quinta-feira, setembro 20, 2007

Mantega muda o discurso sobre a crise

Para ministro, Fed sinaliza que turbulência demora a passar

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou ontem que o corte nas taxas de juros pelo Banco Central dos Estados Unidos (Fed) é um reconhecimento de que a turbulência nos mercados financeiros internacionais "é mais séria do que se pensava e que ainda vai demorar algum tempo para se dissipar".

Para Mantega, a decisão do Fed é uma reação à possibilidade de redução da atividade econômica nos EUA. "Não há uma preocupação com a inflação. Então, a preocupação agora é com uma possível deflação proveniente da desaceleração da atividade" afirmou.

Mantega disse acreditar que a redução dos juros indica que o Fed está disposto a propiciar uma acomodação mais suave do mercado à crise. "Em vez de ser uma acomodação mais brusca, mais forte, estão optando por um ajuste mais suave", disse. Ele espera que haja um alívio para o crédito e para as taxas de juros. "Foi uma decisão sábia que será muito positiva para os mercados e para atenuar essa crise internacional."

No entanto, alertou que a decisão do FED não significa que a turbulência internacional tenha terminado. Segundo ele, a crise é séria, de grandes proporções, e está atingindo mais as economias avançadas do que as economias emergentes.

"Ainda vão pipocar problemas em instituições financeiras, principalmente em países avançados", previu. "Nós só podemos ter uma avaliação do pior dos cenários depois dessa turbulência se dissipar. Ela ainda não se dissipou", disse. Para Mantega, o Brasil tem atravessado "muito bem" a crise nos mercados financeiros. Mas ele admitiu que uma desaceleração na economia mundial, principalmente na China e na Índia, poderá provocar queda nas exportações brasileiras de commodities.

O ministro avalia que essa perda no mercado externo seria compensada com o aumento do consumo interno. Para o ministro, a pior das hipóteses é ter um crescimento econômico um pouco abaixo de 5% em 2008 "É prematuro para saber. Nós temos que esperar mais ainda alguns meses para ver o desfecho dessa crise para saber até que ponto ela pode nos afetar ou não. Mas eu estou bastante otimista", disse.

Mantega disse que o Brasil tem consolidado uma posição forte, o que o torna atrativo para investimentos. Dessa forma, avalia, a valorização do real frente ao dólar é uma conseqüência desse desempenho. "Não se pode ter as duas coisas ao mesmo tempo: manter o real desvalorizado e ao mesmo tempo ter uma expectativa mais favorável sobre o Brasil", afirmou.

O ministro também não vê motivos para que o Banco Central freie a queda dos juros no Brasil. "Essa turbulência internacional não tem afetado a inflação. Pelo contrário, se ela se prolongar e afetar o comércio internacional, vai abaixar os preços", disse.

É mesmo, senhor Guido Mantega? Agora você está mudando por que se deu conta da derrapada ao fazer pouco caso da crise ? Isto cheira mais a tentativa de se arranjar uma desculpa esfarrapado para alguma mentira que o governo está tentando emplacar. Até poderia ser do tipo, “tão vendo, a crise é séria, precisamos da CPMF”, ou ainda do tipo “olha gente, não crescemos tanto quanto projetávamos por culpa da crise”. Na verdade, o governo fez sim pouco caso da crise, Lula disse que ela se circunscrevia apenas aos Estados Unidos. Esqueceu vossa excelência que, por conta do crédito que rolou solto, o Brasil foi muito beneficiado, e pode gozar da estabilidade econômica que faz a alegria de um governo que nada fez para se beneficiar.
Quanto ao Brasil ser atraente para os investimentos, é preciso informar que os juros praticados por estas bandas têm atraído é muito capital motel. O sujeito toma um empréstimo no Japão, pagando 2% ao ano, e joga aqui, para ganhar cinco vez mais e sem ter o incômodo de pagar impostos ou se preocupar com CPMF, como os pobres mortais brasileiros precisam suportar.
De qualquer forma, é bom saber que a equipe econômica começa a se dar conta de que a crise se atingir a um, atinge a todos, porque, mesmo que não reconheça, o Brasil ganhou muito com a expansão da economia mundial. Qualquer espirro do outro lado do mundo, nos atinge, independentemente das reservas acumuladas. Porque seremos atingidos nas exportações, que nos conduzirá a necessidade de apertos fiscais, ou em outras palavras, gastar menos.