 0,38%. O presidente da Casa, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), apontou para a possibilidade de mudar a PEC no plenário da Câmara.

- Tenho sugerido que essa discussão seja feita conjuntamente entre a Câmara e o Senado, para ser aprofundada e termos posições de bancada, de governo e de oposição - pregou Chinaglia.
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*** COMENTANDO A NOTÍCIA: “...Os dois governadores de maior peso no partido - José Serra, de São Paulo, e Aécio Neves, de Minas Gerais - querem a prorrogação do tributo..”. Tudo bem, vamos admitir que assim seja. Pergunta-se: o que eles ganhariam com isso, politicamente? Nada. E até pelo contrário. Lula trataria de empurrar para os tucanos, ambos os presidenciáveis mais fortes à sucessão do próprio Lula, o ônus político da impopular recriação do imposto. Ah, mas o governo vai ser bonzinho e liberar muita grana para os projetos de ambos, em nível estadual. É mesmo ? Que então eles denunciem para a opinião pública a chantagem, ora. Joguem ao eleitorado a verdade, a de que o governo federal age contra o interesse e as necessidades das populações paulista e carioca. Se Lula quer a CPMF, que arque sozinho com o preço político, e não apenas fique com o bônus, que é a receita, e ainda até o final de seu governo. Diante da perspectiva de ser tucano o próximo presidente, este iniciaria seu mandato sem os R$ 40 bilhões de receita, que eles ajudaram a garantir para Lula. Este é o quadro. Se Serra e Aécio não conseguem enxergar o óbvio que salta aos olhos, então nem estão preparados para a presidência, tampouco a merecem.